A Bugatti encerrou oficialmente seu vínculo de 26 anos com o Grupo Volkswagen em uma transação histórica anunciada em 24 de abril de 2026. A Porsche, subsidiária da VW, vendeu sua fatia de 45% na joint venture Bugatti Rimac para um consórcio internacional liderado pela HOF Capital, com sede em Nova York. Com o movimento, o controle tecnológico e de desenvolvimento passa integralmente para a Rimac Group, liderada por Mate Rimac, que já detém 55% da operação. A separação permite que a Porsche foque em seu negócio principal em meio a pressões por lucros, enquanto a Bugatti inicia uma era de independência técnica, simbolizada pelo novo Tourbillon V16 de 1.775 cv, livre da herança mecânica do motor W16 da Volkswagen.
A Bugatti Rimac, avaliada em mais de 1 bilhão de dólares, deixa de ser uma subsidiária indireta da Volkswagen para se tornar uma fabricante independente sob gestão croata.
O consórcio comprador, liderado pela HOF Capital e incluindo a BlueFive Capital, adquiriu também os 20,6% que a Porsche detinha diretamente no Grupo Rimac.
A transação marca o fim da era iniciada por Ferdinand Piëch em 2000, responsável por reviver a marca com o lançamento do icônico Veyron em 2005.
Para a Porsche, a venda é uma resposta estratégica para simplificar operações e elevar margens de lucro, impactadas por tarifas comerciais e queda nas vendas na China.
Mate Rimac assume agora o controle absoluto do futuro da Bugatti, consolidando sua visão de hipercarros que unem purismo mecânico e eletrificação avançada.
O Bugatti Tourbillon, lançado em 2024, já antecipava essa ruptura ao trocar o motor W16 (propriedade intelectual da VW) por um inédito V16 aspirado de 8,3 litros.
Desenvolvido em parceria com a britânica Cosworth, o novo motor V16 entrega 1.000 cv sozinho, somando-se a três motores elétricos para totalizar 1.775 cv.
O Tourbillon acelera de 0 a 100 km/h em 2,0 segundos e atinge 445 km/h, utilizando uma bateria de 24,8 kWh para rodar até 60 km em modo 100% elétrico.
A Rimac Technology continuará sendo o braço técnico para o desenvolvimento de baterias e sistemas de propulsão de alta voltagem para a nova fase da Bugatti.
O acordo de venda estipula que a transação deve ser finalizada até o final de 2026, após as aprovações regulatórias nos EUA e na União Europeia.
Especialistas de mercado veem o movimento como uma “limpeza de portfólio” da Porsche, que prioriza agora modelos de alto volume como o Macan elétrico e o 911.
A Bugatti terá agora maior agilidade para definir sua estratégia de brand equity, sem as amarras burocráticas e compartilhamento de componentes do grupo alemão.
A saída da Bugatti do grupo VW sinaliza uma mudança de paradigma na indústria: o luxo extremo está migrando para estruturas de capital mais ágeis e focadas em nicho.
A análise crítica mostra que a Bugatti preserva sua alma francesa e produção em Molsheim, mas agora com o cérebro eletrônico e dinâmico vindo da Croácia.
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Resumo técnico em pontos-chave:
- Transação: Porsche vende 45% da Bugatti Rimac e 20,6% do Grupo Rimac.
- Comprador: Consórcio liderado pela HOF Capital (Nova York).
- Novo Controle: Rimac Group assume liderança total de produto e tecnologia.
- Modelo Atual: Bugatti Tourbillon com motor V16 híbrido de 1.775 cv.
- Performance: 0-100 km/h em 2s e velocidade máxima de 445 km/h.
- Motivação: Foco da Porsche em negócios principais e redução de custos operacionais.
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V16 Aspirado é um motor com 16 cilindros em “V” que não utiliza turbos ou compressores para indução de ar, dependendo apenas da pressão atmosférica e alta cilindrada.
Joint Venture é uma associação de empresas, como a formada entre Bugatti e Rimac em 2021, para explorar um negócio comum compartilhando riscos e lucros.
W16 é a configuração de motor exclusiva da Volkswagen com quatro bancadas de quatro cilindros, que equipou os modelos Veyron e Chiron, agora oficialmente descontinuada.

