Gerenciamento da manutenção em uma frota

De acordo com Bertaglia (2009), gestão de frota representa a atividade de reger, administrar ou gerenciar um conjunto de veículos pertencentes a uma mesma empresa.

Esta tarefa tem uma abrangência bastante ampla e envolvem diferentes serviços, como dimensionamento, especificação de equipamentos, roteirização, custos, manutenção e renovação de veículos entre outras.

Para que um decisor da área de manutenção tenha tranquilidade em aplicar uma técnica de manutenção eficientemente é preciso conhecer os conceitos sobre os tipos mais adequados que deverá utilizar. Até mesmo a combinação de dois ou mais tipos de manutenção deve ser bem delimitada, pois saber onde termina uma aplicação e começa outra é imprescindível para planejar e fazer uma gestão eficiente na manutenção.

A função transporte – O transporte é uma função de apoio, quer seja para o deslocamento de materiais ou pessoas, quer seja para dar suporte à execução de suas atividades fim. Neste último caso, há uma demanda específica, onde veículos são adaptados e equipamentos de serviços são acoplados diretamente aos mesmos, formando assim um importante conjunto que, integrado às atividades desenvolvidas, contribui diretamente para o seu desempenho.

A missão do órgão de transporte é, em geral, garantir a disponibilidade e o desempenho operacional da frota, com segurança e pelo menor custo possível. Para desempenhar de forma eficaz suas funções, o gestor de transporte deve dispor de ferramentas básicas de apoio, dentre as quais se destaca a existência de um bom sistema de informações gerenciais. KAPLAN e NORTON (1997) dizem que “Só é possível gerenciar eficazmente quando se consegue medir o desempenho e o progresso em relação a um plano”.

Só é possível gerencial aquilo que pode ser mensurado.

Para o responsável pelo setor de transportes, é importante conhecer as atividades desenvolvidas pela organização e estar alinhado com suas políticas, diretrizes e principais metas.

Assim, poderá desenvolver um trabalho de forma proativa e aplicar melhor o conceito de “cliente interno”, pois, sendo o transporte atividade de suporte, deve atuar como fornecedor para áreas que desenvolvem atividades fim na empresa.

Segundo PALADINI (1995), de acordo com o princípio da complementaridade, cada setor tem atividades próprias a desempenhar como parte de um todo, porém, estas atividades devem complementar as ações que realizam os demais setores.

• Dessa forma, temos a obrigação de adequar a frota aos serviços a que dá suporte:
• Dimensionar corretamente a quantidade de veículos;
• Renovar a frota na hora certa;
• Programar o controle da utilização e da manutenção da frota, bem como dos custos envolvidos.

Portanto, são várias as condições operacionais que determinam a identificação do veículo adequado, dentre as quais pode-se estabelecer as seguintes questões pertinentes:
– Qual a atividade a ser executada com o veículo?
– Quantos passageiros deverão ser transportados?
– Qual tipo de carga a ser transportada?
– Qual o volume e peso? Que cuidados requer com sua manutenção?
– A atividade necessita de algum equipamento acoplado ao veículo? Quais suas características? Qual seu posicionamento?
– No caso de veículo de apoio a serviço, qual o ferramental a ser transportado?
– Qual a intensidade de uso?
– O percurso se fará em zona urbana, rural ou em ambas? Em que tipo de terreno?
– A região é plana ou tem aclives/declives acentuados? Quais suas condições climáticas?
– Qual a legislação de trânsito em vigor?

A segurança e o desempenho operacional da frota, como partes integrantes da missão do transporte, também é responsabilidade do seu gestor.

Quando olhamos para as rotinas mais voltadas para a prestação de serviços de mobilidade, temos a operacionalização da gestão de frota, que obriga buscar o aprofundamento sobre o tema.

Merece destaque a conceituação acerca da FALHA:

Falha parcial: Desvios de características, além de limites estabelecidos, mas que não causam perda completa da função requerida, comumente chamada de defeito.

Falha total ou completa: Desvios além de limites estabelecidos, causando perda total da função requerida.

Falha gradual: Ocorrência pode ser prevista através de inspeção e/ou acompanhamento constante.

Falha súbita: ocorrência imprevisível ou uma falha aleatória.

Falha catastrófica: falha súbita e destrutiva.

Degradação: evento gradual que atinge parcialmente as funções do equipamento ou sistema. Em geral se manifesta por uso indevido ou envelhecimento.

Aí entra uma das coisas mais importantes no estudo da FUNÇÂO, pois o binômio qualidade dos sobressalentes + qualidade da mão de obra = eficácia, faz toda a diferença.

A ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas – definiu quatro tipos de peças de reposição, mas a ANFAPE – Associação de Fabricantes Independentes de Autopeças – fez um relatório onde explica cada uma das denominações encontradas no mercado.

As originais são peças produzidas pelos mesmos fornecedores das montadoras, mas com marca própria, vendida em todo o mercado.

A peça genuína também é produzida pelos mesmos fornecedores, mas vendidas apenas na rede de concessionárias daquela marca.

Similar e genérica é a mesma coisa: são peças produzidas por empresas independentes, que não fornecem para as montadoras.

A usada é a peça normalmente vinda do desmanche.

A recondicionada pode ser original, genuína ou similar que passa por um processo de recondicionamento.

A remanufaturada também é qualquer uma que passa por um processo industrial, que é refeita, pela mesma indústria que a produziu.

Destaquemos o seguinte – O conjunto ou peça classificado como remanufaturado é um produto com garantia de originalidade, procedência e suporte técnico do fabricante. Já no processo de recondicionamento, a peça defeituosa não passa por uma avaliação criteriosa para identificar quais itens necessitam ser reparados.

Sendo assim, deduz-se que só o fabricante detém o conhecimento para reconstituir a peça dentro dos padrões tecnológicos de produção e deixá-la “nova de novo”.

Podemos assumir que a manutenção com peças remanufaturadas garante que o usuário tenha mais segurança e o veículo maior durabilidade. O item remanufaturado é um produto com garantia de originalidade, procedência e suporte técnico do fabricante.

O conjunto submetido ao processo de recondicionamento, passa por um diagnóstico, onde a peça defeituosa, em linhas gerais, não passa por uma avaliação criteriosa para identificar quais itens necessitariam ser reparados.

Com isso, apenas os componentes apontados como defeituosos são substituídos por outros. Que podem ser de procedência duvidosa, ou não, caracterizando falhas na linha de suporte ao cliente, deixando dúvidas e incertezas quanto à confiabilidade.

REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 5462. Rio de Janeiro, 1994.
BERTAGLIA, Paulo Roberto. Logística e gerenciamento da cadeia de abastecimento. 2. ed. Editora Saraiva, 2009.
BOWERSOX, D; GLOSS, D. Logística Empresarial – O Processo de Integração a Cadeia de Suprimento.1 Ed. Atlas: São Paulo, 2001.
CERVO, Amado L. et al. Metodologia Científica. 6. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. 162 p.
CHRISTOPHER, M. Logística e gerenciamento da cadeia de suprimentos: Estratégias para redução de custos e melhoria dos serviços. Trad. Francisco Roque Monteiro Leite. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2002.
DE CAMPOS, Fernando Celso; BELHOT, Renato Vairo. Gestão de manutenção de frotas de veículos: uma revisão. Gestão & Produção, v. 1, n. 2, p. 171-188, 1994.
VIANA, Herbert Ricardo Garcia. Planejamento e controle da manutenção. 1 ed , Rio de Janeiro: Qualitymark, 2002.
HRONEC, Steven M. Sinais Vitais; usando medidas do desempenho da qualidade, tempo e custo para traçar a rota para o futuro de sua empresa. São Paulo: Makron Books do Brasil Editora Ltda, 1994. 240p.
KAPLAN, Robert S.; NORTON, David P. A Estratégia em Ação; Balanced Scorecard. 7.ed. Rio de Janeiro: Campus, 1997. 344p.
Consulta: http://www.marfconversores.com.br/pecas-remanufaturadas-ou-recondicionadas-qual-a-diferenca/

Paulo Roberto Poydo – Tecnólogo em Petróleo e Gás pela Universidade Estácio de Sá (2004), Especialista em Engenharia de Manutenção pela Escola Politécnica da UFRJ. Especialização em Logística Empresarial, pela UCAM / IAVM, 2011. MBA em Gestão e Inovação na Administração Pública, 2013, UERJ – ALERJ. Ex-professor auxiliar I e Coordenador de Curso de Graduação da Universidade Estácio de Sá com forte atuação nas áreas das Engenharias (Bacharelado) e na Graduação Tecnológica, contribuindo nas disciplinas da área de produção e controle, segurança operacional de máquinas e equipamentos industriais, gestão de materiais, segurança ambiental, gestão da manutenção industrial, gestão de frotas e logística.
Ampla experiência profissional na área de Serviços e Administração da Produção, com ênfase em Manutenção de ativos de produção, gestão de frotas e máquinas térmicas.
Servidor Público Estadual com 35 anos de experiência em Planejamento e Gestão de Frotas, Licitações e Contratos, Gerenciamento de Compras e Suprimentos.
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