Drogas e acidentes nas estradas – entenda a relação

De acordo com estudo SOS Estrada existem muitas relações entre o uso de drogas e o aumento dos acidentes nas rodovias brasileiras. Dados do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) mostram que, no ano de 2014, das 2.660 mortes registradas, 399 tiveram motoristas no exercício profissional de sua atividade.

De acordo com a Associação Brasileira de Medicina de Trânsito, as drogas agem no sistema nervoso central do motorista e alteram a concentração, coordenação motora e percepção, o que coloca em risco a própria vida, bem como de passageiros e outros motoristas.

Pesquisa  realizada  pela  Faculdade  de  Ciências  Médicas  de  Minas Gerais com condutores de veículos de carga no Ceasa, em Contagem, na Grande Belo Horizonte, revelou que 50,9% dos  condutores  de  cargas  que  se  acidentaram  faziam  uso das drogas conhecidas como rebites

Na  pesquisa,  ficou  constatado  que, dos  entrevistados  que  consomem anfetaminas, 86,9% afirmaram conduzir o veículo por mais de 13 horas ininterruptas, sendo que 75,8% disseram dormir menos de cinco horas diárias.

A  frequência  de  utilização  da  droga  também  é  alta:  57,1%  dos  entrevistados  afirmaram  usar  os estimulantes  pelo  menos  três  vezes  por  semana.  Dentre  os  usuários  de  anfetamina  70%  tem  idade entre 20 a 46 anos e 21% de 46 a 75 anos, o que indica que são os mais jovens os principais usuários de drogas, conforme alegam muitos caminhoneiros.

As pesquisadoras Maria Masson e Valéria Monteiro, da Universidade Estadual de Campinas, no estudo de 2010 intitulado: “Estilo de vida, aspectos de saúde e trabalho de motoristas de caminhão”, também trazem informações relevantes.

Elas apontam que, em relação ao uso de medicamentos, a maioria dos entrevistados (54,2%) fazia uso de drogas psicoativas para se manterem acordados, devido a necessidade de percorrerem longas distâncias e sofrerem pressão do tempo para a entrega de mercadorias, sendo que 54,4% dos motoristas ingeriam até cinco comprimidos de anfetamina por viagem.

Outro dado assustador é que 43,8% estavam usando drogas há mais de 10 anos. Os entrevistados afirmaram dormir em média 5,3 horas por dia na semana em que estavam trabalhando e 7,9 horas no final de semana. O foco da pesquisa foram caminhoneiros que transportam cargas perecíveis, em particular os verdureiros.

Em 2014, oficiais 2º  Batalhão  de  Policiamento  Rodoviário (2º  BPRv,  com  sede  em  Bauru/SP) lançaram  um  livro  com  29  artigos,  fruto das pesquisas, experiências, sugestões e constatações do dia a dia da fiscalização nas  rodovias.  A  obra,  intitulada: “Policiamento  Rodoviário:  cenário  e perspectivas”  oferece  vários  temas para reflexão.

Assim,  caminhoneiros viciados em drogas tornam-se presas fáceis para o tráfico e são aliciados para distribuição altamente capilarizada de drogas no Brasil. Combater as drogas na boleia ajudará a combater as drogas nas pequenas cidades.

Em setembro de 2014, uma carreta foi apreendida com 32 toneladas de açúcar e 226 kg de crack, na região de Presidente Prudente (SP). Ao confessar o crime o caminhoneiro informou que ganhou o caminhão como pagamento pelo transporte do crack.

Obrigatoriedade dos testes –  Diante desse cenário, os exames toxicológicos entraram em cena. Desde o início de março eles devem ser feitos em motoristas profissionais no transporte rodoviário de cargas e passageiros, conforme Portaria MTPS 116/2015, regulamentadora da Lei n.º 13.103/2015.

Ela determina a realização do exame na pré-admissão, a cada dois anos e meio, e na demissão de profissionais, contratados no regime CLT.

Além disso, desde o dia 30 de abril,  para a emissão e renovação das CNHs categorias C, D e E, todos os motoristas profissionais, tanto contratados no regime CLT, quanto autônomos, devem realizar o exame toxicológico juntamente com os demais exames obrigatórios, de acordo com Resolução 517 criada pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran), e pela Lei federal 13.103/2015.

O exame analisa a queratina coletada de amostras de cabelo, pelos ou unha do profissional e constata se, nos 90 dias anteriores à coleta, o motorista consumiu substâncias psicoativas como: maconha, cocaína, mazindol, crack, femproporex, ecstasy, heroína, metanfetaminas ou anfepramona.

Quem faz?

A Buonny, referência em gerenciamento  de riscos em transportes e logística no Brasil, acaba de criar uma divisão, a BuonnyLab´s, que será responsável pelos exames toxicológicos para motoristas, de acordo com legislação que entrou em vigor em março deste ano.

O motorista terá a possibilidade de fazer os exames no Brasil todo por um preço tabelado (R$ 299,00) , que ainda pode ser parcelado para facilitar a renovação da carteira.

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