Triplicar a proporção de material reciclado em uma peça estrutural do carro, sem comprometer resistência ou segurança, é o tipo de meta que soa fácil no papel e é bem difícil na prática. A Mercedes-Benz decidiu assumir esse desafio de forma pioneira na Europa, elevando de 25% para 75% a quantidade de sucata pós-consumo no alumínio usado em sua próxima geração de elétricos de grande porte. Por trás desse salto está uma parceria que já dura mais de três anos e que agora avança para uma frente ainda mais ambiciosa: reduzir a pegada de carbono também do alumínio que nunca foi reciclado.
A Mercedes-Benz e a Hydro estão expandindo parceria para descarbonizar a cadeia de alumínio na Europa, apoiando esforços para reduzir emissões e, ao mesmo tempo, fortalecer cadeias de suprimentos resilientes.
Como primeiro passo, a Mercedes-Benz se tornará a primeira fabricante de automóveis da Europa a integrar o Hydro CIRCAL à produção em série da próxima geração de veículos elétricos de grande porte.
Esse alumínio reciclado é produzido com pelo menos 75% de sucata pós-consumo, aumento significativo em relação aos cerca de 25% presentes no material atualmente fornecido.
O material é produzido por meio de processos avançados de reciclagem que recuperam alumínio proveniente de veículos em fim de vida útil, edificações e infraestrutura, reinserindo-o em novas aplicações automotivas.
Reduzindo o carbono do alumínio primário
A Mercedes-Benz e a Hydro também exploram novas oportunidades para reduzir a pegada de carbono do alumínio primário em escala industrial — material que ainda não passou por reciclagem.
No centro dessa colaboração está o desenvolvimento de alumínio primário com menor impacto ambiental, incluindo o fornecimento de volumes adicionais de Hydro REDUXA para a Mercedes-Benz, além de compromisso conjunto para diminuir progressivamente a pegada de carbono desse material.
Como solução complementar, o Hydro CIRCAL mantém o alumínio em circulação, contribuindo para atender à demanda crescente, reduzir a necessidade de novas matérias-primas e diminuir o impacto ambiental geral.
A iniciativa demonstra que é possível alcançar altos níveis de conteúdo reciclado pós-consumo sem comprometer requisitos rigorosos de desempenho, qualidade e segurança.
Ao mesmo tempo, coletar e reutilizar alumínio próximo aos locais de produção contribui para cadeias regionais mais curtas e eficientes, além de reforçar a segurança de fornecimento para a indústria automotiva.
Fornecimento responsável em toda a cadeia
O alumínio desempenha papel central na estratégia de materiais da Mercedes-Benz, que trabalha com seus parceiros para descarbonizar toda a cadeia de fornecimento do material.
Os produtos reciclados e de baixo carbono da Hydro são produzidos com energia renovável e elevada proporção de sucata pós-consumo, com total transparência da cadeia de suprimentos, lote por lote.
O histórico da parceria
Em dezembro de 2022, a Mercedes-Benz e a fabricante norueguesa de alumínio Hydro assinaram Carta de Intenções (LoI) para roteiro tecnológico voltado ao alumínio de baixo carbono entre 2023 e 2030.
Em 2024, as empresas ampliaram a colaboração para abranger toda a cadeia de valor do alumínio, da matéria-prima ao produto acabado. Juntas, lançaram o Corridor Program no Brasil, fortalecendo responsabilidade social e diligência em direitos humanos ao longo da cadeia de suprimentos.
Atualmente, a Mercedes-Benz já utiliza alumínio Hydro produzido por eletrólise alimentada por energia renovável (Hydro REDUXA) em componentes selecionados de veículos produzidos em série.
Com pegada de carbono mais de 70% inferior à média global, esse material demonstra o potencial de novas reduções de emissões em aplicações automotivas.
Análise Mecânica Online® com Tarcisio Dias – O salto de 25% para 75% de sucata pós-consumo é o dado técnico mais relevante desse anúncio, porque muda a origem majoritária do material: de alumínio predominantemente novo para predominantemente reciclado, sem perder especificação técnica.
Trabalhar simultaneamente em duas frentes — reciclagem (CIRCAL) e redução de carbono do alumínio primário (REDUXA) — é abordagem mais completa que apostar em uma única solução, já que nem toda demanda de alumínio pode ser suprida apenas por material reciclado disponível no mercado.
A transparência lote por lote da cadeia de suprimentos é detalhe que vai além do discurso ambiental: permite rastrear exatamente a origem do material usado em cada veículo, algo cada vez mais exigido por reguladores e investidores focados em ESG.
Segue um resumo dos principais números dessa parceria:
| Item | Dado |
|---|---|
| Conteúdo reciclado (CIRCAL) | Pelo menos 75% (ante ~25% anterior) |
| Redução de carbono (REDUXA) | Mais de 70% abaixo da média global |
| Início formal da parceria | Dezembro de 2022 |
| Ampliação para toda a cadeia | 2024 |
| Projeto conjunto no Brasil | Corridor Program |
| Aplicação inicial | Próxima geração de elétricos de grande porte |
Se o modelo se mostrar viável em escala industrial, essa combinação de alumínio reciclado e de baixo carbono tende a se tornar referência para outras montadoras que ainda dependem quase exclusivamente de alumínio primário convencional.
Para acompanhar de perto os próximos passos da parceria entre Mercedes-Benz e Hydro, siga @tarcisiomecanicaonline.
Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia
O anúncio: a Mercedes-Benz será a primeira montadora europeia a usar o Hydro CIRCAL em série.
O salto de reciclagem: conteúdo pós-consumo sobe de cerca de 25% para pelo menos 75%.
A segunda frente: redução de carbono também no alumínio primário, via Hydro REDUXA.
O histórico: parceria formalizada em 2022, ampliada para toda a cadeia de valor em 2024.
O projeto no Brasil: o Corridor Program reforça direitos humanos na cadeia de suprimentos.
Mecânica Online® — Mecânica do jeito que você entende
Alumínio primário: alumínio produzido a partir de matéria-prima virgem (bauxita), sem uso de material reciclado.
Sucata pós-consumo: material reciclado proveniente de produtos já usados e descartados, como veículos ou construções em fim de vida útil.
Eletrólise: processo químico usado para extrair alumínio da bauxita, que pode ser alimentado por energia renovável para reduzir emissões.
Pegada de carbono: quantidade total de gases de efeito estufa emitidos na produção de um material ou produto.

