A Hyundai iniciou uma importante atualização técnica em seu motor 1.0 TGDI, que passará de 120 cv para 115 cv nos modelos comercializados no Brasil. A alteração está diretamente ligada às novas exigências ambientais do Proconve L8, fase mais rigorosa do programa brasileiro de controle de emissões, que entra em vigor em janeiro de 2027. Apesar da redução de potência, o torque de 17,5 kgfm permanece inalterado, preservando o comportamento dinâmico dos veículos no dia a dia.
A mudança já estreou no Hyundai i20 e será gradualmente incorporada às linhas HB20 e Creta equipadas com o motor 1.0 TGDI de três cilindros, turbo e injeção direta.
Embora o número de potência tenha diminuído de 120 cv para 115 cv, a alteração não representa uma limitação mecânica do motor. Na prática, trata-se de uma nova calibração eletrônica desenvolvida para cumprir os limites mais severos de emissões exigidos pelo Proconve L8.
O principal desafio está relacionado à redução dos óxidos de nitrogênio (NOx), um dos poluentes mais difíceis de controlar nos motores modernos a combustão. Esses gases são produzidos principalmente em situações de alta carga e elevadas temperaturas de combustão, justamente quando o motor opera próximo da potência máxima.
Para manter os 120 cv, o motor trabalhava em uma faixa bastante próxima dos limites térmicos ideais. Com a chegada das novas regras ambientais, os engenheiros precisaram revisar o gerenciamento eletrônico para reduzir a formação desses poluentes.
Uma das estratégias adotadas envolve alterações no avanço de ignição. A centelha passa a ocorrer ligeiramente mais tarde em determinadas condições de funcionamento, reduzindo a temperatura e a pressão máximas dentro da câmara de combustão.
Outra medida está relacionada ao ajuste da mistura ar-combustível. Em regimes de alta rotação, a calibração passa a priorizar a eficiência ambiental e o desempenho do sistema de pós-tratamento dos gases, em vez da obtenção da potência máxima absoluta.
Essas mudanças contribuem para manter os gases de escapamento dentro das condições ideais de funcionamento do catalisador, componente responsável por converter grande parte dos poluentes em substâncias menos nocivas.
Os catalisadores atuais trabalham em uma janela extremamente restrita de temperatura e composição química. Quando submetidos a volumes elevados de gases muito quentes, podem perder eficiência ou até ultrapassar os limites de emissões estabelecidos pelas novas regulamentações.
Por esse motivo, reduzir ligeiramente a potência máxima tornou-se uma solução mais eficiente e economicamente viável do que adotar sistemas mais complexos de eletrificação.
O aspecto mais importante para o consumidor é que o torque máximo de 17,5 kgfm permanece disponível a apenas 1.500 rpm, exatamente na faixa mais utilizada durante a condução urbana e nas retomadas de velocidade.
Na prática, isso significa que o motorista dificilmente perceberá diferenças significativas no trânsito cotidiano, já que a sensação de agilidade está muito mais associada ao torque em baixas rotações do que à potência máxima alcançada em regimes elevados.
O movimento da Hyundai não é isolado. A Chevrolet já realizou processo semelhante em motores compactos turbo utilizados por modelos como Onix e Tracker, que também passaram por recalibrações para atender às futuras exigências ambientais.
Com isso, a faixa entre 115 cv e 116 cv começa a se consolidar como um novo padrão técnico para motores 1.0 turbo de três cilindros vendidos no mercado brasileiro.
Essa tendência demonstra que a indústria busca prolongar a vida útil dos motores a combustão interna sem recorrer imediatamente a sistemas híbridos mais sofisticados, que elevam significativamente os custos de produção.
A estratégia permite que modelos compactos e SUVs de entrada continuem competitivos em preço, ao mesmo tempo em que cumprem as exigências ambientais previstas para os próximos anos.
Para os consumidores, o resultado é um equilíbrio entre eficiência energética, redução de emissões e manutenção da dirigibilidade, características fundamentais para a permanência dos motores turbo compactos no mercado nacional.
“A redução de potência observada nos motores turbo compactos não representa um retrocesso tecnológico. Pelo contrário, mostra o nível de sofisticação que a engenharia atual alcançou para equilibrar desempenho, eficiência energética e emissões. O consumidor continuará encontrando a mesma resposta nas acelerações do dia a dia, mas com um motor preparado para atender às exigências ambientais que definirão a próxima década da indústria automotiva.” — Tarcisio Dias, Editor do Mecânica Online®
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• Motor: 1.0 TGDI, três cilindros, turbo e injeção direta
• Potência anterior: 120 cv
• Nova potência: 115 cv
• Torque: 17,5 kgfm a 1.500 rpm
• Aplicação inicial: Hyundai i20
• Próximos modelos: Hyundai HB20 e Hyundai Creta
• Motivo da alteração: adequação ao Proconve L8
• Entrada em vigor do Proconve L8: janeiro de 2027
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Proconve L8 – Nova fase da legislação brasileira que reduz os limites permitidos para emissões veiculares.
NOx (Óxidos de Nitrogênio) – Poluentes gerados durante a combustão em altas temperaturas, associados à poluição atmosférica.
Catalisador – Componente do escapamento responsável por transformar gases poluentes em substâncias menos agressivas ao meio ambiente.

