O setor automotivo brasileiro encerrou março de 2026 com indicadores de crescimento que superaram as expectativas mais otimistas da indústria. Segundo dados da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (ANEF), o segmento de automóveis zero quilômetro registrou uma alta expressiva de 46,8% em relação a fevereiro. Esse movimento foi sustentado pela consolidação das fabricantes chinesas, que ampliaram a oferta de modelos eletrificados, e pelos primeiros reflexos práticos do programa Mover, que injetou liquidez e previsibilidade para novos investimentos em tecnologia e sustentabilidade.
A hegemonia da Fiat Strada permanece inabalada no topo do ranking de emplacamentos, somando 16.706 unidades comercializadas apenas em março.
No segmento de veículos pesados, o aporte de R$ 10 bilhões via programa Mover resultou em um crescimento de 32,5% nas vendas de caminhões e ônibus.
O Volvo FH consolidou sua liderança técnica entre os extrapesados, registrando 1.034 emplacamentos e reafirmando a preferência dos transportadores pela robustez.
Regionalmente, o Sudeste continua a ditar o ritmo do mercado nacional, concentrando 44% de todo o volume de negócios automotivos do país.
Mesmo com a Taxa Selic fixada em 14,75%, o saldo da carteira de crédito automotivo atingiu o patamar recorde de R$ 550 bilhões em março.
As concessões mensais de crédito chegaram a R$ 23,3 bilhões, sinalizando que as instituições financeiras mantêm a torneira aberta para o setor.
Contudo, a inadimplência acima de 90 dias para pessoas físicas fixou-se em 5,55%, exigindo um rigor técnico maior nas análises de score de crédito.
O mercado de seminovos acompanhou a tendência positiva com alta de 22,8%, embora o ritmo diário de vendas tenha apresentado estabilidade.
Para o engenheiro e gestor de frota, a estabilidade de apenas 0,5% no volume por dia útil nos usados indica um mercado em fase de acomodação de preços.
A Honda mantém o domínio absoluto no setor de duas rodas, ocupando sete das dez primeiras posições no ranking de motocicletas mais vendidas.
A análise técnica da ANEF aponta que os conflitos no Oriente Médio são o principal fator de risco externo para a manutenção do preço dos combustíveis.
A volatilidade internacional pode afetar a confiança do consumidor, alterando a balança entre a compra de veículos a combustão ou eletrificados.
O programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação) tem sido o catalisador para que montadoras instalem novos centros de montagem de baterias no país.
Essa política industrial fomenta a descarbonização e incentiva a produção de componentes com maior valor agregado em solo brasileiro.
O fechamento do trimestre aponta um 2026 de retomada vigorosa, sustentado por uma oferta diversificada e maior competitividade entre as marcas.
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- Programa Mover: Iniciativa governamental que substituiu o Rota 2030, focada em incentivos fiscais para empresas que investem em descarbonização e eficiência energética.
- Taxa Selic: Taxa básica de juros da economia brasileira, utilizada pelo Banco Central como ferramenta para controlar a inflação e influenciar o custo do crédito.
- Inadimplência: Percentual de contratos de financiamento com parcelas em atraso; no setor automotivo, é monitorada de perto para definir o risco das operações.
