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Honda supera 10 milhões de motos Flex no Brasil e confirma uma inovação que nasceu para o mercado brasileiro

A tecnologia FlexOne, lançada em 2009 na CG 150 Titan Mix, transformou a relação do motociclista com o abastecimento e consolidou o Brasil como referência mundial em motocicletas bicombustível produzidas em larga escala.

Ao ultrapassar a marca de 10 milhões de motocicletas Flex produzidas no Brasil, a Honda celebra não apenas um volume expressivo de fabricação, mas a consolidação de uma tecnologia desenvolvida especificamente para a realidade brasileira. Lançado em 2009, o sistema FlexOne antecipou uma tendência de sustentabilidade e flexibilidade de abastecimento que permanece atual mesmo diante da eletrificação da mobilidade.

A Honda Motos atingiu um marco histórico ao ultrapassar a produção de 10 milhões de motocicletas equipadas com a tecnologia FlexOne no Brasil. O número reforça o protagonismo da operação brasileira da fabricante no desenvolvimento de soluções específicas para um mercado que possui uma das maiores frotas de motocicletas do mundo e ampla disponibilidade de etanol.

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O feito também demonstra como uma tecnologia inicialmente vista como uma adaptação ao mercado local acabou se transformando em uma referência mundial. Em 2009, a CG 150 Titan Mix tornou-se a primeira motocicleta produzida em larga escala capaz de funcionar com gasolina, etanol ou qualquer proporção entre os dois combustíveis.

Na época, o lançamento representou um desafio de engenharia considerável. Diferentemente dos automóveis, as motocicletas possuem espaço extremamente limitado para componentes eletrônicos e sistemas auxiliares, exigindo soluções compactas e altamente confiáveis.

O Mecânica Online® acompanhou de perto o nascimento dessa tecnologia, desde sua apresentação aos jornalistas especializados até os primeiros testes práticos realizados com a CG 150 Titan Mix. Naquele momento, já era possível perceber que não se tratava apenas de uma inovação comercial, mas de um importante avanço da engenharia desenvolvida no Brasil.

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O sistema FlexOne foi projetado para identificar automaticamente a proporção de etanol e gasolina presente no tanque, ajustando parâmetros da injeção eletrônica e do tempo de ignição para manter o funcionamento adequado do motor.

Ao contrário do que muitos imaginam, o sistema não utiliza sensores específicos para identificar diretamente o combustível. A central eletrônica interpreta diversas informações fornecidas por sensores do motor, como temperatura, rotação, posição do acelerador e comportamento da combustão, recalibrando continuamente a estratégia de funcionamento.

Essa inteligência eletrônica permite que o motociclista abasteça com qualquer mistura entre gasolina e etanol sem necessidade de qualquer intervenção manual.

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Outro desafio importante foi garantir partidas confiáveis utilizando etanol em temperaturas mais baixas, característica que exigiu o desenvolvimento de soluções específicas para motocicletas.

Ao longo dos anos, a tecnologia evoluiu significativamente, incorporando melhorias na calibração eletrônica, maior eficiência energética e redução das emissões de poluentes.

Hoje, aproximadamente 65% da linha nacional da Honda utiliza o sistema FlexOne, presente em modelos que atendem desde o uso urbano até aplicações mistas e recreativas.

Atualmente, a tecnologia equipa as motocicletas Biz 125, CG 160 Fan, CG 160 Titan, CG 160 Cargo, NXR 160 Bros, CB 300F Twister, XRE 190, XRE 300 Sahara e XR 300L Tornado.

A ampla adoção do sistema demonstra uma característica particular do mercado brasileiro. Enquanto diversos países caminham diretamente para a eletrificação das motocicletas, o Brasil ainda possui no etanol uma alternativa renovável capaz de reduzir significativamente as emissões de carbono sem exigir mudanças estruturais na infraestrutura de abastecimento.

Do ponto de vista ambiental, essa estratégia acompanha uma tendência cada vez mais valorizada mundialmente: utilizar combustíveis de origem renovável para reduzir emissões durante a transição energética.

Embora veículos elétricos representem o futuro em muitos segmentos, os combustíveis renováveis continuam desempenhando papel importante em mercados onde a infraestrutura elétrica ainda está em desenvolvimento.

Sob a ótica do consumidor, a principal vantagem permanece sendo a liberdade de escolha. O motociclista pode optar pelo combustível economicamente mais vantajoso em cada momento, considerando preços regionais e disponibilidade.

Naturalmente, existem diferenças de consumo entre gasolina e etanol. Como o etanol possui menor densidade energética, o consumo volumétrico costuma ser superior. Em compensação, quando seu preço representa aproximadamente até 70% do valor da gasolina, normalmente torna-se financeiramente mais vantajoso.

Além do aspecto econômico, o etanol produzido no Brasil apresenta uma das menores pegadas de carbono entre os combustíveis líquidos disponíveis comercialmente, fortalecendo seu papel na estratégia nacional de descarbonização.

A produção das motocicletas ocorre no Polo Industrial de Manaus, que se consolidou como um dos maiores centros mundiais de fabricação de motocicletas da Honda.

Mesmo diante do avanço da eletrificação, a fabricante demonstra que continuará investindo na evolução dos motores de combustão de alta eficiência, especialmente quando associados aos biocombustíveis brasileiros.

A tendência para os próximos anos é que tecnologias eletrônicas cada vez mais sofisticadas permitam motores menores, mais eficientes e com emissões ainda mais reduzidas, mantendo o etanol como um importante aliado na transição para uma mobilidade de baixo carbono.

Ao completar 10 milhões de motocicletas Flex, a Honda reafirma um legado que vai além dos números. A tecnologia desenvolvida no Brasil mostrou que inovação também pode surgir da adaptação inteligente às características locais, criando uma solução que permanece atual mais de quinze anos após seu lançamento — Tarcisio Dias, Editor do Mecânica Online®.

Para acompanhar os bastidores do desenvolvimento automotivo e análises exclusivas do setor, siga @tarcisiomecanicaonline nas redes sociais.

Marco histórico: mais de 10 milhões de motocicletas Flex produzidas no Brasil.
Primeiro modelo: CG 150 Titan Mix, lançada em 2009, primeira motocicleta Flex produzida em larga escala no mundo.
Linha atual: tecnologia presente em nove modelos produzidos em Manaus.
Cobertura: cerca de 65% da produção nacional da Honda utiliza o sistema FlexOne.
Combustíveis: funcionamento com gasolina, etanol ou qualquer mistura entre ambos.
Benefícios: maior flexibilidade de abastecimento, redução potencial das emissões de CO₂ e adaptação às condições do mercado brasileiro.

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Sistema FlexOne – Tecnologia que ajusta automaticamente o funcionamento do motor para operar com gasolina, etanol ou qualquer proporção entre os dois combustíveis.

Injeção eletrônica – Sistema que controla a quantidade de combustível e o momento da ignição, garantindo melhor desempenho, economia e menores emissões.

Biocombustível – Combustível produzido a partir de matérias-primas renováveis, como a cana-de-açúcar, contribuindo para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

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