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Tudo que você queria saber sobre caminhão a gás e não tinha para quem perguntar

Sabe aquelas dúvidas que você tinha sobre o caminhão movido a gás? Vão acabar. Recentemente a revista Jornada Scania esclareceu as principais questões relacionadas e resolvi passar por aqui também, pois o caminhão a gás veio para ficar e transformar o transporte em um setor mais sustentável.

Eles já contabilizam inúmeros resultados e quilômetros de estradas. Já são muitos rodando pelo Brasil e contribuindo para a transformação do setor de transportes.

Os caminhões a gás podem utilizar o gás natural veicular (GNV) e/ou biometano.

Mas, muitas dúvidas ainda pairam no ar quando se trata do assunto. Motoristas, transportadores, embarcadores e mesmo leitores interessados no assunto poderão conferir mais detalhes do modelo e tirar suas dúvidas. Vamos lá?

Qual é a capacidade do caminhão a gás? – A quantidade e a capacidade dos cilindros e tanques serão especificadas de acordo com a necessidade de autonomia para cada operação. As capacidades de armazenamento do gás em cilindros disponíveis são de 760, 852 e 944 litros. Para os tanques são de 758 e 1100 litros.

Quanto de gás cabe dentro do cilindro? – Isso dependerá da temperatura e da capacidade de pressão do compressor no abastecimento. Para exemplificar, no caso dos cilindros com capacidade de 944 litros, consegue-se colocar entre 200 a 230 metros cúbicos de gás, mas novamente, varia com temperatura e pressão.

O caminhão a gás tem o mesmo torque e potência que um modelo a diesel. Por que isso acontece? – O caminhão a gás alcança torque bem parecido ao diesel na mesma faixa de potência. Isso ocorre porque o motor a gás é dedicado para este combustível, não é um motor a diesel transformado. Inclusive opera no ciclo Otto, ou seja, com velas de ignição. Dessa maneira toda a engenharia do motor como taxa de compressão, entrada e saídas de gases, entre outros aspectos, é específica para o gás, o que permite a excelente performance.

Qual a autonomia do caminhão movido a GNV? E a GNL? – Isso também varia em cada operação, mas na prática o GNV tem apresentado uma autonomia para uma capacidade de cilindros 944 litros ao redor de 500 km (com PBTC* de 53 toneladas) e para o GNL com tanques de 1100 litros ao redor de 1200 km.

Qual a eficiência no consumo de combustível em cada um dos modelos (GNV e GNL)? – Variará com cada aplicação, carga, rota, topografia, etc.

O caminhão a gás é 20% mais silencioso que o modelo a diesel. Por que isso acontece? – É uma característica do ciclo Otto, muito comum em automóveis e que foi utilizada no desenvolvimento deste modelo a gás.

Quais as diferenças entre o modelo GNV e o GNL? Somente o tipo de combustível? – O motor é exatamente o mesmo. Até o combustível é o mesmo, apenas apresentado em formas diferentes de armazenamento: gás e líquido.

Sabemos que muitos caminhões acabam sendo convertidos em um modelo a gás, assim como acontece com os carros de passeio. Quais os riscos dessa adaptação? – Na teoria, seguindo as normas, não há riscos na segurança, mas a performance é comprometida, pois o motor não foi projetado para este combustível.

O caminhão a gás já nasceu com a tecnologia do gás. Qual a diferença estrutural, então, além do combustível, para um veículo movido a diesel? – Motor, tanques, pneus, sistemas… tudo foi pensado e desenvolvido especificamente para essa aplicação. A diferença está basicamente na câmara de combustão, cabeçotes, entrada e saída de gases e toda a parte de tanques e válvulas.

Os custos de manutenção são os mesmos que de um modelo a diesel? – Deverão ser um pouco superiores, dadas as diferenças e necessidades específicas do modelo. Porém, a médio e longo prazo, a diferença se paga pela economia.

Por quanto tempo esse modelo ficará no mercado? Há uma expectativa? O modelo a gás vai ficar “obsoleto” quando os elétricos chegarem por aqui? – A Scania acredita que não há uma única solução quando se fala de combustíveis alternativos. O gás é uma delas e veio para ficar. No futuro, quando tecnologias como o elétrico chegarem, haverá lugar para o gás, seguindo o conceito de TMA (Taylor Made for Application) da Scania, que especifica o caminhão com o que for melhor para o cliente.

O caminhão a gás pode explodir? Qual a chance de uma explosão acontecer, se compararmos com um modelo a diesel? – Só há explosão se o gás se expandir muito rapidamente dentro de um confinamento. Para que isso não ocorra, todos os cilindros são equipados com válvulas de segurança para detectar anomalias na vazão, temperatura e pressão, e nesse caso liberar o gás e evitar explosão.

No caso de colisão e possível rompimento do cilindro (o que é realmente muito difícil de ocorrer), o gás será liberado e não haverá explosão. Se fosse um caminhão a diesel, o combustível escorreria e ficaria no chão, podendo se incendiar, o que nunca ocorrerá com o gás. Em muitos anos de experiência na Europa não há relatos de explosões por conta do sistema de gás. Resumindo, o caminhão a gás é pelo menos tão seguro quanto o diesel, senão até mais.

E o liquefeito? Vale o mesmo quando se pensa na segurança do modelo? – O gás liquefeito está a temperatura de -163ºC. Em caso de contato com a atmosfera, imediatamente entrará na forma gasosa e vai também para a atmosfera, eliminando qualquer risco de incêndio ou explosão, se não estiver em ambiente muito confinado.

O gás que abastece um caminhão é o mesmo que o gás de cozinha? – No caso de gás encanado sim. O botijão é outro tipo.

Quais os principais pontos de abastecimento no Brasil? – Praticamente as regiões Sul, Sudeste e grande parte do Nordeste, as capitais mais importantes, já estão cobertas. Toda a costa brasileira também. É importante lembrar que a demanda gera a oferta, ou seja, com o crescimento das vendas, mais agentes vão começar a surgir na distribuição do abastecimento.

Tarcisio Diashttps://www.mecanicaonline.com.br
Gerente de conteúdo do Mecânica Online®, Tarcisio Dias é responsável também pela área de cursos e CDs interativos. Possui formação em engenharia Mecânica com habilitação em Mecatrônica pela Universidade de Pernambuco, formação técnica em mecânica pela Escola Técnica Federal de Pernambuco (CEFET/PE) e profissional em Mecânica Automotiva de Motores Diesel no Centro de Formação Profissional de Jaboatão dos Guararapes – RFFSA acordo SENAI. Também possui formação como Radialista – Locutor/entrevistador.
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