A Mercedes-Benz Trucks anunciou uma reestruturação profunda em sua malha produtiva na Europa para garantir competitividade e resiliência frente à eletrificação do setor. O plano inclui a construção de uma nova fábrica em Cheb, na República Tcheca, com investimento na casa de centenas de milhões de euros e capacidade para 25.000 unidades anuais. Enquanto a nova unidade absorve parte do volume de modelos convencionais e alternativos, a histórica planta de Wörth am Rhein, na Alemanha, receberá 1 bilhão de euros para se consolidar como o centro de inteligência para caminhões a diesel e elétricos, assegurando empregos e a liderança tecnológica da marca até 2034.
A expansão para a República Tcheca é uma resposta direta à crescente complexidade do portfólio da Mercedes-Benz Trucks, que agora precisa produzir simultaneamente motores a combustão, baterias e células de hidrogênio.
A unidade de Cheb focará na montagem e fabricação de veículos, utilizando cabinas pintadas que serão fornecidas diretamente pela planta de Wörth, otimizando a logística regional.
Segundo Achim Puchert, CEO da companhia, a nova fábrica permitirá uma gestão de custos mais eficiente, essencial para manter a rentabilidade em um mercado de transporte em constante transformação.
O projeto prevê o início das obras já no próximo ano, com a criação de mais de 1.000 empregos qualificados em áreas como TI, controle de qualidade e manutenção técnica.
A unidade de Wörth continua sendo o “coração e cérebro” da rede, mantendo-se como a maior em volume, com produção na escala de dezenas de milhares de toneladas de veículos anualmente.
Como parte do programa Cost Down Europe, a empresa garantiu a segurança do emprego na principal fábrica alemã até o final de 2034, acalmando as preocupações dos conselhos de trabalhadores.
O investimento de 2 bilhões de euros nas unidades alemãs até 2030 inclui uma nova oficina de pintura ecológica em Wörth, reduzindo o impacto ambiental da produção do caminhão.
A estratégia de crescimento também contempla o setor de defesa e a produção de kits CKD, que são exportados de Wörth para montagem final em diversos mercados internacionais ao redor do mundo.
Diferente de um SUV de passeio, a produção de veículos pesados exige uma flexibilidade extrema na linha de montagem para alternar entre diferentes sistemas de propulsão sem perda de eficiência.
A fábrica de Aksaray, na Turquia, permanece como um pilar importante para os modelos Actros e Arocs, recebendo investimentos contínuos para atender aos mercados europeus selecionados.
Na França, a unidade de Molsheim seguirá especializada em customizações sob medida, reforçando a capacidade da marca em entregar soluções exclusivas para cada tipo de cliente.
A análise de mercado indica que a descentralização produtiva é uma tendência entre gigantes como a Volvo e a Scania para mitigar riscos logísticos e otimizar a carga tributária.
Para a República Tcheca, o investimento fortalece a soberania econômica e a educação técnica, alinhando-se à estratégia nacional de inovação e tecnologias de vanguarda.
A sustentabilidade energética também é prioridade, com a joint venture WärmeWerk Wörth buscando fornecer energia geotérmica neutra em carbono para as instalações industriais alemãs.
A formação profissional será intensificada, capacitando talentos internos para lidar com a manipulação segura de baterias de alta voltagem e sistemas complexos de hidrogênio.
O novo conceito de rede deve estar totalmente implementado até o final desta década, preparando a Daimler Truck para as metas do Pacto Ecológico Europeu de 2026 em diante.
Com a nova estrutura, a Mercedes-Benz busca recuperar participação de mercado na Europa, oferecendo produtos com custos competitivos e a lendária robustez da engenharia alemã.
Esta movimentação garante que a marca da estrela continue a ditar o ritmo da inovação no transporte pesado, equilibrando tradição produtiva com flexibilidade operacional.
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- CKD (Completely Knocked Down): Sistema de exportação onde o veículo é totalmente desmontado em kits para ser montado no país de destino, reduzindo impostos e custos logísticos.
- Propulsão Alternativa: Motores que utilizam fontes de energia diferentes dos combustíveis fósseis tradicionais, como eletricidade (baterias) ou células de combustível de hidrogênio.
- Geotermia: Tecnologia que utiliza o calor proveniente do interior da Terra para gerar energia limpa e aquecimento para processos industriais, reduzindo a pegada de carbono.
