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O que precisa ser feito na infraestrutura de um país para que consiga rodar com 1 milhão de carros elétricos?

Embora os veículos eletrificados esbanjem conveniência com a possibilidade de serem recarregados na garagem de casa, durante à noite (enquanto seus proprietários descansam), ou até mesmo no trabalho, isso não quer dizer que o país não deve superar a falta de eletropostos.

*Por Thiago Freire, sócio-fundador da Boram Eletric Motors – Muito bem consolidados no mercado automotivo americano, europeu e chinês, os carros elétricos e híbridos também já são uma realidade no Brasil. Ainda que o segmento ocupe as ruas brasileiras a uma velocidade bem mais lenta em comparação com o exterior, pesquisas não faltam para indicar que a mobilidade do futuro (já presente) vem conquistando espaço por aqui e ganhando mais consumidores ávidos por veículos não poluentes e sustentáveis. Por outro lado, essa ampla adesão enfrenta ainda alguns obstáculos, como a falta de infraestrutura.

Os pontos de recarga ainda são escassos no Brasil. Embora os veículos eletrificados esbanjem conveniência com a possibilidade de serem recarregados na garagem de casa, durante à noite (enquanto seus proprietários descansam), ou até mesmo no trabalho, isso não quer dizer que o país não deve superar a falta de eletropostos, por exemplo.

Uma coisa é a mudança da cultura do “abastecimento” – hoje os usuários de veículos a combustão abastecem seus carros em postos de combustíveis durante qualquer percurso e os adeptos aos modelos elétricos vão “abastecê-los” antes ou após os trajetos – outra é o Brasil ainda não acompanhar e favorecer o desenvolvimento para a tecnologia deslanchar de vez em território nacional. Portanto, governo, indústria e instituições privadas precisam mais do que nunca trabalhar lado a lado rumo à criação de projetos capazes de ampliar a estrutura voltada ao segmento.

O ano de 2022, por exemplo, fechou com números muito representativos para o setor no país. Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), foram 49.245 unidades emplacadas (entre modelos híbridos, híbridos plug-in e elétricos); um market share de 2,5% em relação ao total de emplacamentos domésticos no mesmo período (1.957.699) e uma frota eletrificada total circulante de 126.504 veículos. Trata-se de um crescimento de 41% na comparação com o ano anterior, quando 34.990 veículos ganharam oficialmente as estradas.

Ainda de acordo com dados da ABVE, em 2020, os veículos 100% elétricos representavam 4% do total de eletrificados (801, sobre 19.745). Em 2021, essa participação pulou para 8% (2.851, sobre 34.990) e, em 2022, atingiu a participação recorde de 17% (8.458, sobre 49.245) – mais que o dobro do ano anterior.

Frente à expansão em cena, a CPFL Energia, um dos maiores grupos privados do setor elétrico brasileiro, prevê que serão necessários 80 mil eletropostos públicos até 2030 para acompanhar o ritmo de crescimento do mercado. No cenário traçado pela companhia, a frota de carros elétricos puros e híbridos plug-in no Brasil deve alcançar 2 milhões de unidades em circulação. A estimativa faz parte das conclusões de um projeto de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) da companhia que analisou o impacto da mobilidade elétrica para o setor elétrico brasileiro.

Diante de todo esse contexto, além dos locais públicos, os ambientes corporativos e grandes centros comerciais, como shoppings e supermercados, devem mudar, definitivamente, a chavinha da combustão e vislumbrar uma frota cada vez mais verde e eletrificada.

Com isso, a mobilidade elétrica também chega para contribuir com novos modelos de negócios, como a operação de eletropostos, o compartilhamento de veículos (car sharing), táxis elétricos, second life para baterias (reutilização), utilização de veículo como fonte de geração distribuída, seguros para veículos elétricos, entre outros produtos e serviços.

*Thiago Freire é sócio-fundador da Boram Eletric Motors 

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