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Quanto ganham os CEOs das montadoras?

Levantamento sobre remuneração executiva mostra enorme diferença entre dirigentes de fabricantes americanas, japonesas e europeias, com a CEO da GM muito à frente de outros chefes de montadoras.

Comandar uma grande montadora pode render dezenas de milhões de dólares por ano, mas a diferença entre os principais executivos da indústria é surpreendente. Em 2025, Mary Barra, da General Motors, recebeu US$ 48,2 milhões considerando salário, bônus e remuneração baseada em ações. Jim Farley, da Ford, ficou muito distante desse valor — e quando a comparação chega aos presidentes de fabricantes japonesas e europeias, a distância aumenta ainda mais.

Quanto ganha o CEO de uma montadora?

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Um levantamento da Automotive News em parceria com a Equilar sobre a remuneração de executivos da indústria automotiva ajuda a colocar números nessa pergunta.

Entre os CEOs de montadoras americanas citados no estudo, Mary Barra, da General Motors, aparece com o maior pacote de remuneração em 2025: US$ 48,2 milhões.

O cálculo considera diferentes componentes da remuneração executiva, incluindo salário, incentivos e premiações ou participações baseadas em ações. Por isso, os valores não devem ser interpretados simplesmente como dinheiro depositado mensalmente na conta do executivo.

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Mesmo assim, a diferença é expressiva.

Mary Barra: US$ 48,2 milhões

A CEO da General Motors recebeu US$ 48,2 milhões em remuneração total referente a 2025, valor quase duas vezes superior ao informado para 2024.

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O pacote coloca Barra muito à frente dos demais dirigentes de fabricantes americanas mencionados no levantamento.

Transformar remuneração anual de executivos em salário por hora produz comparações chamativas, mas pouco precisas, principalmente porque uma parcela relevante pode estar vinculada a ações, incentivos de longo prazo e metas corporativas.

A referência mais adequada, portanto, é a remuneração total anual informada.

O resultado também chama atenção quando colocado ao lado dos números financeiros da GM apresentados pela fonte: o lucro líquido caiu de US$ 6 bilhões em 2024 para US$ 2,7 bilhões em 2025, enquanto a remuneração atribuída à executiva aumentou.

Isso não significa, isoladamente, que a remuneração tenha sido determinada pelo lucro líquido daquele exercício. Pacotes executivos podem considerar metas e indicadores diferentes e incorporar incentivos concedidos ou contabilizados em períodos distintos.

Jim Farley: US$ 16,7 milhões

Na Ford, o CEO Jim Farley recebeu US$ 16,7 milhões.

O valor representa uma queda de 39% em relação à remuneração informada para 2024.

Mesmo permanecendo na casa das dezenas de milhões de dólares, Farley recebeu pouco mais de um terço do pacote atribuído a Mary Barra.

A diferença entre os dois ajuda a mostrar como não existe um padrão único de remuneração nem mesmo entre grandes fabricantes americanas.

Estrutura acionária, metas, incentivos, desempenho e políticas internas de cada companhia podem produzir pacotes muito diferentes.

RJ Scaringe: US$ 12,4 milhões

O fundador e CEO da Rivian, RJ Scaringe, recebeu US$ 12,4 milhões em 2025, segundo os dados apresentados.

Existe, porém, uma diferença entre essa remuneração e o potencial de ganhos futuros.

Scaringe teria um programa de incentivos que pode chegar a US$ 4,6 bilhões caso determinadas metas sejam alcançadas.

Esse valor potencial não deve ser confundido com remuneração efetivamente recebida em 2025. Trata-se de uma possibilidade condicionada ao cumprimento de objetivos estabelecidos.

E Elon Musk?

O caso de Elon Musk, CEO da Tesla, exige ainda mais cuidado.

Segundo o levantamento apresentado, sua remuneração contabilizada para 2025 aparece como zero dentro dos critérios utilizados pela lista.

Isso não significa que Musk trabalhou gratuitamente nem permite comparar diretamente sua situação patrimonial com a de outros CEOs.

A remuneração do executivo está fortemente relacionada a pacotes acionários condicionados a metas e estruturas de compensação de longo prazo, que funcionam de maneira diferente de um pacote anual convencional.

Portanto, utilizar apenas o número atribuído a 2025 para concluir que Musk “ganhou menos” do que os demais executivos produziria uma comparação incompleta.

Executivos de fornecedores também recebem milhões

Quando o levantamento amplia a análise para empresas relacionadas à indústria automotiva, os números ficam ainda maiores.

O CEO da Nvidia, Jensen Huang, aparece com remuneração de US$ 153 milhões.

Embora a Nvidia seja principalmente uma empresa de computação e inteligência artificial, suas tecnologias também são utilizadas em aplicações automotivas, incluindo processamento para sistemas avançados de assistência, inteligência artificial e plataformas digitais.

Já Revathi Advaithi, CEO da Flex, recebeu US$ 48,8 milhões, segundo os números apresentados, aumento de 43,5%.

A Flex fornece soluções eletrônicas para diferentes indústrias e atua também com componentes relacionados a veículos, carregamento, inversores e gerenciamento de baterias.

Isso significa que, considerando todo o universo empresarial relacionado ao automóvel incluído no levantamento, os executivos mais bem remunerados não necessariamente comandam montadoras.

Quanto ganham CEOs fora dos Estados Unidos?

A diferença fica ainda mais evidente quando entram na comparação fabricantes japonesas e europeias citadas pela fonte.

