Em 2006, quando “carro conectado” ainda não era linguagem comum, o angolano Frederico Thoth Jorge de Miranda já projetava um veículo como sentinela digital. O conceito foi formalizado nos EUA sob o registro US20080204556A1 (“Vehicle Camera Security System”), depositado em 2007 e publicado em 2008. A patente, hoje com status “Abandoned”, tornou-se referência mundial em segurança veicular.

O sistema idealizado por Miranda previa câmeras internas e externas (inclusive nos espelhos laterais), detecção de movimento, gravação e alertas remotos via comunicação sem fio. Uma arquitetura que antecipava soluções hoje comuns em veículos modernos, como monitoramento perimetral e sistemas de assistência baseados em câmeras.
Apesar da relevância técnica, o inventor não capitalizou financeiramente a criação. O trabalho é citado como “prior art” em mais de 70 documentos de patente posteriores, mas o custo e a complexidade do ciclo de propriedade intelectual limitaram o aproveitamento econômico da inovação.
Entre os nomes que referenciam o registro estão Toyota, Geely, Fujitsu Ten, Ford, BMW, Nissan, Continental, Bosch e ZF, evidenciando o impacto global do conceito.
Para Miranda, o reconhecimento é simbólico: “É gratificante ver que a arquitetura que projetei há duas décadas é hoje referência documentada. O fato de grandes players citarem este trabalho prova que o pensamento disruptivo não tem fronteiras.”
O impacto da inovação é mensurável. Estudos do IIHS mostram que câmeras de ré reduzem em média 16% das colisões de marcha-atrás. Projeções do National Safety Council indicam que tecnologias de ADAS podem evitar cerca de 249.400 fatalidades entre 2021 e 2050. Em frotas, monitoramento veicular já reduziu em 86% os custos de sinistros.
O marco de 20 anos transcende a celebração de uma patente: é um manifesto de soberania intelectual. A trajetória de Miranda mostra que a África tem capacidade de definir paradigmas globais, mas precisa de ecossistemas que apoiem inventores desde o depósito até o licenciamento, garantindo que futuras inovações sejam não apenas consumidas pelo mundo, mas também capitalizadas e escaladas a partir do continente.
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Prior art (estado da técnica) – Termo usado em patentes para indicar trabalhos anteriores que servem como referência técnica e conceitual, evitando duplicidade de registros e validando relevância da inovação.
ADAS (Advanced Driver Assistance Systems) – Conjunto de tecnologias de assistência à condução, como câmeras, sensores e alertas, que aumentam a segurança e reduzem acidentes.
Patente abandonada – Situação em que o inventor não mantém o processo ativo por falta de pagamento de taxas ou continuidade legal, mas cujo conteúdo permanece como referência pública no sistema global de patentes.
Tags: inovação automotiva, segurança veicular, patente angolana, Frederico Thoth Jorge de Miranda, prior art
