Embora airbags, cintos de segurança e zonas de deformação sejam lembrados como marcos da segurança automotiva, o para-brisa inquebrável é uma tecnologia que existe há 123 anos e continua protegendo motoristas e passageiros. Sua invenção, fruto de um acidente em laboratório, mudou para sempre a forma como os veículos enfrentam colisões e impactos.
O primeiro automóvel, o Benz Patent-Motorwagen, de 1885, sequer possuía para-brisa. Somente em 1904, o Oldsmobile Curved Dash ofereceu o item como opcional. Curiosamente, o vidro laminado já havia sido descoberto em 1903 pelo químico francês Édouard Benedictus, antes mesmo de os carros de produção adotarem para-brisas.
O acidente que levou à invenção ocorreu quando Benedictus deixou cair um béquer revestido com nitrato de celulose. O vidro quebrou, mas manteve sua forma, sem se estilhaçar em fragmentos perigosos. Essa descoberta levou à criação da Société du Verre Triplex, que passou a produzir compósitos de vidro e plástico para automóveis.
Durante a Primeira Guerra Mundial, o vidro laminado ganhou relevância ao ser usado em máscaras de gás e aviões. Após o conflito, montadoras como a Ford passaram a adotar o material em seus veículos, especialmente depois de acidentes envolvendo para-brisas comuns.
A legislação também teve papel fundamental. Em 1930, o Parlamento britânico exigiu que todos os carros novos utilizassem vidro de segurança. Nos Estados Unidos, a obrigatoriedade só veio em 1970, com a criação da NHTSA (Administração Nacional de Segurança Rodoviária).
O vidro laminado é formado por duas ou mais camadas de vidro unidas por polímeros. Quando atingido, ele apresenta rachaduras em forma de teia, mas mantém a estrutura intacta, evitando que os ocupantes sejam arremessados para fora do veículo.
Segundo a NHTSA, estima-se que a colagem adesiva de para-brisas tenha salvado 9.853 vidas entre 1960 e 2012 nos Estados Unidos. Apesar de dificultar o trabalho de socorristas em alguns casos, o benefício em termos de proteção é indiscutível.
Hoje, a tecnologia permanece praticamente a mesma, embora os compostos poliméricos e os processos de fabricação tenham evoluído. Seja em um Toyota Camry ou em um Honda Civic, o princípio é idêntico ao descoberto por Benedictus há mais de um século.
Além de proteger em colisões, o vidro laminado evita que pequenas pedras ou objetos soltos causem acidentes graves. Uma rachadura pode incomodar, mas o para-brisa continua íntegro, garantindo segurança.
A história do vidro laminado mostra como uma invenção simples pode ter impacto duradouro. Mais do que um item de conforto, o para-brisa é um componente vital da segurança automotiva.
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Vidro laminado: composto por camadas de vidro e polímero, mantém a estrutura intacta mesmo após impactos.
Vidro temperado: tratado quimicamente ou termicamente, quebra em pequenos pedaços menos cortantes, mas não mantém a proteção frontal.
NHTSA (National Highway Traffic Safety Administration): agência norte-americana criada em 1970 para regulamentar e fiscalizar padrões de segurança automotiva.
