Lucas di Grassi voltou a escrever seu nome na história da Fórmula E. Em uma corrida marcada por pista molhada, mudanças constantes de estratégia e intenso gerenciamento de energia, o brasileiro saiu da 18ª posição do grid para vencer o ePrix de Xangai, conquistando sua 14ª vitória na categoria e o primeiro triunfo da equipe Lola Yamaha ABT no Campeonato Mundial. O resultado reforça um dos pilares da Fórmula E: mais do que velocidade, vencer exige eficiência energética, leitura estratégica da prova e capacidade de adaptação às condições da pista.
A vitória tem um significado especial para Lucas di Grassi. Foi justamente na China, em Pequim, que o brasileiro venceu a corrida inaugural da Fórmula E, em 2014. Agora, em sua última temporada na categoria, encerra esse ciclo novamente no lugar mais alto do pódio.
O triunfo também representa um marco para a Lola Yamaha ABT, que conquista sua primeira vitória desde o retorno da tradicional fabricante britânica ao automobilismo de alto nível em parceria com a equipe alemã ABT e a Yamaha.
O fim de semana, entretanto, começou longe do cenário ideal.
Na corrida disputada no sábado, o conjunto apresentou dificuldades para extrair desempenho, e Di Grassi terminou apenas na 18ª colocação, exatamente a posição de onde havia largado.
No domingo, as condições climáticas tornaram o desafio ainda maior.
Com a pista completamente molhada, a classificação novamente colocou o brasileiro apenas na 18ª posição, em um grid formado por vinte carros.
A largada ocorreu somente após duas voltas atrás do Safety Car, procedimento utilizado para reduzir os riscos provocados pela baixa aderência do asfalto.
Foi justamente nesse momento que a estratégia começou a fazer diferença.
Enquanto grande parte dos adversários utilizou logo nas primeiras voltas o Modo Ataque (Attack Mode), buscando aproveitar a tração integral e a potência adicional ainda com o piso úmido, Di Grassi e sua equipe seguiram um caminho completamente diferente.
A decisão foi preservar energia e adiar as duas ativações obrigatórias do sistema para a parte final da corrida.
Essa escolha exigiu um ritmo mais conservador durante boa parte da prova, permitindo ao brasileiro economizar energia enquanto avançava discretamente no pelotão.
A partir da 21ª volta, porém, a corrida mudou completamente.
Com o primeiro Modo Ataque acionado, Di Grassi aproveitou a potência adicional para realizar uma impressionante sequência de ultrapassagens, saltando da 15ª para a quinta posição em apenas duas voltas.
Pouco depois, um incidente envolvendo seu companheiro de equipe, Zane Maloney, provocou uma bandeira amarela em todo o circuito.
A neutralização acabou favorecendo ainda mais a estratégia da Lola Yamaha ABT.
Enquanto diversos adversários utilizaram seu segundo período obrigatório do Modo Ataque durante a bandeira amarela, quando o ganho competitivo é reduzido, Di Grassi ainda estava utilizando sua primeira ativação.
Na relargada, o brasileiro tinha uma vantagem importante: mais energia disponível e uma segunda ativação completa para explorar nas voltas decisivas.
Nas últimas voltas, o desempenho foi dominante.
Primeiro ultrapassou o sueco Joel Eriksson, assumindo a segunda colocação.
Na volta final, realizou a manobra decisiva sobre o francês Jean-Éric Vergne, assumindo a liderança na reta principal do Circuito Internacional de Xangai e confirmando uma das vitórias mais marcantes de sua carreira.
Sob a ótica da engenharia, a corrida demonstrou como a gestão energética se tornou um dos principais fatores de desempenho na Fórmula E moderna.
Ao contrário de outras categorias, nas quais a potência máxima permanece disponível praticamente durante toda a prova, os pilotos da Fórmula E precisam administrar cuidadosamente cada quilowatt-hora disponível.
O Modo Ataque é um exemplo dessa complexidade.
Além de fornecer potência adicional, o sistema libera temporariamente a tração integral, recurso que melhora significativamente a capacidade de aceleração, principalmente em pistas molhadas ou com baixa aderência.
No entanto, utilizá-lo no momento errado pode significar desperdiçar uma das principais armas estratégicas da corrida.
Foi exatamente essa leitura que permitiu a Di Grassi transformar uma posição praticamente sem perspectivas em uma vitória histórica.
O resultado também evidencia a evolução técnica da Lola Yamaha ABT, que ao longo da temporada vem aprimorando o gerenciamento eletrônico do conjunto motriz, a eficiência do software de recuperação de energia e a estratégia de utilização da bateria.
Agora, o foco do campeonato se volta para o ePrix de Tóquio, que será disputado nos dias 25 e 26 de julho, penúltima rodada dupla da temporada 2026.
Na classificação geral, a liderança permanece com o alemão Pascal Wehrlein, que terminou a prova chinesa na quinta colocação e soma 141 pontos.
“A vitória de Lucas di Grassi mostra que a Fórmula E evoluiu para muito além da velocidade pura. Hoje, vencer depende de uma combinação extremamente sofisticada entre engenharia, gerenciamento eletrônico, estratégia energética e capacidade de adaptação às condições da corrida. Em Xangai, a equipe soube abrir mão de desempenho no início para construir a vitória no momento decisivo, uma demonstração clara da complexidade técnica que caracteriza a categoria.” — Tarcisio Dias, Editor do Mecânica Online®.
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• Vencedor: Lucas di Grassi (Lola Yamaha ABT)
• Largada: 18ª posição
• Vitória: 14ª na carreira na Fórmula E
• Conquista histórica: primeira vitória da Lola Yamaha ABT na categoria
• Destaque estratégico: uso tardio do Modo Ataque e gerenciamento de energia
• Próxima etapa: ePrix de Tóquio (25 e 26 de julho)
• Líder do campeonato: Pascal Wehrlein, com 141 pontos
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Modo Ataque (Attack Mode) – Sistema da Fórmula E que libera potência adicional e tração integral por um período limitado, exigindo que cada piloto escolha estrategicamente o momento de sua utilização.
Gerenciamento de energia – Controle da quantidade de energia disponível na bateria ao longo da corrida, determinando o ritmo, as estratégias de ultrapassagem e o desempenho nas voltas finais.
Recuperação regenerativa de energia – Tecnologia que converte parte da energia gerada nas frenagens em eletricidade, recarregando a bateria e aumentando a eficiência do conjunto motriz elétrico.

