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Álcool e drogas ao volante são problemas que exigem mudanças estruturais

Todos os dias cerca de 290 mil pessoas dirigem alcoolizadas no Brasil. A estimativa é do Ministério da Saúde e preocupa o setor público, empresas e entidades da sociedade organizada envolvidas com o trânsito.

Nesta última quarta-feira (2), os desafios no combate ao uso de álcool e drogas ao volante foram tema de uma grande mesa de debates durante o Congresso Brasileiro da Associação Nacional do Detrans, que acontece em Foz do Iguaçu.

A discussão contou com a mediação de Antônio Carlos Gouveia que é vice-presidente da AND e diretor-presidente de Alagoas, com a participação do juiz e coordenador do projeto Justiça e Sobriedade no Trânsito, Augusto Gluszcak Junior; do inspetor da Policia Rodoviária Federal, Wilson Martines; do presidente da Associação Brasileira de Medicina no Trânsito, Juarez Molinari; e do mestre em sociologia, escritor e especialista em educação e segurança no trânsito, Eduardo Biavati.

“São muitas mortes no trânsito, o álcool vem causando acidentes, mortes e sofrimento para muitas famílias. A sociedade precisa se organizar para tentar aliviar esse cenário. É uma luta que travamos por um trânsito mais seguro para todos. Reunir tanta gente boa para conversar e debater é uma forma de expandir a informação e mobilizar as pessoas”, comentou o juiz Gluszcak.

Para o inspetor da Polícia Rodoviária Federal, Wilson Martines hoje o trânsito brasileiro enfrenta uma epidemia protagonizada pela mistura de álcool, drogas e direção.

“A sensação de impunidade coloca em xeque todas as campanhas inerentes ao tema, pois a cada feriado ou fins de semana, o que se tem visto nas rodovias federais pelo Brasil é um aumento crescente de flagrantes, multas e prisões de motoristas que insistem na prática criminosa de beber e dirigir”, ressaltou Martines.

Dados apresentados durante a mesa mostram que a grande maioria acidentes envolve vítimas fatais entre 15 a 30 anos. Só no ano passado foram 179 mortes, com 620 feridos graves nesta faixa etária. Até o fim de outubro de 2015, já foram 113 mortes e 466 feridos graves no país.

Para o especialista Eduardo Biavati os hábitos de saúde dos adolescentes no Brasil são um problema complicado de solucionar. “Desde 2009 os jovens estão sendo investigados pela Pesquisa Nacional de Saúde Escolar. Essa pesquisa revela uma forte associação entre o consumo de álcool e outros hábitos de saúde dos jovens, que incluem, por exemplo, o baixo uso do cinto de segurança e a prática de direção veicular muitos anos antes da primeira habilitação”, disse.

“O resumo dessas informações tem por objetivo reivindicar uma extensão da política de prevenção do beber e dirigir integrada às ações de promoção de saúde entre os alunos do ensino fundamental. O sucesso e a sustentabilidade da fiscalização da alcoolemia dependerão desse investimento simultâneo na educação e engajamento dos jovens”, completou ele.

“ É uma grande honra estar participando de uma mesa de debates com um tema tão importante para os dias de hoje. Lamentavelmente temos observado muitos acidentes com consequências graves cujo os motoristas estão sobre a influência de álcool e outras drogas. E na maioria das vezes os envolvidos são jovens. O álcool é a substancia psicoativa mais antiga da humanidade, e entre vários fatores determinantes para o acidente, é ele que está no vencendo”, completa o presidente da Associação Brasileira de Medicina no Trânsito, Juarez Molinari.

LEI SECA: Desde sua criação, a sete anos, a Lei 11.705/2008 tornou mais abrangente a fiscalização do uso de álcool ao volante. Ainda assim, é grande o número de motoristas que são flagrados dirigindo sob influência de bebidas alcoólicas e outras drogas. Só em 2014, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) realizou mais de 1,5 milhões de testes do “bafômetro” – o que representa uma média de 174 testes por hora, sendo que para cada 51 exames existe uma autuação.

Com a reedição da Lei Seca, com penas mais duras, o índice das ocorrências de acidentes de trânsito envolvendo alcoolemia vem diminuindo. Segundo a PRF, nos últimos sete anos tivemos uma queda de 28% nas ocorrências em todo o Brasil.

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