A ausência das tradicionais trocas de marcha é uma das características mais perceptíveis ao dirigir um carro elétrico. Na maioria dos modelos, isso não significa ausência de transmissão: existe uma redução mecânica entre motor e rodas, mas normalmente com relação fixa. A ampla faixa de funcionamento do motor elétrico permite acelerar desde a imobilidade até velocidades rodoviárias sem recorrer a sucessivas relações de marcha.
Quem passa de um automóvel a combustão para um elétrico percebe rapidamente uma mudança na condução. A aceleração ocorre praticamente sem interrupções provocadas por trocas de marcha, enquanto desaparecem as variações de rotação associadas ao funcionamento de uma transmissão convencional.
A explicação está principalmente nas diferenças entre motor elétrico e motor de combustão interna.
Motor a combustão precisa das marchas para permanecer eficiente
Um motor a gasolina ou diesel possui uma faixa de rotações na qual entrega torque e potência adequados para cada condição.
Uma única relação teria dificuldade para conciliar arrancada, aceleração, velocidade máxima e eficiência em velocidade de cruzeiro. A transmissão resolve esse compromisso modificando a relação entre rotação do motor e velocidade das rodas.
Marchas mais baixas multiplicam torque e favorecem a saída. Conforme a velocidade aumenta, relações mais altas permitem reduzir a rotação necessária para manter o automóvel em movimento.
É por isso que transmissões automáticas modernas podem utilizar oito, nove ou até dez marchas.
Motor elétrico trabalha em uma faixa muito mais ampla
O motor elétrico possui características diferentes. Ele consegue entregar elevado torque desde rotações muito baixas e trabalhar em uma faixa de rotações significativamente mais ampla.
Consequentemente, não precisa de diversas marchas para permanecer dentro de uma estreita janela útil de funcionamento.
Em vez disso, os engenheiros podem adotar uma relação de redução fixa. Conforme o carro acelera, aumenta também a rotação do motor elétrico.
Isso explica a sensação de aceleração contínua: não existe a interrupção necessária para selecionar sucessivamente diferentes relações.
Uma marcha não significa motor ligado diretamente às rodas
Chamar o sistema de “marcha única” pode criar uma interpretação errada.
Na maioria dos elétricos existe uma caixa de redução, porque o motor pode girar muito mais rapidamente do que as rodas. As engrenagens reduzem essa rotação e, ao mesmo tempo, multiplicam o torque entregue ao eixo.
Depois aparece outro componente conhecido dos automóveis convencionais: o diferencial, responsável por permitir diferenças de velocidade entre as rodas motrizes durante uma curva.
Assim, de maneira simplificada, o caminho mecânico é: motor elétrico → redução → diferencial → rodas.
A eliminação de múltiplas relações reduz a quantidade de mecanismos necessários para realizar trocas, contribuindo para um conjunto de propulsão mecanicamente mais simples.
Mas existem elétricos com duas marchas
A relação única domina o mercado, mas não constitui uma regra obrigatória da propulsão elétrica.
Engenheiros podem utilizar mais de uma relação quando procuram otimizar características específicas de aceleração, eficiência ou desempenho em velocidades elevadas.
Isso demonstra que o motor elétrico não dispensa tecnicamente um câmbio de múltiplas marchas. Na maioria das aplicações, simplesmente não precisa dele para atender satisfatoriamente a ampla faixa de utilização do automóvel.
Mecânica Online® com Tarcisio Dias – A grande mudança trazida pelo carro elétrico não é simplesmente eliminar o câmbio, mas reduzir drasticamente a necessidade de variar a relação de transmissão.
No motor a combustão, a transmissão funciona como intermediária para manter o propulsor em regiões adequadas de rotação. No elétrico, a ampla faixa operacional e a disponibilidade de torque desde baixas rotações mudam essa necessidade.
Isso também explica por que comparar somente potência entre elétrico e combustão revela pouco sobre a sensação ao volante. A forma e a velocidade com que o torque chega às rodas são igualmente importantes.
E não devemos dizer que o elétrico “não tem transmissão”. Ele normalmente possui engrenagens de redução, diferencial, rolamentos e lubrificação. É um sistema mecanicamente mais simples em relação a um câmbio multirrelações, mas continua existindo mecânica entre motor e rodas.
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Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia
- Uma relação atende grande parte da operação – A ampla faixa de rotações do motor elétrico reduz a necessidade de várias marchas.
- Torque aparece cedo – O motor elétrico consegue produzir torque elevado desde rotações muito baixas.
- Existe redução mecânica – Motor e rodas normalmente não estão conectados diretamente.
- Diferencial continua presente – Ele permite que as rodas motrizes percorram uma curva em velocidades diferentes.
- Trocas deixam de ser necessárias – A aceleração pode ocorrer continuamente sem sucessivas mudanças de relação.
- Há exceções – Alguns projetos elétricos podem empregar mais de uma marcha para objetivos específicos de desempenho ou eficiência.
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Relação de redução – Conjunto de engrenagens que reduz a rotação proveniente do motor e multiplica o torque enviado às rodas.
Torque – Força de rotação produzida pelo motor. Nos elétricos, pode estar disponível em grande quantidade desde rotações muito baixas.
Diferencial – Mecanismo que transmite torque às rodas e permite que elas girem em velocidades diferentes durante uma curva.
Transmissão multirrelações – Sistema com diferentes relações de marcha utilizado para adequar rotação e torque do motor às diferentes velocidades do veículo.
Foco estratégico do título: responder à dúvida de busca “carro elétrico tem câmbio?”, explicando por que uma relação fixa atende à maioria dos veículos elétricos e destacando as diferenças mecânicas em relação aos automóveis a combustão.


