Fabricantes orientais registram crescimento expressivo nos emplacamentos de automóveis de passeio em maio de 2026, neutralizando o recuo das marcas tradicionais e transformando a distribuição do faturamento do setor.
Por Lucia Camargo Nunes* – O mercado brasileiro de veículos leves encerrou maio com resultado expressivo com pouco mais de 263 mil unidades emplacadas, conforme levantamento da K.Lume Consultoria, alta de cerca de 11% sobre abril e de mais de 22% frente a maio de 2025. No acumulado do ano, o setor supera 1,09 milhão de unidades, avanço de 17,8% sobre o mesmo período do ano anterior.
A segunda quinzena concentrou 58,8% dos negócios, impulsionada pelo anúncio do Programa Move Brasil para táxis e aplicativos, que aqueceu as vendas diretas a frotistas. No acumulado do ano, o crescimento chega a 17,8%. A K.Lume projeta revisão para cima na previsão anual, podendo alcançar entre 2,5 e 2,55 milhões de unidades.
Pela análise da Bright Consulting, maio trouxe avanço relevante das marcas chinesas, que chegaram a 18,1% do mercado, um novo recorde. A BYD subiu ao 4º lugar no ranking de market share. Os eletrificados atingiram 19,4% das vendas: um em cada cinco carros comercializados no mês saiu com algum nível de eletrificação. Minas Gerais liderou os emplacamentos com 26,2% de participação, movimento atribuído às vendas para locadoras. Os SUVs chegaram a 41,1% do mix, consolidando trajetória de alta.
Primeira Ferrari elétrica e muitas polêmicas
Apresentada em Roma, a Ferrari Luce é o primeiro automóvel totalmente elétrico da história da marca e talvez o mais polêmico. O liftback de quatro portas e cinco lugares tem quatro motores elétricos, mais de 1.000 cv, bateria de 122 kWh e autonomia acima de 530 km.
O design assinado pelo coletivo LoveFrom, de Jony Ive, gerou reação negativa nas redes – as comparações com minivan e torradeira de luxo se multiplicaram. No dia seguinte ao lançamento, as ações da Ferrari caíram 8,4% em Milão. O timing da marca foi questionado: a marca estreia no elétrico quando Porsche e Lamborghini recuam.
O grande acerto ficou para o interior: a Luce traz botões físicos, mostradores analógicos e tecnologia E Ink na chave, numa escolha que vai na contramão de toda a indústria.
Tiggo 7 e Tiggo 8 ganham super plataforma
A Caoa Chery chegou a junho com dois lançamentos simultâneos: os novos Tiggo 7 Pro PHEV 2027 e Tiggo 8 Pro PHEV 2027. Equipados com a plataforma CCSH (Caoa Chery Super Hybrid), combinam motor 1.5 turbo com dois motores elétricos, transmissão DHT, bateria de 18,4 kWh e carregamento rápido DC – de 30% a 80% em cerca de 20 minutos. A potência combinada é de 279 cv.
Ambos chegam em versão única topo de linha, com head-up display, câmera 540° e teto solar. O Tiggo 7 Pro PHEV sai por R$ 189.990 e o Tiggo 8 Pro PHEV a R$ 229.990.
Toro estreia versões híbridas e Adas
A Fiat Toro chega à linha 2027 como a primeira picape híbrida-leve fabricada no Brasil. A tecnologia MHEV de 48V, desenvolvida pela Stellantis, equipa as versões Volcano (R$ 197.490) e Ultra (R$ 206.490) – ambas com motor Turbo 270 Flex – e promete redução de até 12% no consumo de combustível e 11% nas emissões de CO2, além de torque elétrico adicional de 65 Nm para respostas mais ágeis na aceleração.
Todas as versões passam a ter Adas de série – alerta de colisão com frenagem automática, alerta de mudança de faixa e comutador de farol alto automático. Ultra e Ranch ganham sensor de ponto cego e alerta de tráfego cruzado. O DRL em formato de pixels, novidade do ano passado, agora incorpora seta sequencial.
Primeiro SUV elétrico da GWM está em pré-venda
A GWM Brasil abriu as reservas antecipadas do Ora 5, primeiro SUV elétrico da família Ora, que já conta com o hatch Ora 03. As reservas podem ser feitas no site da marca, no Mercado Livre ou nas concessionárias, com depósito de R$ 9 mil. O preço oficial será divulgado em 29 de junho.
Com 4,47 metros de comprimento e entre-eixos de 2,72 metros, o SUV acomoda cinco ocupantes e traz central multimídia de 14,6”, cluster de 10,25”, comando de voz com IA, tecnologia OTA e pacote Adas 2+. Há ainda função V2L para alimentar equipamentos externos e teto solar panorâmico com cortina integrada.
*Lucia Camargo Nunes é economista e jornalista especializada no setor automotivo, editora do Via Digital e do canal @viadigitalmotors no YouTube. Acesse: linktr.ee/viadigitalmotors E-mail: [email protected]
• Motorização: Motores elétricos síncronos de ímã permanente, propulsores híbridos plug-in e motores térmicos flex.
• Potência: Ampla faixa de calibração, variando de 55 kW (75 cv) nos compactos a mais de 150 kW (204 cv) nos SUVs premium.
• Torque: Entrega instantânea de até 250 Nm nos modelos puramente eletrificados de entrada e curvas lineares nos turbocompressores.
• Transmissão: Caixas automáticas de dupla embreagem, transmissões automáticas de seis marchas e caixas do tipo e-CVT.
• Suspensão: Sistemas independentes do tipo McPherson na dianteira e arranjos de eixo de torção ou multilink na traseira.
• Consumo: Otimizado pela presença de sistemas de injeção direta de combustível e estratégias de gerenciamento térmico.
• Autonomia: Modelos BEV superam 280 quilômetros em ciclo urbano real e híbridos ultrapassam 800 quilômetros combinados.
• Tecnologias embarcadas: Telas multimídias integradas, pacotes de segurança ativa ADAS e sistemas de frenagem regenerativa.
• Dimensões: Plataformas modulares compactas com entre-eixos variando entre 2,50 metros e 2,70 metros de comprimento.
• Preços e versões: Portfólio abrangente com opções tabeladas desde R$ 115.000 nas configurações de entrada até modelos premium.
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Veículo Elétrico a Bateria (BEV) – Arquitetura de engenharia automobilística que utiliza exclusivamente a energia química armazenada em um pacote de baterias de alta tensão para alimentar um motor elétrico, apresentando emissão zero de gases poluentes pelo escapamento.
Vendas Diretas – Modalidade de comercialização automotiva na qual o faturamento do veículo novo ocorre diretamente entre a montadora fabricante e o cliente final corporativo (frotistas ou locadoras), utilizando a concessionária apenas para entrega técnica.
Frenagem Regenerativa – Sistema tecnológico que converte a energia cinética gerada durante a desaceleração do veículo em energia elétrica, utilizando o motor de tração como gerador para realimentar o pacote de baterias e estender a autonomia.

