Pandemia e dólar derrubam vendas de carros importados

As quinze marcas filiadas à Abeifa – Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores, com licenciamento de 2.090 unidades, anotaram em março último queda de 21,7% em relação a fevereiro, quando foram vendidas 2.668 unidades importadas.

Ante março de 2019, quando foram comercializadas 2.524 unidades, a retração foi de 17,2%.

Com esses resultados, o primeiro trimestre do ano fechou com queda de 4,4%: 7.165 unidades contra 7.496 emplacamentos de veículos importados.

“Com a valorização da moeda norte-americana de 30,7%, somente no período de 2 de janeiro de 2020 ao dia de ontem, o setor de veículos importados esforçou-se ao máximo em manter os preços mais estáveis em reais. Por esse motivo, nos dois primeiros meses do ano, ainda obtivemos um resultado positivo. No entanto, com a declaração oficial da OMS – Organização Mundial da Saúde, no dia 11 de março, de pandemia do coronavírus (Covid-19), aliada à escalada do dólar, as nossas vendas caíram drasticamente”, lamenta João Henrique Garbin de Oliveira, presidente da Abeifa.

Segundo João Oliveira, “diante do cenário de desaceleração da economia brasileira e mundial, nos próximos meses, a Abeifa está preocupada com a própria sobrevivência dos importadores e sua rede de concessionárias e, se confirmadas as projeções de queda nas vendas de automóveis novos este ano da ordem de 40%, como indicam altos executivos de montadoras locais, corremos sério risco também de inviabilizar unidades produtivas”.

Na avaliação do presidente da Abeifa, “a vida humana e a atenção ao quadro pandêmico por coronavírus são prioridades absolutas. Nesse sentido, as 413 concessionárias que compõem as redes autorizadas de nossas 15 associadas seguem orientações técnicas da OMS e das autoridades brasileiras. Internamente, nossas empresas, na área comercial, têm procurado atender aos seus clientes por meio de plataformas digitais além de , por exemplo, já termos estendido prazos de revisões programadas”.

João Oliveira defende, de outra parte, que “às vésperas de completar o primeiro ciclo de quarentena, no dia 7 de abril próximo, seja atendido pelo Governo Federal o pleito de redução da alíquota do imposto de importação, dos atuais 35% para 20%, com a finalidade de reanimar o setor, evitar o fechamento de concessionárias e, consequentemente, impedir a dispensa de parte dos 13,5 mil trabalhadores”.

Produção local – Entre as associadas à Abeifa, que também têm produção nacional, BMW, CAOA Chery, Land Rover e Suzuki fecharam março último com 2.713 unidades emplacadas, total que representou queda de 6,6% em relação a fevereiro de 2020, quando totalizaram 2.906 unidades.

E aumento de 10,4% ante março de 2019, quando foram comercializadas 2.458 unidades de fabricação nacional.

No acumulado do primeiro trimestre do ano, a produção nacional das associadas à entidade significou alta de 20,4%: 8.142 unidade emplacadas este ano contra 6.762 veículos em 2019.

Participações – Em março último, ao considerar somente os veículos importados por associadas à entidade – total de 2.090 unidades -, o setor significou marketshare de apenas 1,34%.

Com 4.803 unidades licenciadas (importados + produção nacional), a participação das associadas à Abeifa foi de 3% do mercado total de autos e comerciais leves (155.810 unidades).

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