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FPT vence Prêmio AEA ESG 2026 com motor bi-fuel a etanol e biometano para veículos comerciais

Projeto da FPT combina etanol e biometano em motor de alta eficiência e reforça novas rotas de descarbonização no transporte urbano

A conquista do Prêmio AEA ESG 2026 pela FPT Industrial evidencia uma tendência cada vez mais forte na indústria automotiva: a busca por alternativas de descarbonização que aproveitem a infraestrutura e os combustíveis renováveis já disponíveis no Brasil. O reconhecimento veio com o projeto do motor F1C Bi-Fuel, capaz de operar com etanol e biometano, desenvolvido para aplicações em veículos comerciais leves.

Premiado pela Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), o projeto da FPT utiliza um motor de 3,0 litros com funcionamento bi-fuel a etanol e biometano, entregando 99 kW (135 cv) de potência e 350 Nm de torque. A solução busca reduzir emissões sem comprometer desempenho ou viabilidade operacional no transporte urbano.

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A premiação foi entregue em 9 de junho, em São Paulo, dentro da categoria Inovação Tecnológica e Ambiental, reconhecendo iniciativas voltadas à sustentabilidade e à redução da pegada de carbono no setor automotivo.

O projeto foi desenvolvido por meio de uma ampla colaboração entre a FPT Industrial, a MAHLE, a Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Universidade Federal do Pará (UFPA).

A proposta nasceu para enfrentar um dos maiores desafios atuais da mobilidade: combinar eficiência energética, redução de emissões e viabilidade econômica sem depender exclusivamente da eletrificação.

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O motor F1C Bi-Fuel utiliza arquitetura de 3,0 litros, baseada no ciclo Otto, com dois sistemas independentes de alimentação.

Um dos sistemas é dedicado ao etanol, enquanto o segundo é destinado ao biometano, permitindo que o propulsor aproveite as características específicas de cada combustível renovável.

A solução foi desenvolvida para veículos comerciais leves com Peso Bruto Total entre 3,5 toneladas e 7,2 toneladas, segmento amplamente utilizado em entregas urbanas, logística de última milha e transporte de cargas em centros urbanos.

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Um dos pontos mais relevantes do projeto é que ele mantém desempenho semelhante ao de versões convencionais já disponíveis no mercado.

O motor entrega 99 kW (135 cv) de potência máxima e 350 Nm de torque, números adequados para operações comerciais que exigem capacidade de carga e utilização intensiva.

Diferentemente dos motores diesel tradicionais, a proposta busca reduzir significativamente as emissões de gases de efeito estufa utilizando combustíveis produzidos a partir de fontes renováveis.

O etanol, amplamente disponível no Brasil, possui uma das menores pegadas de carbono do mundo quando analisado em todo o ciclo produtivo.

Já o biometano é obtido a partir do aproveitamento de resíduos orgânicos, aterros sanitários, atividades agropecuárias e estações de tratamento de esgoto.

A combinação dos dois combustíveis cria uma alternativa interessante para frotistas que buscam reduzir emissões sem depender de infraestrutura de recarga elétrica.

Além disso, o conceito reforça uma visão cada vez mais presente entre fabricantes de motores: a de que a transição energética não será baseada em uma única tecnologia.

“Tarcisio Dias, editor do Mecânica Online®”: “Projetos como o F1C Bi-Fuel mostram que o Brasil pode ocupar posição estratégica na descarbonização do transporte utilizando recursos já disponíveis localmente. A combinação entre etanol e biometano aproveita vantagens competitivas nacionais e amplia as alternativas além da eletrificação tradicional.”

A premiação também destaca a relevância da engenharia nacional no desenvolvimento de soluções para mobilidade sustentável.

O envolvimento de universidades e centros de pesquisa demonstra como a integração entre indústria e academia acelera a criação de tecnologias aplicáveis ao mercado.

Outro aspecto importante é a possibilidade de utilização em veículos comerciais leves, segmento que enfrenta crescente pressão regulatória para redução de emissões.

Enquanto caminhões pesados ainda dependem majoritariamente do diesel, soluções intermediárias podem acelerar a descarbonização das operações urbanas.

A estratégia da FPT Industrial também acompanha um movimento global de diversificação das chamadas rotas energéticas, conceito que considera diferentes tecnologias e combustíveis para atender necessidades específicas de cada mercado.

Nesse cenário, combustíveis renováveis como etanol, biometano, biodiesel, hidrogênio e eletrificação passam a coexistir como soluções complementares.

Para o Brasil, onde a produção de biocombustíveis possui escala industrial consolidada, iniciativas como o F1C Bi-Fuel ganham relevância estratégica.

O reconhecimento da AEA reforça ainda a importância da inovação voltada não apenas para desempenho, mas também para eficiência ambiental e sustentabilidade de longo prazo.

• Motor 3,0 litros ciclo Otto
• Operação com etanol e biometano
• Potência máxima de 99 kW (135 cv)
• Torque máximo de 350 Nm
• Aplicação em veículos de 3,5 a 7,2 toneladas
• Dois sistemas independentes de injeção de combustível
• Desenvolvimento em parceria com MAHLE, UNIFEI, Unesp e UFPA
• Vencedor do Prêmio AEA ESG 2026
• Foco em redução de emissões e eficiência energética
• Tecnologia voltada ao transporte urbano e logística comercial

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Motor Bi-Fuel – Sistema capaz de operar utilizando dois combustíveis diferentes. No caso do projeto da FPT, o motor pode funcionar com etanol e biometano, ampliando a flexibilidade operacional.

Biometano – Combustível renovável produzido a partir da purificação do biogás gerado por resíduos orgânicos, aterros sanitários e atividades agroindustriais.

Ciclo Otto – Tipo de funcionamento utilizado em motores a gasolina, etanol e gás, caracterizado pela ignição por centelha gerada pelas velas.

Torque – Força de rotação produzida pelo motor. Quanto maior o torque, maior a capacidade de movimentar cargas e realizar retomadas com eficiência.

Descarbonização – Processo de redução das emissões de carbono por meio da adoção de combustíveis renováveis, tecnologias mais eficientes e fontes alternativas de energia.

Rotas energéticas – Estratégia que utiliza diferentes tecnologias e combustíveis para reduzir emissões, sem depender exclusivamente de uma única solução de mobilidade.

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