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Seguro de carro elétrico ainda custa mais? Dolphin ajuda a entender o peso da eletrificação na apólice

Levantamento da Creditas Seguros mostra que o BYD Dolphin teve apólice média de R$ 2.669,13 para homens e R$ 2.308,76 para mulheres em agosto, enquanto o Dolphin Mini ficou em R$ 2.261,47 e R$ 2.090,86; custo de peças, reparabilidade e maturação do mercado ajudam a explicar por que eletrificados permanecem entre os seguros mais caros do ranking.

Comprar um carro elétrico pode reduzir gastos com combustível e manutenção mecânica, mas existe outro componente do custo de propriedade que precisa entrar na conta: o seguro. Mesmo com uma forte redução das cotações em agosto, modelos eletrificados permaneceram entre as apólices mais caras do levantamento da Creditas Seguros, mostrando que a decisão financeira não deve considerar somente quanto custa carregar a bateria.

A popularização dos carros elétricos e híbridos começa a colocar uma nova questão na mesa do consumidor brasileiro. Depois de preço, autonomia, recarga e valor de revenda, é preciso observar quanto será gasto anualmente para proteger o veículo.

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Os números de agosto ajudam a dimensionar essa diferença. O BYD Dolphin GS 180 EV, elétrico, apresentou seguro médio de R$ 2.669,13 para o perfil masculino e R$ 2.308,76 para o feminino. No mesmo levantamento, o Volkswagen Novo Polo Track registrou R$ 1.533,03 e R$ 1.422,82, respectivamente.

Isso significa que, considerando exclusivamente esses valores médios e perfis analisados, o seguro do Dolphin ficou aproximadamente 74% mais caro para homens e 62% mais caro para mulheres em relação ao Polo Track.

A comparação não significa que todo elétrico necessariamente terá seguro 60%, 70% ou qualquer percentual fixo acima de um automóvel convencional. Seguro é precificado de acordo com diversas variáveis, incluindo modelo, valor do veículo, perfil do motorista, localização, histórico de sinistros e critérios de cada seguradora.

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O próprio levantamento mostra como essas cotações podem mudar rapidamente. Entre julho e agosto, o seguro médio do Dolphin caiu 21,34% para homens, passando de R$ 3.393,14 para R$ 2.669,13. Para mulheres, a redução foi de 23,77%, de R$ 3.028,64 para R$ 2.308,76.

Mesmo depois dessa redução, porém, o elétrico continuou entre os modelos com seguros mais caros do ranking nacional.

Outro elétrico da BYD apresentou comportamento semelhante. O Dolphin Mini EV registrou em agosto valores médios de R$ 2.261,47 para homens e R$ 2.090,86 para mulheres.

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O levantamento também mostra que a eletrificação não deve ser analisada apenas pelo elétrico puro. O BYD Song Plus 1.5 híbrido apresentou a apólice mais cara entre os veículos considerados: R$ 3.600,84 para homens e R$ 3.563,09 para mulheres.

Logo atrás apareceu o GWM Haval H6, com R$ 3.213,35 e R$ 3.208,60, respectivamente. Os resultados colocaram quatro eletrificados — Song Plus, Haval H6, Dolphin e Dolphin Mini — entre os seguros de maior valor do ranking analisado.

Por que o seguro de um carro elétrico pode ser mais caro?

Segundo Marcelo Baseoti, gerente da Creditas Seguros, um dos fatores que mantêm elevado o prêmio de risco desses veículos é o custo de reposição de peças, associado a um mercado de elétricos que ainda está em processo de maturação no Brasil.

Existe uma diferença importante entre custo de manutenção e custo de reparação. Um automóvel elétrico possui uma arquitetura mecânica potencialmente mais simples na propulsão, eliminando componentes tradicionais como óleo do motor, velas, escapamento e diversos elementos associados ao motor a combustão.

Isso não significa, entretanto, que seja necessariamente barato reparar um elétrico depois de uma colisão. O seguro precisa considerar justamente quanto poderá custar devolver o veículo às condições anteriores a um sinistro, e não apenas quanto o proprietário gastará nas revisões periódicas.

