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Produção de aço livre de combustíveis fósseis: o que as montadoras precisam saber agora

- Scania 65 anos

Em algum momento depois de 2025, uma montadora terá o direito de se gabar do primeiro carro a apresentar componentes de aço fabricados por um processo de produção livre de combustíveis fósseis.

Especificamente, ao invés da emissão de CO2, somente H2O (vapor de água) será liberado durante a conversão do minério de ferro em ferro; em seguida, esse ferro será transformado em aço.

Imagine como a liderança ambiental e o status de marketing dessa montadora serão grandes.

“As fabricantes de automóveis demonstram muito empenho e atitude positiva quando discutimos o desenvolvimento do HYBRIT”, afirmou Thomas Hörnfeldt, vice-presidente de negócios sustentáveis da SSAB.

“Elas estão bem cientes dos próximos requisitos de Avaliação do Ciclo de Vida, ou Life Cycle Assessment (LCA) da União Européia para automóveis. A LCA confirma às montadoras que, à medida que os carros adquirem transmissões com emissão zero, o CO2 incorporado aos materiais dos carros será seu próximo e formidável desafio. Muitas montadoras querem ‘manter a liderança’ e ser as primeiras a comercializar o aço livre de combustíveis fósseis da SSAB”.

Hybrit pilot plant.jpgQual é a probabilidade do projeto HYBRIT alcançar o seu objetivo? Afinal, a redução direta do minério de ferro ou direct reduction of iron (DRI) com o uso de hidrogênio já foi realizada anteriormente em laboratórios. Mas o processamento de hidrogênio em uma escala maior nunca foi tentada –– até agora.

Praticamente todas as empresas siderúrgicas europeias estão anunciando planos para reduzir suas emissões de CO2

“Sim, e algumas outras siderúrgicas agora também percebem que o processamento de hidrogênio é realmente a única maneira de eliminar as emissões de CO2 pela raiz na produção de ferro”, afirmou Hörnfeldt.

“Mas para nosso conhecimento, nossa iniciativa HYBRIT é muito mais substancial e está assumindo a liderança na indústria siderúrgica. De fato, na recente Cúpula de Ação Climática das Nações Unidas, anunciamos que estávamos ampliando o nosso cronograma de produção em três anos”.

Uma das razões pelas quais a SSAB e os seus parceiros estarem tão convencidos de que estão no caminho certo é o resultado do estudo de viabilidade concluído em 2018.

Foi calculado que o aço produzido sem combustíveis fósseis teria um aumento de custo de 20% a 30% em comparação com o aço tradicional.

Mas essa diferença continua diminuindo conforme: 1) o custo das emissões de carbono aumenta, e 2) o custo da eletricidade livre de combustíveis fósseis diminui.

Mas as vantagens não param por aqui – Às vezes –– por exemplo, em dias de verão –– os rios ficam cheios (e produzindo energia hidrelétrica) e as usinas eólicas estão girando, o que significa que a Suécia produz mais eletricidade do que consome.

Mas o HYBRIT pode aproveitar essa energia renovável “adicional” ao utilizar a eletrólise para converter água comum em hidrogênio.

Desta forma, a energia ecológica será agora armazenada na forma de hidrogênio, em vastas grutas subterrâneas, e pronta para ser utilizada pela produção de ferro do HYBRIT.

“É um círculo virtuoso”, observa Hörnfeldt.

“Podemos garantir que a energia ‘adicional’ de fontes renováveis de energia possa ser colocada em funcionamento de forma lucrativa. O armazenamento de energia na forma de hidrogênio também ajudará a estabilizar a rede elétrica.”

Redução do CO2 incorporado no aço automotivo existente – “A SSAB está fazendo outros grandes investimentos –– paralelamente aos nossos investimentos do HYBRIT –– ao converter os nossos altos-fornos existentes, que usam carbono, para fornos elétricos a arco”, observou Hörnfeldt.

“Em circunstâncias normais, o nosso alto-forno em Oxelösund deverá ser reconstruído em 2025. Ao invés de pagar a enorme cifra por uma reconstrução, pensamos, por que não substituí-la por um forno elétrico a arco? O forno elétrico a arco pode ser alimentado com sobras de aço até a estação do HYBRIT produzir a sua própria matéria-prima de ‘ferro-esponja’ para a nossa produção de aço.”

Os outros três altos-fornos da SSAB também serão convertidos em fornos elétricos a arco nos próximos anos.

“90% das nossas emissões atuais de CO2 são provenientes da conversão de minério de ferro em ferro com o uso de carvão coqueificável,” afirmou Hörnfeldt.

“O HYBRIT eliminará essas emissões de CO2. Mas também estamos cuidando dos 10% restantes das nossas emissões de CO2, ao converter nossos processos de aquecimento em eletricidade onde quer que possamos para nossas operações de laminação e tratamento térmico. Onde isso não for possível – alguns processos requerem temperaturas acima de 1000 °C – estaremos utilizando biogás no futuro”.

Enquanto isso, a LKAB está convertendo os equipamentos em suas minas de minério de ferro, que funcionam a hidrocarbonetos (petróleo, diesel e gás), para que funcionem a eletricidade.

Mesmo os pellets de minério de ferro que fornecem à SSAB estão se tornando mais ecológicos: os subprodutos dos restos de madeira da indústria florestal sueca serão fermentados e transformados em biogás e depois utilizados para alimentar a usina de pelotização da LKAB.

Outras siderúrgicas parecem estar adotando uma abordagem muito mais incremental ao hidrogênio.

Será que a SSAB e os seus parceiros estão “realizando manobras arriscadas”, ao avançar agressivamente para a produção de ferro à base de hidrogênio?

“Achamos que não”, respondeu Hörnfeldt. “As mudanças climáticas farão com que todos se movam e pensem em soluções, muito mais rapidamente que antes –– temos que fazê-lo, para o bem de nossos filhos e dos filhos deles”.

Mas também, o estudo de viabilidade do HYBRIT de 2018 foi muito abrangente e muito convincente de que este é o caminho certo para o aço. E a Agência Sueca de Energia fez o seu próprio processo de ‘due diligence.’ Eles são um grande apoiador do HYBRIT.”

“Já estamos estudando a possibilidade de construir a estação de demonstração em 2025, três anos antes do planejado, para que possamos logo em seguida produzir aço à base de minério de ferro, livre de combustíveis fósseis, para uso comercial. O objetivo é vender aço produzido em larga escala sem combustíveis fósseis até 2035”.

“Estamos realizando algo simples e eficiente com as tecnologias tradicionais de produção de aço que fazem uso intensivo do carbono. Queremos ser a primeira empresa do mundo a fabricar aços livre de combustíveis fósseis”.

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