O Autopilot da Tesla passa a se chamar Traffic Aware Cruise Control e o Full Self-Driving vira Full Self-Driving (Supervised). A mudança foi exigida pelo Departamento de Veículos Motorizados da Califórnia para evitar suspensão de licenças da marca. A decisão reforça a necessidade de precisão na comunicação sobre tecnologias de condução autônoma.
O uso do termo Autopilot pela Tesla para descrever seu conjunto de sistemas avançados de assistência ao motorista foi considerado inadequado desde sua introdução em 2015. Embora o nome sugerisse condução autônoma, o recurso funcionava mais como um controle de cruzeiro adaptativo com funções adicionais, sem capacidade de operar o veículo sem intervenção humana.
Em 2021, o Departamento de Veículos Motorizados da Califórnia (DMV) abriu investigação sobre a nomenclatura e a publicidade da Tesla, incluindo o termo Full Self-Driving, que prometia viagens sem ação do motorista. Após audiências em julho de 2025, um juiz administrativo determinou que a empresa deveria alterar os nomes para evitar suspensão de suas licenças de fabricante e concessionária por 30 dias.
Com isso, o Autopilot passa a se chamar Traffic Aware Cruise Control, enquanto o Full Self-Driving foi renomeado para Full Self-Driving (Supervised). A adição do termo “Supervised” reforça que o sistema exige monitoramento constante do condutor.
Apesar da mudança, o CEO Elon Musk continua a divulgar mensagens que exageram as capacidades dos sistemas, republicando comparações com veículos fictícios como o KITT da série Knight Rider. Autoridades alertam que os carros da Tesla não são autônomos e que a comunicação da marca precisa refletir essa realidade.
Até o momento, não existem veículos de Nível 5 disponíveis ao público, ou seja, totalmente autônomos. O mais próximo foi o sistema Drive Pilot da Mercedes-Benz, classificado como Nível 3, permitindo que o motorista desvie o olhar em determinadas situações. Startups como a Waymo oferecem táxis autônomos em cidades como São Francisco, mas com operação restrita por geolocalização e forte regulamentação.
A Tesla segue investindo em autonomia, mas enfrenta barreiras regulatórias e críticas sobre a forma como apresenta suas tecnologias. Concorrentes como Rivian já anunciaram planos para sistemas de Nível 4, capazes de conduzir em diversas condições sem intervenção, mas ainda mantendo controles manuais.
O caso da Tesla evidencia a importância da transparência na comunicação de recursos de assistência à condução, especialmente em um mercado que caminha para sistemas cada vez mais sofisticados, mas ainda longe da autonomia plena.
Mecânica Online® – Mecânica do jeito que você entende.
- Controle de cruzeiro adaptativo: sistema que ajusta automaticamente a velocidade do veículo para manter distância segura do carro à frente.
- Nível 3 de autonomia: classificação em que o veículo pode assumir a condução em certas condições, mas exige que o motorista esteja pronto para retomar o controle.
- Nível 5 de autonomia: estágio máximo, em que o veículo opera sem volante ou pedais, totalmente autônomo em qualquer situação.
