A mostra, que celebra duas décadas da instituição e o cinquentenário da montadora no Brasil, ocupa todos os espaços do centro cultural na Praça da Liberdade com uma narrativa que funde a história da indústria automobilística com a rica tapeçaria da cultura nacional.
Com curadoria de Yuri Quevedo, Peter Fassbender e Marcos Rozen, a exposição reúne mais de 250 obras, desde pinturas de ícones como Tarsila do Amaral e Candido Portinari até automóveis que ajudaram a moldar o imaginário brasileiro, propondo uma reflexão sobre como o automóvel deixou de ser apenas um meio de transporte para se tornar um símbolo de identidade e progresso social.
A narrativa central da exposição parte da premissa de que as ruas são palcos de encontros e transformações.
Neste cenário, a trajetória da Fiat no Brasil, iniciada em 1976 com a fábrica de Betim, é apresentada não apenas como um marco industrial, mas como um elemento que se integrou ao cotidiano e à paisagem urbana do país.
O lendário Fiat 147, primeiro carro produzido em série no mundo a utilizar etanol, figura como protagonista, representando a inovação técnica que transformou a indústria nacional nos anos 70.
A mostra organiza-se através de eixos temáticos que exploram a memória coletiva.
Destaque para modelos com valor histórico e emocional, como o Fiat Palio Weekend do Pentacampeonato, o Fiat Idea utilizado pelo Papa Francisco em sua visita ao Brasil em 2013, e o Fiat Uno que pertenceu a Adriane Galisteu, presente de Ayrton Senna.
Além dos veículos, a curadoria de moda de Mercedes Tristão traz 17 looks de estilistas fundamentais, como Ronaldo Fraga e Lino Villaventura, conectando o design automotivo à estética autoral brasileira.
O diálogo entre arte e indústria é fortalecido pela presença de 112 obras de arte de períodos distintos, dos anos 1930 aos dias atuais.
Artistas como Rubens Gerchman, Djanira da Motta e Silva e Claudio Tozzi abordam a modernização, o trabalho e o deslocamento nas grandes cidades brasileiras.
A exposição ainda reserva espaço para o futuro e a inovação.
O Fiat Mio, carro desenvolvido em sistema de open source em 2010, e o conceito Fiat Dolce Camper — exibido pela primeira vez em Minas Gerais — são exemplos de como a marca projeta a mobilidade sustentável e a relação com o design de novos objetos cotidianos.
A programação paralela é robusta e gratuita, incluindo oficinas de desenho automotivo, modelagem em clay e concertos de música popular brasileira.
O objetivo da instituição é transformar a Casa Fiat de Cultura em um espaço de experimentação, convidando o público a repensar a mobilidade e sua conexão com a brasilidade.
A mostra fica em cartaz até 11 de outubro e reafirma a Fiat como uma protagonista que, através do design, participou ativamente das mudanças de comportamento do brasileiro nas últimas cinco décadas.
Tarcisio Dias, Editor do Mecânica Online®, analisa que “Celebrar as ruas” é uma curadoria essencial para quem quer entender como o automóvel se enraizou na alma brasileira. A Fiat não apenas fabricou máquinas; ela fabricou símbolos de pertencimento. Ver um Fiat 147 lado a lado com Portinari e Tarsila não é apenas uma licença poética, é a constatação de que a nossa indústria automobilística é parte fundamental da nossa história cultural — um espelho que reflete as nossas festas, as nossas lutas e a nossa forma de projetar o futuro.
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- Período: 7 de julho a 11 de outubro de 2026.
- Local: Casa Fiat de Cultura, Praça da Liberdade, Belo Horizonte.
- Acervo: Mais de 250 itens, incluindo arte, moda e carros emblemáticos.
- Programação: Gratuita, com oficinas, bate-papos e concertos.
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- Design Automotivo: Disciplina que vai além da estética, integrando funcionalidade, tecnologia, aerodinâmica e ergonomia para responder aos desafios sociais e culturais de cada época.
- Patrimônio Industrial: Conjunto de elementos materiais (fábricas, ferramentas, produtos) que contam a história da industrialização de uma nação, sendo preservados como cultura para gerações futuras.
- Design de Modelagem (Clay): Técnica tradicional da indústria automotiva que utiliza uma massa argilosa (clay) para esculpir protótipos de veículos em escala real, permitindo ajustes precisos nas superfícies e volumes antes da produção final.

