O mercado automotivo foi surpreendido por registros de patentes que trazem de volta as molas de lâmina — tradicionalmente associadas a picapes e caminhões — para o universo dos carros de passeio e esportivos. A Porsche estuda a tecnologia para viabilizar motores elétricos integrados às rodas, utilizando a mola para gerenciar o peso não suspenso adicional. Já a Stellantis foca na redução de custos e na otimização de espaço vertical em modelos compactos. A estratégia não é inédita em veículos de performance, como provam o Chevrolet Corvette e o Volvo XC90, mas as novas patentes elevam o conceito a um patamar de ajuste dinâmico superior.
Embora o senso comum associe o feixe de molas a veículos de carga, a Porsche e a Stellantis enxergam nessa tecnologia antiga uma solução para desafios modernos de engenharia mecatrônica.
As patentes revelam que a Porsche busca um sistema compacto para integrar motores elétricos dentro das rodas, algo que altera drasticamente a dinâmica de suspensão.
Diferente das molas helicoidais, o design das molas de lâmina permite diferentes pontos de montagem na carroceria, economizando espaço vertical.
Isso dá aos designers maior liberdade para criar silhuetas aerodinâmicas e melhora a segurança de pedestres ao permitir para-lamas com formatos otimizados.
A Stellantis, por sua vez, foca na redução de custos de produção e manutenção, visando aplicar o sistema em hatches e crossovers compactos.
O desafio histórico das molas de lâmina em carros leves sempre foi a rigidez excessiva e o curso vertical limitado, o que prejudica o conforto.
Para contornar isso, a Stellantis registrou novos suportes e buchas que permitem maior movimentação e amortecimento superior em comparação aos projetos de picapes.
Vale lembrar que o Volvo XC90 já utiliza feixes de molas transversais de poliuretano reforçado com fibra de vidro, eliminando a necessidade de barras estabilizadoras.
No caso do 911 GT3 ou futuros esportivos, a Porsche utilizaria a mola de lâmina para alterar a geometria da suspensão de forma mais precisa em altas cargas.
A aplicação de materiais compostos em vez de aço de alta resistência é a chave para reduzir o peso e manter a durabilidade do conjunto.
A eficiência do sistema também se reflete na redução de peças móveis, o que, em tese, simplifica o alinhamento e a manutenção a longo prazo.
Comparado a rivais que usam suspensão multilink convencional, o uso de lâminas transversais pode oferecer uma relação peso-potência mais favorável.
A engenharia da Porsche foca no raio de rolagem mais eficiente, garantindo que a dirigibilidade não seja sacrificada pelo uso de motores de cubo de roda.
Mesmo que patentes não garantam a produção em série, elas indicam que a indústria automotiva está revisitando conceitos clássicos sob uma nova ótica técnica.
Transformar uma tecnologia de “carroça” em um sistema de alta performance é o ápice da tradução da engenharia aplicada ao uso real.
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- Peso Não Suspenso: Massa de componentes que não são suportados pelas molas (rodas, motores de cubo, freios); quanto menor, mais rápida é a resposta da suspensão.
- Mola de Lâmina Transversal: Configuração onde a mola atravessa o subchassi conectando as duas rodas, agindo como elemento elástico e estabilizador simultaneamente.
- Geometria de Suspensão: Conjunto de ângulos e medidas que determinam como as rodas se movem e se posicionam em relação ao solo e à carroceria.

