A plataforma tecnológica Civitas, desenvolvida pela Prefeitura do Rio de Janeiro, monitora até 10 milhões de placas diariamente por meio de 12 mil câmeras inteligentes, alcançando 100% de precisão nos 573 veículos identificados com indícios de clonagem mecânica e adulteração de identificação.
A modernização dos sistemas de segurança pública e monitoramento viário urbano atinge um patamar disruptivo na capital fluminense através da consolidação operacional da Civitas.
A Central de Inteligência, Vigilância e Tecnologia em Apoio à Segurança Pública (Civitas), coordenada pela Prefeitura do Rio de Janeiro, vem transformando a dinâmica de combate ao crime veicular.
Um levantamento estatístico detalhado realizado pelo órgão revelou um dado alarmante para a segurança viária: um a cada cinco veículos monitorados pelo sistema apresenta fortes indícios de ser clonado.
O núcleo dessa engenharia de monitoramento é o chamado Cerco Eletrônico, uma ferramenta automatizada capaz de rastrear, catalogar e cruzar dados de circulação em tempo real pelas vias da cidade.
O acionamento do rastreamento de alvos específicos ocorre de forma documental, mediante a emissão de ofícios emitidos por autoridades policiais judiciárias ou órgãos magistrados competentes.
Assim que os caracteres identificadores de uma placa são inseridos no banco de dados ativo do sistema, uma rede composta por 12 mil câmeras de vigilância inicia a busca automatizada.
Para realizar a triagem analítica e apontar fraudes de clonagem mecânica, o software embarcado da Civitas recorre a uma regra matemática simples vinculada às leis da física automotiva.
O algoritmo do Cerco Eletrônico calcula o tempo decorrido e a distância geográfica exata entre duas câmeras distintas que registraram a mesma identificação veicular em um curto intervalo.
Caso o cálculo aponte que o automóvel teria de desenvolver uma velocidade média superior a 110 km/h em perímetro urbano para cobrir o trajeto, um alerta de inconsistência é gerado.
Foi essa lógica matemática que detectou um veículo circulando simultaneamente pelo bairro do Leblon, na Zona Sul, e pela Ilha do Governador, na Zona Norte, simulando uma velocidade impossível de 1.242 km/h.
Até o momento, a tecnologia permitiu a identificação precisa de 573 veículos clonados, registrando uma taxa de 100% de acerto nas abordagens físicas executadas pelas forças policiais de campo.
Atualmente, o sistema mantém o monitoramento simultâneo e ininterrupto de 321 veículos sob suspeita ativa ou vinculados a investigações de fraudes e delitos rodoviários.
A capacidade de processamento de dados da central impressiona pelos números superlativos, alcançando a marca de até 10 milhões de placas lidas a cada dia útil de operação na metrópole.
Quando ocorre o cruzamento positivo de dados, o sistema emite um alerta sonoro na base operacional e envia as coordenadas geográficas exatas via telemetria para os investigadores responsáveis.
Em uma operação recente coordenada pela 15ª DP (Gávea), o monitoramento gerou 451 alertas de movimentação de uma única placa clonada utilizada por uma quadrilha em fuga na Zona Sul.
O cruzamento analítico apontou que o veículo suspeito circulou pela Lagoa Rodrigo de Freitas e por Botafogo em tempos que exigiriam uma velocidade média incompatível de 165 km/h.
A precisão dos alertas emitidos pelas telas de controle permitiu o cerco tático imediato e a prisão em flagrante do condutor foragido em uma via de grande fluxo no bairro de Botafogo.
Em outro desdobramento, conduzido pela 18ª DP (Praça da Bandeira), o rastreamento localizou um veículo utilitário do tipo Pajero clonado trafegando pela Estrada do Galeão, interceptando o transporte de ilícitos.
A versatilidade da ferramenta também viabilizou a criação de um módulo específico pela equipe de desenvolvedores para cruzar dados de recorrência temporal em locais com altos índices de furtos na Cidade Universitária.
A inteligência algorítmica filtrou quais veículos de apoio de placas clonadas apareciam repetidamente nos mesmos horários das ocorrências, desmantelando uma quadrilha de roubo de componentes.
“O papel da tecnologia Civitas demonstra que a engenharia de dados e o monitoramento inteligente são indispensáveis para otimizar a resposta tática e gerar evidências técnicas incontestáveis”, destaca Tarcisio Dias, editor do Mecânica Online®. Para acompanhar as inovações em tecnologia aplicada à mobilidade e segurança viária, siga @tarcisiomecanicaonline nas redes sociais.
Como metas de expansão tecnológica para os próximos dois anos, a administração municipal planeja duplicar o parque tecnológico de captação de imagens, saltando para 25 mil câmeras inteligentes.
Paralelamente, está em fase avançada de testes de campo o treinamento de algoritmos de inteligência artificial (IA) dedicados à descrição semântica e detalhada de objetos e características visuais periféricas.
No último período de avaliações, o novo motor de IA obteve sucesso ao catalogar 1,6 milhão de objetos, exibindo um índice de confiabilidade técnica e assertividade estabelecido em 88%.
Com a consolidação do sistema de cerco digital, a infraestrutura urbana eleva seu patamar de vigilância ativa, inviabilizando a circulação impune de matrizes clonadas e frotas adulteradas.
• Plataforma Tecnológica: Central de Inteligência, Vigilância e Tecnologia (Civitas)
• Infraestrutura Atual: 12.000 câmeras de monitoramento distribuídas em pontos estratégicos
• Metas de Expansão: Ampliação do parque tecnológico para 25.000 câmeras inteligentes em dois anos
• Capacidade de Processamento: Leitura automatizada de até 10.000.000 de placas por dia útil
• Veículos Identificados: 573 unidades com confirmação de fraude mecânica ou adulteração de chassi
• Monitoramento Ativo: 321 alvos cadastrados em tempo real via solicitações por ofícios documentais
• Algoritmo de Detecção: Cálculo físico de velocidade média com gatilho de alerta estipulado acima de 110 km/h
• Precisão do Sistema: 100% de assertividade nas interceptações e abordagens efetuadas pelas forças policiais
• Inovação em Testes: Módulo de inteligência artificial para descrição semântica de imagens com 88% de acerto em 1,6 milhão de objetos
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Cerco Eletrônico – Infraestrutura tecnológica baseada em câmeras com leitura automática de placas (OCR) integradas a softwares de análise de dados, utilizada para monitorar o fluxo viário e identificar veículos roubados ou irregulares.
Clonagem veicular – Prática delituosa que consiste na adulteração dos elementos de identificação de um veículo (como placas, numeração de chassi e vidros) para reproduzir as características de outro automóvel legalizado e de mesmas características.
Telemetria de dados – Processo tecnológico de coleta, conversão e transmissão sem fio de informações técnicas e coordenadas geográficas em tempo real a partir de pontos de leitura remotos para uma central de processamento de dados.

