O mercado de veículos eletrificados no Brasil registrou em março de 2025 o melhor desempenho do ano, com 14.380 unidades vendidas, puxado especialmente pelos híbridos plug-in (PHEV), que conquistaram quase metade das vendas.
O crescimento das vendas de veículos eletrificados no Brasil demonstra que a transição energética avança, mesmo com desafios. Em março, foram emplacadas 14.380 unidades de veículos eletrificados leves — um aumento de 31,5% em relação ao mesmo mês de 2024, e 10% superior a fevereiro deste ano. No acumulado do primeiro trimestre de 2025, o total de vendas alcançou 39.924 unidades, uma alta de 10,6% sobre o mesmo período do ano anterior.
Os modelos híbridos plug-in (PHEV) continuam sendo os grandes protagonistas dessa transformação. Em março, foram responsáveis por 6.944 emplacamentos, o equivalente a 48% das vendas de eletrificados. O bom desempenho reflete a aceitação do consumidor por veículos que combinam motor a combustão com propulsão elétrica e podem ser recarregados em tomadas externas. Essa característica mitiga a ansiedade por autonomia, comum nos 100% elétricos, e se adapta melhor à realidade atual da infraestrutura brasileira.
Os veículos totalmente elétricos (BEV) também mostraram força, com 4.801 unidades vendidas, o que representa 33,4% do mercado de eletrificados em março. Apesar do crescimento de 7% em relação a fevereiro, o segmento registrou uma queda de 22% comparado a março de 2024. Analistas apontam que a retração pode estar associada a debates sobre segurança na recarga domiciliar, intensificados após uma consulta pública iniciada pelos Bombeiros de São Paulo em abril de 2024.
Já os híbridos convencionais (HEV e HEV Flex) responderam por 18% das vendas, com destaque para o HEV Flex, que somou 1.656 unidades em março. Essa tecnologia tem conquistado espaço com o apoio de incentivos fiscais, como a isenção de IPVA no estado de São Paulo para modelos fabricados localmente. O resultado foi um crescimento de 25% nas vendas desse tipo de veículo no primeiro trimestre, em comparação com o mesmo período de 2024.
As políticas públicas regionais têm desempenhado papel fundamental na descentralização do consumo de eletrificados no Brasil. A liderança do Sudeste permanece, com 46% das vendas em março, mas a participação da região caiu em relação ao mesmo mês de 2024. Sul e Centro-Oeste vêm ganhando protagonismo, impulsionados por medidas como a isenção total de IPVA no Distrito Federal para veículos elétricos, o que tem fortalecido a penetração da eletromobilidade em novos mercados.
A expansão da infraestrutura de recarga é outro fator decisivo. O número de eletropostos no Brasil quase dobrou em um ano, saltando de 7.758 em março de 2024 para 14.827 em fevereiro de 2025, representando um aumento expressivo de 91%. Essa ampliação melhora o acesso do consumidor à recarga pública e sustenta o crescimento dos veículos plug-in, tanto híbridos quanto totalmente elétricos.
Entre as cidades com maior volume de vendas, São Paulo lidera com 1.906 veículos eletrificados em março, seguida de perto por Brasília (1.796), Belo Horizonte (587), Rio de Janeiro (488) e Campinas (392). A capital federal tem se destacado pelo forte desempenho, especialmente entre os 100% elétricos, alavancado por seus incentivos fiscais e crescente conscientização ambiental.
Os micro-híbridos (MHEV), embora excluídos da nova classificação oficial da ABVE como eletrificados, continuam com desempenho sólido. Em março, foram emplacadas 3.529 unidades, sendo a maioria com tecnologia de 12V e 48V, voltada à melhoria da eficiência energética sem tração elétrica. No acumulado do ano, já somam 10.724 veículos vendidos, o que confirma o interesse do mercado por soluções de transição acessíveis.