A Fiat Strada manteve a liderança pelo quinto ano consecutivo, com 142.834 unidades, mas registrou queda inédita de -1,3%. O Volkswagen Polo liderou entre os automóveis, embora tenha recuado -12,5%. O Fiat Argo foi o destaque positivo, crescendo 12,6% e somando 102.613 emplacamentos. SUVs como T-Cross, Creta e HR-V consolidaram protagonismo, enquanto o Chevrolet Onix despencou -18,1%.
Coluna Via Digital – Por Lucia Camargo Nunes* – O encerramento do ano automotivo de 2025 confirma tendências históricas, mas acende alertas vermelhos para as montadoras gigantes tradicionais.
Pelo quinto ano consecutivo, a Fiat Strada mantém a coroa de veículo mais vendido do Brasil, somando 142.834 emplacamentos. No entanto, a liderança absoluta esconde um sinal de desgaste: pela primeira vez desde 2020, a picape compacta registrou queda nas vendas (recuo de -1,3%), pressionada por uma concorrência que se diversifica.
No segmento de automóveis, a volatilidade foi a regra. O VW Polo, embora sustente a liderança entre os carros de passageiros com 122.613 unidades, sofreu uma retração severa de -12,5%, perdendo fôlego diante de rivais mais baratos e da migração do consumidor para os SUVs, incluindo seu “irmão” Tera.
Na contramão, o Fiat Argo desponta como o grande vencedor do ano. Único modelo do top 5 com alta expressiva, o hatch cresceu 12,6% (102.613 unidades), impulsionado por uma combinação certeira: a renovação da linha, posicionamento agressivo de preços e os incentivos fiscais do Programa Carro Sustentável.
Top 10 dos mais vendidos de janeiro a dezembro de 2025
| Modelo | Unidades |
| 1º Fiat Strada | 142.834 |
| 2º Volkswagen Polo | 122.613 |
| 3º Fiat Argo | 102.613 |
| 4º Volkswagen T-Cross | 92.789 |
| 5º Hyundai HB20 | 85.003 |
| 6º Chevrolet Onix | 79.856 |
| 7º Hyundai Creta | 76.121 |
| 8º Fiat Mobi | 73.004 |
| 9º Volkswagen Saveiro | 67.731 |
| 10º Honda HR-V | 61.221 |
Fonte: Fenabrave
A crise dos ex-líderes e a força dos SUVs
Enquanto a Fiat celebra, a GM vive seu momento mais delicado desde a década de 1990. O Chevrolet Onix, outrora imbatível, despencou -18,1% em 2025, a maior queda do ranking. A perda de competitividade em preços, que hoje superam rivais em até R$ 15 mil, somada a uma percepção de estagnação em equipamentos, fez o modelo lutar apenas pela relevância, enquanto o Tracker sequer figurou entre os dez mais vendidos. O Hyundai HB20 acompanhou a tendência de queda dos hatches tradicionais, recuando -12,4%, embora a marca coreana compense as perdas com o sucesso retumbante do Creta.
No território dos SUVs, a Volkswagen consolidou o T-Cross como best-seller absoluto pelo terceiro ano, com crescimento sólido de 10,5%. O segmento, contudo, está longe de ser um monólogo. O Hyundai Creta avança consistentemente no varejo, e o Honda HR-V surpreendeu com uma alta de 21,5%, provando que o reposicionamento do modelo como um produto premium e de dirigibilidade superior foi uma estratégia acertada, atraindo consumidores dispostos a pagar entre R$ 160 mil e R$ 180 mil.
O impacto do Mover e a nova ordem das montadoras
O cenário de 2025 foi moldado pelo Programa Mover. Ao reduzir o IPI para veículos mais eficientes, o sucessor do Rota 2030 foi o balão de oxigênio para os hatches de entrada. Cinco dos dez carros mais vendidos – incluindo o resiliente Fiat Mobi – foram beneficiados diretamente. Sem esses incentivos, estima-se que os preços dessa categoria subiriam até 20%, inviabilizando o acesso ao carro zero para milhares de brasileiros. O programa também acelerou a eletrificação: GWM Haval H6 e os BYD Dolphin Mini e Song figuram no top 30, sinalizando que a transição energética deixou de ser nicho para virar volume.
No balanço das montadoras, a Fiat exibe uma dominância notável, detendo três modelos no top 10 e respondendo por 25% de todo o mercado nacional. A Volkswagen recuperou o protagonismo com uma estratégia diversificada, emplacando Polo, T-Cross e Saveiro entre os líderes.
Chineses não são marolinha
Por fim, a “onda chinesa” deixa de ser promessa para virar realidade estatística. Ainda que nenhum modelo asiático (além dos produzidos por montadoras tradicionais) tenha entrado no top 10, a soma de vendas da BYD, ultrapassando a barreira histórica de 100 mil unidades, e a presença maciça de modelos como o Haval H6 e o Song no top 30, indicam que o ranking de 2026 poderá ter uma configuração inédita.
Com sedãs tradicionais como o Corolla perdendo espaço por questões pontuais de produção e o Civic virando coadjuvante, o mercado brasileiro se consolida cada vez mais como uma arena de SUVs, picapes e, agora, eletrificados acessíveis.
*Lucia Camargo Nunes é economista e jornalista especializada no setor automotivo, editora do portal www.viadigital.com.br e do canal @viadigitalmotors no YouTube. Acesse: linktr.ee/viadigitalmotors E-mail: [email protected]
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Emplacamento – Registro oficial de vendas de veículos novos no Brasil, usado como indicador de mercado.
SUV (Sport Utility Vehicle) – Veículo utilitário esportivo, com maior altura, espaço interno e versatilidade, hoje líder de preferência.
IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) – Tributo federal que incide sobre veículos. Programas como o Mover reduzem sua alíquota para modelos mais eficientes.
