Apesar do aumento da concorrência, a Mercedes-Benz do Brasil avalia que a complexidade logística e a necessidade de suporte nacional limitarão a sustentabilidade de novos players no setor nos próximos cinco anos.
O mercado brasileiro de caminhões e ônibus atravessa um período de intensificação competitiva com a chegada de fabricantes chinesas, mas o cenário tende a um movimento de concentração em vez de fragmentação. A avaliação é de Jefferson Ferrarez, vice-presidente de vendas e marketing de caminhões da Mercedes-Benz do Brasil. Para a montadora, o sucesso no país exige escala, presença nacional consolidada e suporte técnico em regiões distantes dos grandes eixos.
A rede de concessionárias da marca, com 180 pontos de atendimento espalhados por todos os estados, é apontada como o principal ativo competitivo. Em segmentos como o de semipesados, onde a operação de transporte é pulverizada e exige suporte constante, a ausência de capilaridade torna a entrada de novos competidores um desafio de custo elevado e longo prazo. “O Brasil tem vários ‘Brasis’. Não dá para atuar com visão limitada ou regionalizada”, reforça o executivo.
A estratégia da Mercedes-Benz para enfrentar a pressão sobre preços e margens não é entrar em uma guerra tarifária, mas sim focar no Custo Total de Operação (TCO). Em ciclos econômicos estáveis, frotistas profissionais priorizam a disponibilidade do veículo e a eficiência dos planos de manutenção sobre o valor inicial de aquisição. O portfólio de serviços, que inclui conectividade avançada e gestão de peças, é o diferencial para garantir a fidelidade do cliente.
Sobre a eletrificação, a montadora adota uma postura de cautela estratégica. A empresa condiciona a expansão desse portfólio à viabilidade econômica das aplicações e à infraestrutura disponível. A rota tecnológica para o Brasil permanece diversificada, privilegiando o uso de biocombustíveis, além da digitalização como meio para elevar a produtividade por meio de gestão de dados e inteligência artificial.
O embate futuro, segundo a montadora, será travado no campo da digitalização. A capacidade de fornecer ao cliente dados precisos para a tomada de decisão operacional torna-se tão relevante quanto a qualidade mecânica do chassi. A Mercedes vê a conectividade como um instrumento direto de produtividade, essencial para que o transportador minimize paradas inesperadas e maximize sua rentabilidade.
A montadora conclui que, embora novos entrantes tragam inovações tecnológicas, a necessidade de montar uma estrutura de pós-venda nacional robusta — capaz de atender desde o extrapesado rodoviário até o semipesado regional — impõe um ritmo de expansão que favorece os grupos já estabelecidos, que possuem financiamento e logística de peças maduros.
“O mercado brasileiro de pesados é impiedoso com quem subestima a logística de pós-venda. Não basta entregar um caminhão com tecnologia de ponta se, em uma operação de pinga-pinga no interior do país, o frotista não encontrar a peça necessária em poucas horas. A Mercedes-Benz reafirma que a infraestrutura física de atendimento é a verdadeira barreira de entrada, e que a briga de preços, embora atraente no curto prazo, não sustenta o TCO em operações de alta severidade”, analisa o Editor do Mecânica Online®, Tarcisio Dias.
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• Perspectiva de mercado: Concentração entre players consolidados.
• Diferencial estratégico: Rede com 180 pontos e capilaridade nacional.
• Foco do produto: TCO (Custo Total de Operação) em vez de preço de tabela.
• Rota tecnológica: Eletrificação cautelosa e foco em biocombustíveis.
• Digitalização: IA e conectividade como eixos de produtividade.
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TCO (Total Cost of Ownership) – Métrica que calcula todos os custos envolvidos na posse e operação de um veículo ao longo de sua vida útil, incluindo combustível, manutenção, depreciação e seguros.
Capilaridade – Capacidade de uma empresa de manter pontos de atendimento e suporte técnico espalhados por uma grande área geográfica, fundamental para garantir a disponibilidade de veículos pesados.
Eixo de Conectividade – Uso de telemetria e sensores para monitorar a saúde do caminhão remotamente, permitindo manutenções preditivas e otimização de rotas em tempo real.

