A eletrificação de frotas e o uso crescente de inteligência artificial devem liderar a transformação do setor automotivo e de abastecimento em 2026, segundo análise de Nelson Margarido, diretor operacional da Korth. A combinação dessas tecnologias cria novos modelos de eficiência, reduz custos e inaugura uma gestão energética mais complexa e estratégica.
A eletrificação já deixou de ser tendência para se tornar realidade no Brasil. Grandes distribuidoras de bebidas, empresas de logística e operadores urbanos vêm ampliando o uso de veículos elétricos e híbridos plug-in, movimento que deve se intensificar em 2026 com a queda dos custos de aquisição e a maior oferta de modelos.
Dados da International Energy Agency (IEA) mostram que as vendas globais de veículos elétricos ultrapassaram 17 milhões de unidades em 2024, alta de 25% em relação ao ano anterior. No Brasil, projeções da ANFAVEA indicam crescimento contínuo da participação de elétricos e híbridos no mercado interno, enquanto estudos acadêmicos estimam que o país poderá atingir 360 mil veículos elétricos em circulação até 2026.
Para Margarido, esse avanço cria uma nova camada de gestão para empresas que operam frotas: o controle da energia elétrica passa a ser tão importante quanto o controle do combustível. Isso inclui rastreabilidade, auditoria, integração de sistemas e até a possibilidade de monetização do kWh em estruturas de carregamento.
Empresas que investem em cogeração de energia já percebem vantagens competitivas, com custo de kWh mais baixo e previsível. Além disso, oferecer carregamento como benefício trabalhista pode se tornar um diferencial, já que o veículo pode permanecer conectado durante o expediente.
A tecnologia para esse tipo de gestão já está disponível. Hoje, é possível monitorar em tempo real a carga entregue por cada carregador, por veículo, permitindo controle preciso de consumo, custos e eficiência.
No campo da inteligência artificial, Margarido destaca que 2026 será o ano em que a IA deixará de ser apoio e se tornará diferencial operacional. A tecnologia já é capaz de:
- auxiliar na tomada de decisão;
- identificar manutenções necessárias;
- orientar operadores sobre falhas;
- oferecer suporte 24 horas por dia, 7 dias por semana.
Embora não substitua o manutentor, a IA acelera processos e reduz o tempo de resposta em operações críticas de abastecimento e logística.
Para 2026, o executivo reforça que sairão na frente as empresas que prepararem hardware e software para uma gestão integrada de frotas — seja por combustível, seja por eletricidade. A gestão de carregamento, por exemplo, pode ser aplicada em hotéis, empresas e estacionamentos, permitindo visualizar consumo em tempo real e até transformar energia em receita.
A convergência entre eletrificação e IA cria um novo ecossistema automotivo, no qual eficiência energética, conectividade e automação passam a ser pilares centrais. Para Margarido, o setor vive um momento decisivo: quem se adaptar agora estará pronto para liderar a próxima década da mobilidade.
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Híbrido plug-in (PHEV)
Veículo que combina motor a combustão e motor elétrico, podendo ser recarregado na tomada. Oferece autonomia elétrica maior e reduz consumo de combustível.
Gestão energética de frotas
Processo que monitora e controla o uso de energia — elétrica ou combustível — em veículos corporativos, permitindo otimização de custos e planejamento de carregamento.
IA operacional
Aplicação de inteligência artificial para prever falhas, orientar operadores, automatizar rotinas e melhorar a eficiência de abastecimento e manutenção.
