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Congresso aprova nova forma de transferência de veículos e especialistas alertam para aumento do risco ao consumidor

Mudança permite transferência totalmente digital com validação por empresas privadas, em um cenário de 700 milhões de ataques cibernéticos por ano no Brasil.

A derrubada do veto presidencial à Lei 15.153/2025 abriu caminho para que Detrans realizem transferências de veículos por plataformas digitais privadas, ampliando riscos de fraudes, golpes e vulnerabilidades em um país que registrou 700 milhões de tentativas de ataques cibernéticos em 2024.

O Congresso Nacional derrubou, em 4 de dezembro, o veto que barrava trechos adicionados ao projeto original da lei. O texto inicial tratava apenas da destinação de recursos de multas para financiar a CNH Social, mas recebeu emendas “jabuti” que alteraram profundamente o processo de transferência de veículos no Brasil.

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Com a mudança, os Detrans poderão permitir que a transferência de propriedade seja feita totalmente online, com autenticação de documentos e assinaturas digitais validadas por empresas privadas, sem a necessidade de cartórios ou vistoria presencial obrigatória.

Especialistas afirmam que a medida representa um retrocesso na proteção ao consumidor, ampliando riscos de estelionato, falsidade ideológica, clonagem, adulteração de veículos, invasão de dispositivos e vazamento de dados. A possibilidade de acesso malicioso à conta gov.br também preocupa.

Para o professor Marcelo Graglia, da PUC-SP, pós-doutor em inteligência artificial, o momento é especialmente crítico: “Quando a IA já permite simulações quase indistinguíveis da realidade, é um risco desnecessário abolir a intermediação de cartórios e a vistoria presencial.”

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O governo federal havia vetado o trecho por considerar que a mudança poderia fragmentar a infraestrutura nacional de assinaturas eletrônicas, criando sistemas incompatíveis entre estados e reduzindo padrões mínimos de segurança.

Com a derrubada do veto, a responsabilidade regulatória passa a ser da Senatran, do Contran e dos Detrans, que definirão como cada etapa será digitalizada. Isso significa que cada estado poderá adotar regras próprias, criando um mosaico de procedimentos.

O advogado Daniel Santos Garroux, presidente do IBDEPS, alerta que a falta de uniformidade aumenta o risco: “Cada estado agirá de uma forma, expondo a população a graus distintos de risco e dificultando a troca de informações em tempo real, o que facilita ilícitos.”

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A mudança também pressiona empresas de tecnologia — públicas e privadas — que terão de garantir segurança em processos que envolvem biometria, reconhecimento de imagem, vídeos, formulários e compartilhamento de dados sensíveis.

Garroux destaca ainda que plataformas privadas, muitas sediadas no exterior, não oferecem garantias de responsabilização: “O consumidor não terá como responsabilizar empresas estrangeiras por falhas. Já os notários respondem pessoalmente pelos atos que praticam.”

O cenário é agravado pelo aumento dos crimes digitais. Segundo a Associação de Defesa de Dados Pessoais e do Consumidor (ADDP), o Brasil é o segundo país do mundo em ataques cibernéticos, com 700 milhões de tentativas por ano — cerca de 1.379 por minuto. Em 2025, foram registrados 28 milhões de golpes envolvendo Pix, além de fraudes em compras online e aplicativos de mensagens.

A evolução das ferramentas de IA, capazes de gerar deepfakes altamente realistas, torna o ambiente ainda mais vulnerável. Influenciadores da área têm demonstrado como imagens e vídeos sintéticos podem enganar até usuários experientes.

Diante desse cenário, Garroux conclui: “Não é razoável flexibilizar tanto o controle sobre a vontade real de transferência ou venda de um veículo. A autenticidade da documentação e do carro vistoriado pode se tornar uma incerteza perigosa.”

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Vistoria presencial
Inspeção física realizada por empresa credenciada para verificar autenticidade do veículo, número de chassi, motor e integridade estrutural. É uma das principais barreiras contra clonagem e adulteração.

Assinatura digital qualificada
Assinatura eletrônica com certificação ICP-Brasil, que garante identidade, validade jurídica e rastreabilidade. A flexibilização para assinaturas privadas reduz o nível de segurança.

Deepfake
Conteúdo audiovisual gerado por inteligência artificial capaz de simular rostos, vozes e movimentos com alto realismo, sendo usado em golpes e fraudes digitais.

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