Além da própria bateria de alta tensão, carros elétricos modernos podem reunir eletrônica de potência, inversores, sistemas sofisticados de gerenciamento térmico, sensores e componentes eletrônicos que precisam ser considerados na reparação.

Mas é importante evitar uma conclusão automática: bateria grande não significa necessariamente seguro caro, da mesma forma que um pequeno dano não significa que a bateria precisará ser substituída. O valor depende da extensão e localização do dano, da arquitetura do veículo e dos procedimentos estabelecidos para reparação.

Há ainda uma variável relacionada à escala. À medida que mais carros elétricos circulam, aumenta a quantidade de dados disponíveis para que as seguradoras compreendam frequência de sinistros, custo médio de reparação, disponibilidade de componentes e comportamento de cada modelo.

É justamente essa dinâmica que ajuda a explicar por que não existe um preço permanente para o seguro de um elétrico.

Quanto o preço pode variar de uma cidade para outra?

O Dolphin também demonstra a importância da localização. Para homens, as menores cotações encontradas em agosto foram São Paulo, com R$ 2.276,16; Florianópolis, com R$ 2.283,56; e Brasília, com R$ 2.529,27.

Para mulheres, os menores valores foram registrados em São Paulo, com R$ 2.178,46; Vitória, com R$ 2.214,08; e Porto Alegre, com R$ 2.217,49.

O levantamento considerou São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis, Recife, Goiânia, Porto Alegre, Brasília, Vitória e Salvador, utilizando perfis de homem e mulher, ambos com 33 anos e casados.

Portanto, esses números devem ser usados como referência de mercado, e não como uma cotação individual. O preço efetivamente apresentado ao proprietário pode ser diferente.

O seguro pode mudar a economia proporcionada pelo carro elétrico?

Esse é um cálculo que merece atenção antes da compra. A economia operacional de um elétrico costuma ser associada principalmente ao gasto energético e à menor quantidade de componentes mecânicos da propulsão sujeitos à manutenção.

Mas o consumidor precisa avaliar o custo total de propriedade. Isso inclui preço de aquisição, energia, manutenção, impostos, pneus, depreciação e seguro.

Imagine dois carros que atendam igualmente às necessidades do comprador. Se um deles economiza determinado valor por mês em energia, mas exige uma apólice anual significativamente mais cara, parte da economia operacional será absorvida pelo seguro.

Não significa que o elétrico deixará necessariamente de ser financeiramente vantajoso. Significa que a comparação precisa ser completa.

Antes de fechar a compra, portanto, existe uma medida bastante simples: faça a cotação do seguro antes de comprar o carro, utilizando exatamente seu perfil, CEP e as coberturas que pretende contratar.

O resultado pode ser tão importante para a decisão quanto saber a autonomia ou o tempo de recarga.

Mecânica Online® com Tarcisio Dias – O avanço dos carros elétricos está mudando também a maneira como precisamos calcular o custo de um automóvel. Durante décadas, boa parte da discussão sobre economia esteve concentrada em consumo de combustível e manutenção. Na eletrificação, o custo total de propriedade ganha ainda mais importância, porque algumas despesas diminuem enquanto outras podem assumir um peso maior.

O seguro é um excelente exemplo. O motor elétrico possui muito menos componentes móveis do que um conjunto convencional a combustão e elimina uma série de serviços periódicos. Isso pode favorecer os custos de manutenção, mas a seguradora está olhando para outro risco: quanto custa reparar o veículo depois de uma colisão, roubo ou outro evento coberto.

É nesse ponto que precisamos separar duas ideias que frequentemente são misturadas. Manutenção preventiva barata não significa necessariamente reparação de colisão barata. São custos completamente diferentes e podem seguir comportamentos igualmente distintos.

Nos elétricos, existe ainda a preocupação do consumidor com a bateria de alta tensão. Ela é um dos componentes mais caros do veículo, mas não devemos partir da ideia de que qualquer acidente exigirá sua substituição. A possibilidade de reparar componentes individualmente e os procedimentos definidos por cada fabricante podem ter influência importante sobre o custo do sinistro.

