O Dieselgate ainda gera repercussões legais em 2026. A Volkswagen e outras montadoras são processadas criminalmente na França por fraude em emissões. O julgamento deve começar apenas em 2027, com risco de multas de até 10% da receita anual e proibição de atividades comerciais.
Mais de dez anos após o início do Dieselgate, a Volkswagen continua enfrentando consequências jurídicas. Em janeiro de 2026, uma ordem judicial de instrução foi emitida em Paris por fraude em produto que representa risco à saúde humana e animal.
A audiência está marcada para 18 de dezembro de 2026, o que significa que o julgamento deve começar apenas em 2027.
A VW foi indiciada em 2021 por equipar motores TDI com dispositivos capazes de detectar testes de emissões e alterar o desempenho para atender às regulamentações.
As penalidades podem chegar a 750.000 euros (cerca de US$ 883.000), além da possibilidade de multa de até 10% da receita bruta anual da empresa.
Os tribunais franceses também podem impor proibição de atividades comerciais como forma de indenização aos consumidores.
Além da Volkswagen, Peugeot-Citroën, Renault e Fiat Chrysler também estão sob investigação criminal neste caso.
Apesar de ter admitido culpa à EPA em 2015, a VW contesta as acusações na França desde 2023, alegando que os consumidores franceses não sofreram danos indenizáveis.
O processo francês ocorre em paralelo a outros desdobramentos internacionais. Em 2025, a Mercedes-Benz resolveu um caso nos EUA com acordo de US$ 350 milhões.
No Reino Unido, sete fabricantes enfrentaram acusações de fraude em motores a diesel no ano passado.
Nos EUA, o Departamento de Justiça anunciou em 2026 que não buscará mais acusações criminais contra empresas que violaram a Lei do Ar Limpo, limitando-se a penalidades civis.
Essa decisão contrasta com casos como o da Cummins, que em 2023 fechou acordo de US$ 1,7 bilhão por irregularidades em motores de caminhonetes Ram HD.
O Dieselgate começou em 2013, quando pesquisadores nos EUA identificaram discrepâncias entre as emissões reais dos veículos da VW e os resultados obtidos em testes controlados.
A EPA foi notificada em 2014, dando início ao maior escândalo de emissões da história da indústria automotiva.
Desde então, diversas montadoras foram alvo de críticas e processos, e o episódio segue como marco negativo para os motores a diesel, mesmo em um momento em que algumas empresas, como a Stellantis, voltam a oferecer versões a diesel em determinados modelos.
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Dispositivo de derrota (defeat device): Software ou componente instalado em motores que altera o funcionamento durante testes de emissões, mascarando os resultados.
NOx (óxidos de nitrogênio): Poluentes gerados pela combustão em motores a diesel, associados a problemas respiratórios e ambientais.
Market share: Participação de mercado de uma empresa ou produto em determinado setor, indicador usado para medir competitividade e relevância comercial.

