A Ferrari registrou uma nova patente junto ao escritório norte-americano USPTO detalhando um sistema de braço de controle de suspensão projetado com pontos de deformação programada que se separam do chassi em impactos angulares frontais para aumentar os índices de segurança ativa e passiva de seus supercarros.
O desenvolvimento de soluções de engenharia voltadas para a integridade estrutural da cabine em veículos de alta performance ganha um novo contorno com o avanço de estudos de dinâmica veicular aplicados a cenários de acidentes severos.
Diferente das diretrizes tradicionais da indústria automobilística, que priorizam travas de retenção rígidas, os engenheiros de Maranello justificam que manter a roda fixa em colisões frontais oblíquas pode ser prejudicial à segurança dos ocupantes.
De acordo com o texto técnico revelado pela patente da Ferrari, os impactos em ângulo que atingem apenas uma das rodas geram forças assimétricas severas que direcionam o conjunto de liga leve contra a parede corta-fogo.
Esse vetor de força longitudinal empurra o pneu e o cubo de roda em direção ao habitáculo, provocando a deformação severa e o colapso parcial do chassi na região destinada ao posicionamento dos pés do condutor.
A preocupação técnica acompanha os protocolos rígidos estabelecidos por órgãos reguladores internacionais, como os testes de impacto com barreiras a 30° do FMVSS norte-americano e as avaliações de sobreposição parcial conduzidas pelo IIHS.
A inovação proposta elimina a necessidade de adicionar chapas de reforço pesadas na estrutura do monobloco, permitindo que os supercarros italianos sejam aprovados em crash tests severos sem comprometer a relação peso-potência.
O segredo mecatrônico do projeto consiste em uma modificação específica na geometria de ancoragem da borda frontal do braço de controle da suspensão junto às longarinas do chassi do automóvel.
A peça permanece cumprindo sua função dinâmica tradicional, articulando-se por meio de uma bucha elástica para absorver as oscilações do pavimento e conter os índices de vibração e aspereza (NVH) em lombadas e irregularidades.
A alteração concentra-se na barra de fixação que sustenta a bucha à carroceria, que recebeu um tratamento metalúrgico restrito para fragilizar o componente em dois pontos fracos específicos de ruptura.
Sob a ação de uma desaceleração brusca decorrente de um impacto frontal angular, esses pontos de sacrifício se rompem, permitindo que a ancoragem dianteira da suspensão se separe do chassi de maneira totalmente previsível.
“A patente da Ferrari introduz um conceito disruptivo de engenharia passiva que desafia o senso comum em prol da sobrevivência na cabine. Em vez de lutar contra a energia mecânica descomunal de um impacto em alta velocidade tentando segurar a roda no lugar, a mecatrônica de Maranello prefere direcionar essa força para ejetar o conjunto dinâmico para fora do arco de roda, impedindo de forma cirúrgica que braços de suspensão e discos de freio invadam o habitáculo e firam o condutor”, analisa Tarcisio Dias, Editor do Mecânica Online®.
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Com o desprendimento do ponto de ancoragem dianteiro, a força do impacto empurra a roda e os componentes associados para a porção externa do compartimento do para-lama.
Esse movimento afasta o conjunto mecânico pesado da trajetória de deformação da célula de sobrevivência, eliminando o risco de colapso estrutural das chapas de aço de alta resistência ou fibra de carbono.
O projeto assegura que os demais componentes periféricos da suspensão, incluindo as barras de direção e o ponto de fixação traseiro do braço, permaneçam acoplados à estrutura remanescente do supercarro.
Essa amarração parcial impede que o conjunto de roda, pneu e os freios de carbono-cerâmica se desprendam por completo do veículo, evitando que peças voem em direção a pedestres ou ao tráfego oposto da via.
O registro de patentes junto ao USPTO atua como um mecanismo de proteção de propriedade intelectual para futuras arquiteturas de supercarros híbridos e elétricos da marca.
A tecnologia demonstra como a engenharia automotiva purista consegue extrair soluções de segurança de alta eficácia através do gerenciamento inteligente da deformação programada de componentes.
A proposta abre uma nova era no desenvolvimento de suspensões esportivas, onde o comportamento de falha do material é calculado para atuar como um dispositivo de proteção.
Os novos supercarros da marca poderão, assim, atingir novos patamares de excelência em segurança em colisões sem que isso represente qualquer perda de agilidade e performance.
• Ruptura controlada de suspensão: Separação programada do ponto de ancoragem dianteiro do braço de controle sob forças extremas de desaceleração
• Pontos de fadiga programada: Inclusão de dois pontos específicos de fragilidade metalúrgica na barra de fixação para garantir o rompimento correto
• Preservação de massa do chassi: Solução de engenharia que dispensa o uso de reforços estruturais pesados na parede corta-fogo da cabine
• Ângulo de ensaio regulamentar: Alinhamento com as diretrizes do FMVSS para colisões contra barreiras fixas posicionadas em ângulo de 30°
• Velocidade de homologação básica: Atendimento aos requisitos de testes de impacto executados na faixa técnica de 48 km/h
• Retenção de componentes críticos: Manutenção do vínculo físico do conjunto de roda através de barras de direção e fixações traseiras da suspensão
• Mitigação de efeito projétil: Geometria projetada para evitar o desprendimento total de freios de carbono-cerâmica em direção à malha viária
• Absorção de frequências dinâmicas: Buchas de suspensão preservam a capacidade de pivotamento e isolamento de asperezas em uso cotidiano
• Vetor de ejeção periférica: Direcionamento da roda para a área externa do compartimento do para-lama após a falha mecânica da barra
• Compatibilidade de powertrain: Arquitetura de suspensão aplicável tanto em modelos com motor V12 térmico quanto em futuras plataformas elétricas
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Braço de controle (Bandeja) – Componente articulado da suspensão que conecta a manga de eixo ao chassi do veículo, permitindo o movimento vertical da roda para absorver as irregularidades da via e manter o alinhamento geométrico.
Deformação programada – Conceito de engenharia passiva em que determinadas áreas da estrutura do veículo são projetadas para se deformarem ou se romperem em caso de colisão, absorvendo a energia cinética do impacto e protegendo o habitáculo.
Propriedade intelectual – Conjunto de direitos legais que protegem as invenções, patentes e criações industriais de uma empresa, garantindo exclusividade de uso comercial e impedindo a cópia por concorrentes.