Na Honda, o CEO Toshihiro Mibe recebeu ¥173 milhões, aproximadamente US$ 1,03 milhão, no ano fiscal encerrado em março de 2026.

O valor representa queda próxima de 60% em relação ao exercício anterior, segundo as informações apresentadas.

Na Nissan, Ivan Espinosa recebeu ¥561 milhões, aproximadamente US$ 3,5 milhões, no mesmo período fiscal.

Segundo a fonte, Espinosa também devolveu voluntariamente metade de seu bônus anual, correspondente a aproximadamente US$ 588 mil, em meio ao desempenho comercial da companhia.

Já Oliver Blume, CEO do Grupo Volkswagen, recebeu aproximadamente US$ 8,44 milhões, abaixo dos cerca de US$ 11,77 milhões registrados no exercício anterior.

As diferenças precisam ser interpretadas com cautela porque empresas e países utilizam estruturas de remuneração, exercícios fiscais, regras de divulgação e modelos de governança diferentes.

Ainda assim, os números deixam clara a distância entre os pacotes apresentados para alguns CEOs americanos e aqueles informados para executivos de fabricantes japonesas e alemãs.

Veja quanto receberam os CEOs citados

ExecutivoEmpresaRemuneração informada
Mary BarraGeneral MotorsUS$ 48,2 milhões
Jim FarleyFordUS$ 16,7 milhões
RJ ScaringeRivianUS$ 12,4 milhões
Oliver BlumeVolkswagen GroupUS$ 8,44 milhões
Ivan EspinosaNissanUS$ 3,5 milhões
Toshihiro MibeHondaUS$ 1,03 milhão
Elon MuskTeslaUS$ 0 no critério anual do levantamento

Os períodos de referência e as estruturas de remuneração não são necessariamente idênticos. No caso de Honda e Nissan, por exemplo, os valores correspondem ao ano fiscal encerrado em março de 2026.

Por isso, a tabela serve para dimensionar as diferenças informadas, mas não deve ser interpretada como uma comparação contábil perfeitamente uniforme entre todas as empresas.

Mecânica Online® com Tarcisio Dias – Quando olhamos para US$ 48,2 milhões, a primeira reação é tentar transformar esse número em salário mensal, diário ou até por hora.

Mas isso pode esconder a parte mais interessante da história.

Um CEO de uma grande montadora não recebe necessariamente sua remuneração como um salário convencional.

Uma parcela pode vir de ações, bônus e incentivos relacionados a metas de curto e longo prazo.

Isso ajuda a explicar por que dois executivos responsáveis por companhias de dimensões comparáveis podem terminar o mesmo ano com remunerações completamente diferentes.

Também torna importante observar o período utilizado.

Os US$ 48,2 milhões de Mary Barra, os US$ 16,7 milhões de Jim Farley e os valores informados para executivos japoneses não necessariamente seguem exatamente as mesmas estruturas e exercícios contábeis.

Mesmo com essas ressalvas, existe uma diferença difícil de ignorar.

O pacote atribuído a Barra é aproximadamente 2,9 vezes o informado para Farley, 3,9 vezes o de Scaringe e quase 47 vezes o valor convertido atribuído ao CEO da Honda.

Isso mostra como a discussão sobre remuneração executiva também passa pela cultura empresarial e pelos diferentes modelos de governança corporativa.

E existe outra transformação acontecendo.

Empresas de semicondutores, software e eletrônica estão se tornando cada vez mais importantes para o automóvel. O fato de executivos de empresas como Nvidia e Flex aparecerem com remunerações comparáveis ou superiores às dos chefes das próprias montadoras é um sinal de quanto valor econômico está migrando para tecnologia, computação e eletrônica dentro da indústria automotiva.

O carro continua sendo uma máquina.

Mas a indústria que constrói essa máquina está mudando — e até quem captura a maior parcela de valor dentro dessa cadeia começa a mudar junto com ela.

Para acompanhar os números, negócios e tecnologias que estão transformando a indústria automotiva mundial, siga @tarcisiomecanicaonline.

Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia

  • US$ 48,2 milhões – Foi a remuneração total atribuída a Mary Barra, da GM, referente a 2025.
  • US$ 16,7 milhões – Jim Farley, da Ford, aparece bastante abaixo da CEO da GM entre os dirigentes de montadoras americanas citados.
  • US$ 12,4 milhões – Foi o valor informado para RJ Scaringe, CEO e fundador da Rivian.
  • US$ 8,44 milhões – Oliver Blume recebeu aproximadamente esse valor à frente do Grupo Volkswagen.
  • US$ 3,5 milhões – É a conversão aproximada da remuneração informada para Ivan Espinosa, da Nissan, no ano fiscal encerrado em março de 2026.
  • US$ 1,03 milhão – O pacote atribuído a Toshihiro Mibe, da Honda, mostra a diferença de escala entre a remuneração executiva japonesa e alguns exemplos americanos.

Mecânica Online® – Mecânica do jeito que você entende

  • Remuneração total – Soma que pode reunir salário fixo, bônus, ações, opções e outros incentivos concedidos a um executivo.
  • Remuneração em ações – Parcela vinculada a títulos da companhia, frequentemente sujeita a condições, prazos e metas antes de produzir ganho efetivo.
  • Bônus por desempenho – Remuneração variável associada aos indicadores e objetivos definidos pela empresa para seus executivos.
  • Pacote de longo prazo – Incentivo estruturado para recompensar resultados futuros; o valor potencial anunciado não significa que o executivo já recebeu aquele montante.
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