A Jetour Lser F700 combina arquitetura tradicional de picape com tecnologia híbrida plug-in para reduzir drasticamente o consumo de combustível. Com motor 2.0 turbo de 210 cv, estrutura de chassi sobre longarinas e consumo homologado de apenas 1,39 L/100 km, o modelo mostra como a eletrificação começa a transformar também o segmento de utilitários pesados voltados ao off-road, trabalho e uso familiar.
A Jetour, marca pertencente ao grupo Chery, revelou oficialmente a nova Jetour Lser F700 através dos registros do Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China, conhecido como MIIT. O modelo representa a entrada da fabricante em um segmento estratégico de picapes grandes eletrificadas.
A proposta técnica da Lser F700 deixa claro que o foco não está apenas no visual urbano. A nova picape utiliza estrutura de chassi sobre longarinas, arquitetura tradicionalmente aplicada em veículos destinados a alta capacidade de carga, reboque e utilização severa em terrenos off-road.
Com 5.495 mm de comprimento, a caminhonete entra diretamente na categoria de utilitários de grande porte. A largura de 2.050 mm e a altura de 1.985 mm reforçam a proposta robusta, enquanto o entre-eixos de 3.350 mm favorece estabilidade, espaço interno e capacidade de carga.
Essas dimensões posicionam a picape acima da maioria das caminhonetes médias vendidas atualmente no mercado global. Na prática, ela se aproxima do conceito de SUVs de chassi com caçamba integrada, tendência que cresce rapidamente na China.
A configuração estrutural da Lser F700 evidencia uma mudança importante no mercado automotivo chinês. As picapes deixaram de ser apenas veículos de trabalho e passaram a ser desenvolvidas também para lazer, aventura e deslocamentos familiares.
A fabricante confirmou duas configurações internas: 2+2 e 2+3 lugares, ampliando o foco do produto para consumidores que utilizam a picape em viagens, camping, turismo e deslocamentos urbanos de longa distância.
O conjunto motriz utiliza um motor 2.0 turbo de 210 cv, mas o dado que realmente chama atenção é o consumo homologado de apenas 1,39 L/100 km. Esse número praticamente confirma a utilização de um sistema híbrido plug-in com elevada participação elétrica no ciclo de homologação chinês.
Na prática, o valor divulgado pelo MIIT significa que a picape consegue percorrer trajetos curtos utilizando predominantemente energia elétrica. Isso reduz drasticamente o consumo de combustível em uso urbano e suburbano.
Embora a fabricante ainda não tenha divulgado dados oficiais sobre capacidade da bateria, autonomia elétrica ou potência combinada, o conceito técnico segue a mesma lógica aplicada em SUVs híbridos plug-in modernos.
Nesse sistema, o motor elétrico assume grande parte da movimentação em baixas velocidades, enquanto o motor térmico atua como suporte em acelerações fortes, viagens longas ou quando a bateria perde carga.
A arquitetura híbrida plug-in oferece uma vantagem importante para veículos pesados. Ela reduz a ansiedade de autonomia típica dos elétricos puros, mantendo a possibilidade de reabastecimento convencional em viagens longas.
Do ponto de vista mecânico, a aplicação de eletrificação em uma picape de grande porte representa um desafio complexo. O peso elevado exige motores elétricos mais robustos, sistemas térmicos avançados e gerenciamento inteligente da distribuição de torque.
A tendência global mostra que as montadoras estão utilizando a eletrificação não apenas para reduzir emissões, mas também para melhorar características dinâmicas importantes em veículos off-road. Motores elétricos entregam torque instantâneo, característica extremamente útil em trilhas e terrenos acidentados.
Outro aspecto relevante é o potencial de eficiência energética. Picapes tradicionais normalmente apresentam consumo elevado, principalmente devido ao peso, aerodinâmica desfavorável e grande área frontal.
A estratégia da Chery segue uma movimentação crescente das fabricantes chinesas, que passaram a investir fortemente em picapes eletrificadas. O objetivo é competir diretamente com modelos japoneses e norte-americanos.
Além do mercado interno chinês, existe forte possibilidade de expansão internacional futura. Mercados emergentes tendem a receber bem veículos robustos com menor custo operacional, principalmente diante da alta global dos combustíveis.
O conceito da Lser F700 também mostra como a eletrificação está deixando de ser restrita a carros compactos urbanos. A tecnologia agora começa a migrar para os segmentos mais pesados da indústria automotiva.
“O mais interessante nesse movimento é observar que a eletrificação finalmente chegou ao território mais conservador da indústria automotiva: o das picapes de chassi. Quando um utilitário de quase 5,5 metros promete consumo semelhante ao de um híbrido compacto, estamos diante de uma mudança estrutural na engenharia automotiva global”, afirma Tarcisio Dias, editor do Mecânica Online®.
Outro fator estratégico envolve a legislação chinesa de emissões. O país vem endurecendo progressivamente os limites de poluentes, incentivando fortemente tecnologias eletrificadas em todas as categorias de veículos.
Isso força fabricantes locais a desenvolver soluções híbridas capazes de manter veículos grandes competitivos em consumo e emissões. A robustez mecânica continua sendo prioridade nesse segmento.
Embora os dados completos ainda não tenham sido revelados, a expectativa é que a picape utilize sistema de tração integral eletrificada, permitindo distribuição inteligente de torque entre os eixos.
A adoção de motores elétricos auxiliares também pode melhorar significativamente o comportamento off-road. A entrega imediata de torque favorece terrenos de baixa aderência, trilhas e subidas íngremes.
O crescimento das picapes híbridas mostra que a indústria caminha para um cenário de coexistência tecnológica. Motores térmicos continuarão presentes, mas cada vez mais integrados à eletrificação.
No contexto global, modelos como a BYD Shark e a Ford Ranger PHEV indicam que o segmento de picapes vive uma transformação técnica profunda, impulsionada pela eficiência energética e pelas novas exigências ambientais.

• Motor 2.0 turbo entrega 210 cv de potência.
• Consumo homologado de 1,39 L/100 km confirma proposta híbrida plug-in.
• Chassi sobre longarinas prioriza robustez estrutural e uso severo.
• Entre-eixos de 3.350 mm amplia espaço interno e estabilidade.
• Configurações 2+2 e 2+3 reforçam proposta familiar e recreativa.
• Estrutura full-size posiciona modelo acima das picapes médias tradicionais.
• Sistema eletrificado reduz drasticamente o custo operacional.
• Vocação off-road permanece como foco central do projeto.
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Chassi sobre longarinas – Estrutura separada da carroceria utilizada em veículos pesados para aumentar resistência, capacidade de carga e robustez off-road.
Híbrido plug-in – Sistema que combina motor elétrico e motor a combustão com possibilidade de recarga externa da bateria.
Torque instantâneo – Característica dos motores elétricos que entregam força máxima imediatamente ao acelerar, melhorando respostas em subidas e retomadas.

