A Tesla divulgou ontem (28) os resultados do quarto trimestre de 2025, com queda de 61% no lucro e retração nas vendas globais. O anúncio veio acompanhado de uma decisão estratégica: os modelos S e X, ícones da marca, serão descontinuados no segundo trimestre de 2026. A medida reforça a transição da empresa para um futuro autônomo e abre espaço para a produção dos robôs Optimus.
O movimento contrasta com a expansão acelerada da BYD, que superou a Tesla em vendas globais de veículos elétricos no ano passado. A marca chinesa consolidou-se como líder mundial, impulsionada por eficiência industrial, custos menores e adaptação aos mercados locais.
No Brasil, a presença das montadoras chinesas cresce rapidamente. Hoje, 1 em cada 10 carros novos vendidos no país já é de origem chinesa, reflexo de preços competitivos, forte integração tecnológica e estratégia agressiva de expansão.
Segundo Leandro Guissoni, professor da FGV e cofundador da Decomposer, essa movimentação revela uma transformação estrutural na indústria automotiva. “A Tesla abriu o caminho para os elétricos, mas as montadoras chinesas aprenderam a competir com mais eficiência industrial, custos menores e maior adaptação aos mercados locais”, afirma.
O especialista destaca que o modelo de negócios das chinesas, baseado em verticalização e integração tecnológica, é determinante para sua ascensão. Isso garante maior controle da cadeia de suprimentos e capacidade de oferecer produtos mais acessíveis e conectados.
Para o consumidor, a disputa entre Tesla e BYD significa mais opções de veículos elétricos com preços variados e tecnologias diferenciadas. Enquanto a Tesla aposta em autonomia e robotáxis, as chinesas focam em escala e acessibilidade.
O anúncio de Elon Musk sobre o fim dos programas Model S e Model X marca o encerramento de uma era. Lançados em 2013 e 2015, respectivamente, os dois modelos foram pioneiros em sistemas avançados de assistência ao motorista e mostraram que veículos elétricos podiam competir com superesportivos.
Versões como Ludicrous e Plaid revolucionaram o mercado, colocando SUVs e sedãs elétricos em patamar de desempenho comparável a hipercarros milionários. O legado dos modelos permanece como referência na evolução da eletrificação.
A fábrica da Tesla em Fremont, na Califórnia, será reaproveitada para produzir os robôs Optimus, com meta de longo prazo de alcançar 1 milhão de unidades por ano. Musk reforçou que a prioridade da empresa é investir em autonomia e inteligência artificial.
No curto prazo, a Tesla terá apenas três veículos em seu portfólio: Model 3, Model Y e Cybertruck. A aguardada segunda geração do Roadster e os projetos de robotáxis ainda não têm cronograma definido.
A decisão de encerrar os modelos S e X reflete a estratégia de Musk em direcionar recursos para novas frentes de inovação, mesmo que isso represente abrir mão de ícones da marca.
O futuro da Tesla dependerá da capacidade de transformar sua visão de mobilidade autônoma em realidade, enquanto enfrenta concorrência cada vez mais forte das montadoras chinesas.
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Verticalização: Estratégia em que a empresa controla diferentes etapas da produção, reduzindo custos e aumentando eficiência.
Robotáxi: Veículo autônomo destinado a serviços de transporte urbano, sem necessidade de motorista humano.
Redundância: Duplicação de sistemas críticos para garantir operação segura, conceito aplicado em veículos autônomos.