A reparabilidade, aliás, deverá ganhar cada vez mais importância. Um automóvel projetado para permitir substituição de componentes específicos, com boa disponibilidade de peças e uma rede preparada para realizar reparos, tende a apresentar uma situação diferente de outro que exija a substituição de grandes conjuntos depois de danos semelhantes.

Existe também o efeito da escala. Conforme aumenta a frota eletrificada, oficinas, concessionárias, fabricantes de componentes e seguradoras passam a acumular experiência. Mais carros circulando significam também mais dados sobre acidentes e custos reais de reparação, informação fundamental para precificar riscos.

A forte queda observada no Dolphin entre julho e agosto mostra como esse mercado ainda pode apresentar variações importantes. Uma redução superior a 20% em apenas um mês reforça que não devemos tratar o preço atual do seguro dos elétricos como uma característica imutável da tecnologia.

Outro aspecto interessante aparece quando observamos os híbridos. O Song Plus liderou o ranking de custo do seguro analisado, enquanto o Haval H6 apareceu logo depois. Portanto, a discussão não pode ser resumida simplesmente a “elétrico é caro para segurar”. Valor do automóvel, peças, tecnologia embarcada, histórico de sinistros e características específicas de cada modelo entram nessa conta.

Para quem está pensando em comprar um elétrico, minha recomendação prática é incluir o seguro na pesquisa desde o primeiro momento. Escolheu dois ou três modelos? Faça as cotações antes de assinar o pedido de compra. É uma informação que pode alterar significativamente o cálculo anual.

Também vale comparar coberturas equivalentes. Uma apólice mais barata pode oferecer franquia diferente ou proteções distintas. Comparar somente o valor final sem observar o conteúdo contratado pode produzir uma percepção errada sobre qual seguro realmente custa menos.

No final, o que interessa é quanto aquele carro custa para permanecer na garagem durante vários anos. Economia por quilômetro rodado é importante, mas não conta toda a história. Seguro, manutenção, energia, impostos e depreciação precisam estar na mesma planilha.

E uma provocação fica inevitável: se o mercado brasileiro de elétricos continuar aumentando de escala, com maior oferta de peças, oficinas especializadas e histórico de reparação, quanto dessa diferença atual no preço dos seguros continuará existindo daqui a alguns anos?

Para acompanhar os custos reais dos carros elétricos além da autonomia e do preço de compra, incluindo seguro, manutenção, recarga e novas tecnologias, siga @tarcisiomecanicaonline.

Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia

Eletrificados no topo – Song Plus, Haval H6, Dolphin e Dolphin Mini aparecem entre os modelos com seguros de maior valor no levantamento de agosto.

Dolphin mais barato em agosto – A apólice média caiu 21,34% para homens e 23,77% para mulheres em relação a julho.

Diferença relevante – Na comparação dos valores médios apresentados no estudo, o Dolphin ficou cerca de 74% acima do Polo Track para homens e 62% para mulheres.

Reparação pesa – O custo de reposição de peças é apontado como um dos fatores que ajudam a manter elevados os valores dos eletrificados.

Localização importa – As cotações apresentam diferenças entre as capitais pesquisadas, reforçando a necessidade de simulação individual.

Mercado em transformação – A entrada e saída de eletrificados entre os veículos mais vendidos altera a composição da amostra e pode influenciar a média mensal do levantamento.

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Prêmio do seguro – É o valor pago pelo cliente à seguradora para manter a cobertura contratada durante o período estabelecido na apólice.

Franquia – Parcela do custo de determinados reparos que fica sob responsabilidade do segurado quando ocorre um sinistro coberto.

Bateria de alta tensão – Conjunto que armazena a energia utilizada pelo sistema de propulsão do carro elétrico. É diferente da bateria convencional de 12 volts.

Custo total de propriedade – Soma dos gastos envolvidos em possuir e utilizar um automóvel, incluindo compra, energia ou combustível, seguro, manutenção, impostos e depreciação.

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