O levantamento da FECAP mostra que a linha Honda CG 160 continua sendo a mais visada em roubos e furtos no estado de São Paulo, mesmo com queda nas ocorrências. A novidade é a ascensão da Mottu/SPORT 110I, que registrou aumento de mais de 100% e já figura entre os modelos mais roubados, refletindo mudanças no mercado e no comportamento criminoso.
A criminalidade envolvendo motocicletas em São Paulo segue em transformação. O estudo do Centro de Estudos em Economia do Crime (CEEC/FECAP) revela que, apesar da redução geral de -19,5% nas ocorrências, alguns modelos ganharam destaque inesperado.
A Honda/CG 160 FAN manteve a liderança com 1.352 casos, mesmo após queda de -27,5%. Já a Honda/CG 160 TITAN cresceu 14,2%, alcançando 965 registros. A Mottu/SPORT 110I, fabricada pela indiana TVS Motor Company, surpreendeu com alta de 106,9%, saltando de 87 para 180 ocorrências.
Esse movimento mostra como motos de baixa cilindrada e uso utilitário continuam sendo os principais alvos. A presença da Mottu, startup de aluguel de motos, evidencia a entrada de novos players no mercado e seu impacto direto nas estatísticas criminais.
O estudo também aponta quedas expressivas em modelos tradicionais. A Yamaha/XTZ250 Lander caiu -60,5%, enquanto a Honda/XRE 300 ABS recuou -50%. Por outro lado, a Honda/CB300F Twister ABS subiu 87,5%, mostrando que motos de maior cilindrada também voltaram ao radar.
No mercado de emplacamentos, a Honda/CG 160 segue líder com mais de 46 mil unidades em abril de 2026. A Mottu/SPORT 110I aparece em 5º lugar, com quase 10 mil emplacamentos, consolidando sua relevância. Esse crescimento ajuda a explicar sua maior exposição ao crime.
Os locais de maior incidência também mudaram. A Avenida Presidente Wilson registrou alta de 1200%, enquanto a Rua Alexandre Dumas cresceu 700%. Já a tradicional Avenida Sapopemba apresentou queda de -39,3%, mostrando deslocamento da criminalidade para novas áreas.
No comparativo geral, os furtos caíram -15,1% e os roubos -31,3%. Segundo o professor Erivaldo Vieira, a sazonalidade do varejo e a queda na circulação de motos após o carnaval influenciaram diretamente na redução.
A análise da FECAP destaca três eixos principais:
- Modelos populares como a linha Honda CG e Mottu são os mais visados.
- Pólos econômicos metropolitanos concentram os delitos, especialmente Santo Amaro, Santana e Tatuapé.
- Interiorização do crime mostra aumento em cidades como Limeira e Taboão da Serra.
A metodologia do estudo reforça que os números são estimativas baseadas em boletins de ocorrência, com exclusão de registros inconsistentes. Ainda assim, os dados permitem identificar tendências confiáveis e orientar políticas públicas.
O comportamento “flutuante” dos criminosos, alternando ruas e regiões, explica a volatilidade das estatísticas. Esse padrão exige atenção constante das autoridades e dos consumidores.
Para o usuário, o impacto é direto: motos de baixa cilindrada, usadas para trabalho e entregas, continuam sendo as mais vulneráveis. Isso reforça a necessidade de investir em segurança, rastreadores e seguros especializados.
A indústria também deve observar o fenômeno. O crescimento da Mottu mostra como startups podem alterar rapidamente o cenário, tanto em vendas quanto em criminalidade. Esse movimento pressiona fabricantes tradicionais como Honda e Yamaha a repensarem estratégias de proteção e suporte ao consumidor.
O estudo confirma que o furto segue como a prática criminosa predominante. Mesmo com a queda, os furtos representam mais de 75% das ocorrências, consolidando-se como padrão do setor.
A tendência de queda desde 2024 é positiva, mas o desafio permanece. A combinação de motos populares, regiões comerciais e interiorização do crime exige políticas integradas de segurança e mobilidade.
Análise Mecânica Online® com Tarcisio Dias – A ascensão da Mottu/SPORT 110I é um ponto de inflexão no mercado. Ela mostra como modelos voltados para entregas e uso compartilhado se tornaram alvo prioritário. Do ponto de vista de engenharia, são motos simples, econômicas e fáceis de revender em desmanches, o que aumenta sua atratividade para criminosos.
A Honda CG 160 mantém sua posição histórica como a moto mais popular e, por consequência, mais roubada. Esse fenômeno é recorrente: quanto maior a frota, maior a exposição. A diferença é que agora startups como a Mottu dividem esse protagonismo.
Para o consumidor, o impacto é claro. Investir em rastreador, seguro e manutenção preventiva é essencial para reduzir riscos. Do ponto de vista de custo-benefício, motos como a CG e a Mottu continuam sendo as melhores opções para trabalho, mas exigem maior atenção à segurança.
A indústria precisa acompanhar essa tendência. O crescimento das startups mostra que o mercado brasileiro está aberto a novos modelos de negócio. Fabricantes tradicionais devem considerar soluções de conectividade e proteção como diferenciais competitivos.
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Retrovisor Mecânica Online®
- Honda CG 160 – segue líder em roubos e furtos, mesmo com queda.
- Mottu/SPORT 110I – crescimento de 106,9% e destaque no ranking.
- Mercado de emplacamentos – Mottu já figura entre os cinco modelos mais vendidos.
- Locais críticos – novas áreas como Av. Presidente Wilson e Rua Alexandre Dumas registram altas abruptas.
- Redução geral – queda de -19,5% nas ocorrências no 1º quadrimestre de 2026.
- Tendência de interiorização – cidades como Limeira e Taboão da Serra apresentam aumento expressivo.
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- Cilindrada – medida que indica a capacidade do motor e influencia consumo e desempenho.
- ABS – sistema de freios que evita travamento das rodas, aumentando a segurança.
- Emplacamento – registro oficial que permite a circulação legal do veículo.
- Furto x Roubo – furto ocorre sem violência, roubo envolve ameaça ou agressão.
- Rastreador veicular – dispositivo eletrônico que permite localizar a moto em caso de roubo.

