A Aston Martin inicia a chegada do DB12 S ao Brasil com 700 cv, 800 Nm e preço anunciado de R$ 3,5 milhões para o Coupé. Posicionado acima do DB12 convencional, o modelo combina desempenho de superesportivo com configuração 2+2 e proposta de gran turismo, enfrentando um mercado em que Ferrari Amalfi e Mercedes-AMG GT oferecem interpretações bastante diferentes de luxo e alta performance.
A Aston Martin São Paulo recebeu o primeiro DB12 S destinado ao mercado brasileiro, ampliando a presença da configuração de maior desempenho da família DB no País.
O modelo utiliza uma evolução do conhecido V8 4.0 biturbo, agora calibrado para entregar 700 cv a 6.000 rpm, aumento de 20 cv sobre o DB12 convencional.
Mais que elevar números, a configuração S procura tornar o cupê mais responsivo e envolvente sem abandonar a proposta de grande turismo que historicamente caracteriza a linhagem DB.
O primeiro exemplar recebido no Brasil tem carroceria Coupé na cor Ghillies Green, um verde escuro que reforça o caráter clássico do modelo britânico.
Quem preferir condução a céu aberto poderá optar pelo DB12 S Volante, versão conversível cuja comercialização no Brasil tem preço sob consulta.
O motor mantém 800 Nm de torque, disponíveis em ampla faixa de rotações, característica importante para um automóvel desenvolvido tanto para acelerações intensas quanto para longas viagens.
Com esse conjunto, a Aston Martin informa aceleração de 0 a 100 km/h em 3,4 segundos e velocidade máxima de 325 km/h para o novo modelo.
A ficha técnica global da fabricante especifica o mesmo V8 4.0 biturbo com 700 PS e 800 Nm, associado à tração traseira e ao câmbio automático ZF de oito marchas.
A transmissão fica montada em posição traseira intermediária, solução que ajuda na distribuição das massas e trabalha conectada ao motor por um eixo de transmissão em fibra de carbono.
Segundo a Aston Martin, as trocas do câmbio de oito marchas foram recalibradas e podem ocorrer em 120 milissegundos, uma redução de 43% no tempo de mudança em relação à configuração anterior.
Essa alteração é importante porque aproxima a resposta da transmissão do comportamento esperado em um esportivo de alto desempenho, principalmente durante acelerações e reduções sucessivas.
O motorista também encontra uma nova calibração do pedal do acelerador, desenvolvida para produzir respostas mais imediatas aos comandos.
Na traseira, um diferencial eletrônico E-Diff gerencia a distribuição de torque entre as rodas e trabalha em conjunto com os controles eletrônicos do chassi.
O objetivo é permitir maior capacidade de tracionar na saída das curvas, sem transformar o DB12 S em um automóvel difícil de utilizar fora de um circuito.
A suspensão utiliza arquitetura double wishbone na dianteira e multilink na traseira, acompanhada por amortecedores adaptativos.
Nos freios, o DB12 S utiliza de série discos carbono-cerâmicos de 410 mm na frente e 360 mm atrás, solução compatível com seu desempenho e peso.
De acordo com a Aston Martin, o conjunto carbono-cerâmico reduz aproximadamente 27 kg de massa não suspensa, contribuindo para respostas mais rápidas da suspensão e da direção.
As rodas são forjadas de 21 polegadas, calçadas com pneus Michelin Pilot Sport S 5 específicos, de medidas 275/35 na dianteira e 325/30 na traseira.
Com tração traseira, potência elevada e pneus consideravelmente mais largos no eixo posterior, a engenharia privilegia capacidade de transferência de força ao piso.
O DB12 S mede 4.725 mm de comprimento, 1.980 mm de largura e 1.290 mm de altura, mantendo proporções típicas de um gran turismo de motor dianteiro.
O entre-eixos de 2.805 mm ajuda a explicar a configuração 2+2 e também reforça o caráter de automóvel pensado para viagens, apesar do elevado desempenho.
O peso em ordem de marcha divulgado globalmente é de 1.820 kg, com distribuição de 48% no eixo dianteiro e 52% no traseiro.
Visualmente, o DB12 S recebe elementos que deixam sua proposta mais agressiva, incluindo spoiler traseiro fixo, difusor e quatro saídas de escapamento.
A dianteira utiliza um splitter de dois elementos, solução que modifica não apenas a aparência como o gerenciamento aerodinâmico na região inferior do carro.
No interior, o comprador poderá escolher configurações monocromáticas, bicolores ou tricolores, utilizando couro semianilina integral ou combinação específica de couro e Alcantara.
Entre os elementos exclusivos aparece o controle rotativo anodizado em vermelho para seleção dos modos de condução, peça visualmente simples que identifica a configuração S.
A cabine mantém uma combinação de comandos digitais com controles físicos, incluindo telas de 10,25 polegadas e integração com smartphones.
Os bancos Sport Plus possuem 16 ajustes, enquanto a arquitetura 2+2 preserva pequenos assentos traseiros para ampliar a versatilidade em relação a esportivos estritamente bipostos.
A segurança inclui recursos como frenagem automática de emergência, piloto automático adaptativo, monitoramento de ponto cego e assistente de permanência em faixa.
O sufixo S possui um significado histórico para a Aston Martin e identifica tradicionalmente versões de maior desempenho derivadas de modelos já existentes.
Essa tradição começou ainda em 1953 com o DB3S, modelo de competição que ajudou a estabelecer a associação da letra com maior foco esportivo.
