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Consumidores no Brasil priorizam motor a combustão, mas vendas de elétricos registram alta de 33,7%

O Índice de Mobilidade da EY aponta que o interesse por modelos tradicionais atinge 49%, enquanto gargalos na rede de recarga pública e custos de reposição de baterias retêm a expansão massiva dos elétricos no país.

A nova edição do Índice de Mobilidade do Consumidor (MCI), elaborado pela EY, revela um cenário de cautela no mercado automotivo brasileiro, onde a preferência por veículos equipados com motores a combustão interna avançou para 49%, enquanto o interesse por modelos puramente elétricos (BEV) estabilizou-se em 9%, limitados pelos gargalos de infraestrutura.

O processo de eletrificação da frota nacional de passageiros vivencia uma fase de acomodação das curvas de demanda, caracterizada pelo contraste entre o forte avanço no volume de licenciamentos e o aumento do conservadorismo na intenção de compra.

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De acordo com o levantamento amostral da consultoria global, que entrevistou mais de 21.000 consumidores em 32 países (incluindo 1.000 respondentes no Brasil), o ritmo de vendas de eletrificados manteve-se aquecido, acumulando uma alta expressiva de 33,7% até o fechamento de 2025.

Essa aceleração comercial garantiu aos veículos elétricos a bateria o patamar de 4% de participação total de mercado (market share), uma expansão alavancada predominantemente pela ofensiva comercial de marcas chinesas de novas energias.

Contudo, o interesse imediato na aquisição sofre o impacto direto de flutuações geopolíticas e tarifárias, fazendo com que 39% dos potenciais compradores adiem ou reconsiderem a migração para a eletromobilidade pura, enquanto a modalidade de híbridos (PHEV/HEV) registrou oscilação positiva, alcançando 18% das preferências.

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Para a parcela de consumidores disposta a investir na aquisição de modelos elétricos, as motivações são de ordem estritamente econômica e ambiental, com 38% apontando a escalada de preços dos combustíveis fósseis e 38% citando a redução da pegada de carbono como fatores decisivos.

A engenharia de custos também atua como um vetor de atração, uma vez que a expectativa de um menor custo total de propriedade (TCO) baliza a decisão de 29% dos entrevistados, escoltada por atributos de performance e torque imediato (28%) e simplicidade de manutenção (25%).

Em contrapartida, as barreiras de engenharia civil e infraestrutura de rede seguem como os principais entraves para a popularização dos modelos plug-in, com destaque para as severas limitações físicas de recarga.

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Entre os brasileiros que rejeitam a adoção imediata da tecnologia, 36% relatam a total ausência de infraestrutura de carregamento residencial ou no ambiente de trabalho, enquanto 33% apontam a escassez de estações de carregamento público rápido de corrente contínua (DC).

As desconfianças estendem-se à durabilidade e degradação das células de energia, dividindo as preocupações de 28% dos entrevistados sobre o custo de reposição da bateria com 28% que consideram o preço de aquisição inicial proibitivo.

Adicionalmente, 27% dos consumidores questionam os padrões de qualidade e a interoperabilidade dos conectores públicos, enquanto 21% acreditam que a reparabilidade de componentes eletroeletrônicos e inversores em caso de sinistros gera orçamentos superiores aos dos motores ciclo Otto.

O estudo da EY evidencia ainda uma retração na intenção geral de compra de automóveis nas Américas, recuando para 58% (queda de 3%). No Brasil, embora o índice supere a média regional fixando-se em 68%, foi registrada uma redução de 4% em relação ao ano anterior, com 64% planejando a troca nos próximos 12 meses.

Quanto à origem de fabricação, as marcas europeias sustentam a liderança isolada de preferência com 76% das menções, seguidas pelas marcas norte-americanas (62%), asiáticas tradicionais (59%) e as marcas chinesas, que consolidam sua expansão ao atingir 24% da intenção de escolha.

“Apesar das incertezas, os principais motivadores para a adoção dos elétricos permanecem claros. O aumento do custo dos combustíveis convencionais lidera como principal fator, seguido pelas preocupações ambientais”, analisa Marcelo Frateschi, sócio-líder para o setor automotivo da EY no Brasil.

Para acompanhar os dados de mercado e as transformações na engenharia de matrizes de transporte, siga @tarcisiomecanicaonline nas redes sociais.

A transição rumo à mobilidade de zero emissões no país dependerá da superação dos limites de capilaridade dos eletropostos rodoviários e do amadurecimento dos sistemas avançados de assistência ao condutor (ADAS), cuja segurança tecnológica ainda é avaliada com cautela por 52% dos condutores.

Com a consolidação do mercado de seminovos elétricos e a padronização das redes de recarga integradas, a indústria automotiva nacional reconfigurará o equilíbrio de forças entre os combustíveis renováveis e as matrizes puramente elétricas.

Amostragem do Estudo: Pesquisa global realizada em 32 países com 21.000 respondentes (1.000 no Brasil)

Desempenho Comercial: Expansão de 33,7% nos emplacamentos de BEVs com 4% de market share nacional

Índices de Preferência: Modelos a combustão registram 49%, híbridos atingem 18% e elétricos puros somam 9%

Gargalo de Infraestrutura: Falta de carregadores domésticos impede a compra para 36% dos consumidores

Obstáculo Químico: Receio com a troca e custos da bateria de tração freia a decisão de 28% dos compradores

Origem de Marca: Fabricantes europeias lideram intenções com 76%, enquanto marcas chinesas alcançam 24%

Canais de Distribuição: Showrooms físicos respondem por 36% das preferências, contra 28% das plataformas digitais

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Custo Total de Propriedade (TCO) – Métrica financeira e de gestão de frotas que calcula a somatória de todos os custos associados a um veículo ao longo de seu ciclo de vida útil, englobando o preço de aquisição, despesas com combustível ou energia, manutenção, seguro, impostos e depreciação residual.

Interoperabilidade de carregadores – Capacidade técnica e lógica de uma estação de recarga pública de aceitar e operar perfeitamente com diferentes marcas de veículos elétricos, garantindo a comunicação correta de protocolos de software (como o OCPP) e compatibilidade física de conectores.

Veículo Elétrico a Bateria (BEV) – Configuração de automóvel movido exclusivamente por energia elétrica armazenada em um pacote integrado de baterias recarregáveis em fonte externa, sem a presença de motor auxiliar de combustão interna ou sistemas híbridos de transição.

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