O Instituto Combustível Legal (ICL) identificou que 28% das amostras de gasolina, etanol e diesel coletadas em 2025 estavam irregulares. Foram 3.210 amostras analisadas em 14 estados, com 888 não conformes. As fraudes mais comuns envolvem bombas adulteradas, baixa qualidade dos combustíveis e excesso de etanol na gasolina. Casos graves de adulteração com metanol também foram registrados, colocando em risco não apenas os motores, mas também a saúde dos consumidores.
O método de fiscalização chamado “cliente misterioso” consiste em veículos que coletam combustível de forma anônima em postos, posteriormente analisado em laboratório. A iniciativa permite criar mapas de calor das regiões com maior incidência de irregularidades.
A fraude volumétrica foi a mais frequente, com 324 casos, seguida por baixa qualidade de gasolina e etanol (227), alto teor de etanol na gasolina (226), baixo teor de biodiesel (93) e adulteração com metanol (4).
Segundo Carlo Faccio, diretor executivo do ICL, a fraude volumétrica é aplicada diretamente na bomba, onde os números exibidos não correspondem ao volume real abastecido. Em alguns casos, a diferença chegou a 31%. Os equipamentos usados são conhecidos como “bombas chipadas” ou “bombas burras”, e 52% dos registros ocorreram no Paraná.
O excesso de etanol na gasolina, acima do limite de 30%, foi amplamente identificado no Sudeste. Já o baixo teor de biodiesel no diesel prejudica tanto o consumidor quanto o meio ambiente.
A situação mais grave envolve o uso de metanol, produto altamente tóxico e corrosivo. Em São Paulo, foram identificados combustíveis clandestinos com até 95% de metanol, causando hospitalizações e mortes quando também adulteraram bebidas alcoólicas.
Os municípios com maior incidência de adulteração incluem São Paulo, Campinas, Osasco, Santo André, São Bernardo do Campo, Rio de Janeiro, Duque de Caxias, Curitiba, Goiânia e Salvador, entre outros.
A Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, revelou o envolvimento do crime organizado na adulteração e distribuição de combustíveis em oito estados. Facções chegaram a adquirir usinas e distribuidoras para facilitar os golpes.
A Agência Nacional do Petróleo e Gás Natural (ANP) alerta que o motorista pode identificar fraudes por sinais como aumento de consumo, perda de potência e falhas no funcionamento do veículo. Além disso, recomenda desconfiar de postos que vendem combustíveis por valores muito abaixo da média.
O mapa de calor elaborado pelo ICL mostra as chamadas “zonas de risco”, onde há maior probabilidade de adulteração. Isso reforça a necessidade de atenção redobrada por parte dos consumidores.
No mercado, o impacto é significativo: além de prejuízos mecânicos, o combustível adulterado compromete a confiança do consumidor e aumenta os custos de manutenção. Concorrentes diretos dos postos regulares sofrem com a concorrência desleal, enquanto o crime organizado amplia sua rede de atuação.
A análise mostra que, embora a fiscalização tenha avançado, o problema continua grave e exige maior integração entre órgãos públicos e entidades privadas. Para o motorista, a recomendação é simples: abastecer apenas em postos confiáveis e ficar atento a sinais de irregularidade.
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Fraude volumétrica: golpe aplicado na bomba de combustível, onde o painel indica mais litros do que realmente foram abastecidos.
Metanol: álcool tóxico e corrosivo usado ilegalmente na adulteração de combustíveis, capaz de causar danos graves à saúde e ao motor.
Bomba chipada: equipamento adulterado eletronicamente para fraudar o volume de combustível entregue ao consumidor.