Nas décadas seguintes, a marca voltou a utilizar a denominação em automóveis como Vanquish S, V8 Vantage S, V12 Vantage S e Rapide S.
Atualmente, o DB12 S se junta ao Vantage S e DBX S, formando uma família de versões desenvolvidas para entregar uma interpretação mais dinâmica dos modelos regulares.
O preço anunciado para o DB12 S Coupé parte de R$ 3.500.000, enquanto o valor do Volante depende da configuração escolhida pelo cliente.
No momento desta reportagem, porém, a própria Aston Martin São Paulo anuncia em seu estoque o exemplar Ghillies Green 2026/2026 por R$ 3,4 milhões, diferença de R$ 100 mil em relação ao valor de lançamento informado no material.
Mecânica Online® com Tarcisio Dias – O DB12 S ocupa um espaço muito específico entre os superesportivos puros e os grandes cupês de luxo, buscando entregar desempenho elevado sem sacrificar a capacidade de percorrer longas distâncias com conforto.
O rival conceitualmente mais próximo hoje é o Ferrari Amalfi, outro gran turismo 2+2 com V8 biturbo e tração traseira que chegou ao Brasil em 2026.
A Ferrari desenvolve 640 cv e 760 Nm, contra 700 cv e 800 Nm do Aston Martin, embora acelere de 0 a 100 km/h em 3,3 segundos e alcance 320 km/h.
Em dimensões, o DB12 S é 65 mm mais comprido que o Amalfi e possui 2.805 mm de entre-eixos contra 2.670 mm do Ferrari, diferença coerente com a proposta mais tradicional de grande turismo do britânico.
No preço, o Ferrari Amalfi desembarcou no Brasil anunciado por R$ 3,7 milhões, enquanto referências atuais apontam preço sugerido de cerca de R$ 4,05 milhões, colocando o DB12 S abaixo do italiano nessa comparação.
Existe ainda o Mercedes-AMG GT 63 S E Performance, que custa R$ 1.735.900 na tabela brasileira consultada e mostra como desempenho absoluto pode ser comprado por muito menos dinheiro neste nível de mercado.
O AMG combina um V8 biturbo com sistema híbrido plug-in para entregar 816 cv e 1.420 Nm, além de acelerar de 0 a 100 km/h em apenas 2,8 segundos.
Com 4.728 mm de comprimento, o Mercedes-AMG tem praticamente o mesmo porte externo do Aston Martin, embora sua tração integral e eletrificação representem uma filosofia técnica bastante diferente da configuração clássica de motor dianteiro e tração traseira do DB12 S.
A diferença de mais de R$ 1,7 milhão entre o Aston Martin e o Mercedes-AMG deixa claro que o cliente deste segmento não decide a compra apenas pela relação entre preço e desempenho.
No extremo superior aparece o Ferrari 12Cilindri, com V12 de 830 cv e preço sugerido de R$ 7,9 milhões, mostrando que o DB12 S permanece muito distante do teto financeiro dos grandes GT exóticos disponíveis no Brasil.
Minha avaliação é que o DB12 S encontra seu principal argumento no equilíbrio, oferecendo mais potência que o Ferrari Amalfi e uma configuração mecânica menos complexa que o AMG híbrido, mas mantendo exclusividade suficiente para justificar uma proposta muito além da simples comparação de cronômetro.
Para o comprador de um automóvel desse nível, a escolha será principalmente entre personalidade, tradição, exclusividade e filosofia de engenharia, e é justamente nesse conjunto que o Aston Martin tenta transformar os R$ 3,5 milhões em algo mais do que 700 cv.
Quer entender como engenharia, desempenho e posicionamento de mercado diferenciam os esportivos mais exclusivos que chegam ao Brasil? Acompanhe @tarcisiomecanicaonline nas redes sociais.
RETROVISOR MECÂNICA ONLINE® – ENTENDE O QUE ESTÁ POR TRÁS DA NOTÍCIA
Potência: o DB12 S eleva o V8 biturbo de 4,0 litros para 700 cv e mantém 800 Nm.
Desempenho: a marca brasileira informa 0 a 100 km/h em 3,4 segundos e máxima de 325 km/h.
Transmissão: o câmbio ZF de oito marchas recebe calibração para trocas mais rápidas.
Chassi: freios carbono-cerâmicos, diferencial eletrônico e suspensão adaptativa reforçam a proposta S.
Concorrência: Ferrari Amalfi e Mercedes-AMG GT representam alternativas com filosofias mecânicas e preços distintos.
Preço: o Coupé parte oficialmente de R$ 3,5 milhões, enquanto o primeiro exemplar aparece no estoque da concessionária por R$ 3,4 milhões.
MECÂNICA ONLINE® — MECÂNICA DO JEITO QUE VOCÊ ENTENDE
Massa não suspensa: peso de componentes como rodas e freios que se movimentam com a suspensão; reduzi-lo melhora a capacidade da roda de acompanhar o piso.
E-Diff: diferencial controlado eletronicamente que administra a distribuição de força entre as rodas traseiras para melhorar tração e estabilidade.
Freio carbono-cerâmico: utiliza materiais capazes de trabalhar em temperaturas muito elevadas com menor peso e elevada resistência à perda de eficiência.
Transaxle: arquitetura que posiciona a transmissão próxima ao eixo traseiro para melhorar a distribuição de peso do automóvel.
Grand tourer: esportivo desenvolvido para combinar alto desempenho, luxo e conforto suficiente para percorrer grandes distâncias.

