Coluna Via Digital – Por Lucia Camargo Nunes* – O mercado automotivo vive uma disputa cada vez mais intensa entre tecnologias eletrificadas, novos modelos e estratégias industriais. Enquanto a GWM amplia sua atuação com o Ora 5, a Volkswagen avalia uma grande reestruturação global, e marcas como Ram, MG Motor e Baic ajustam seus planos para o cenário brasileiro.
A GWM iniciou as vendas do Ora 5 no Brasil em versão única, posicionando o modelo no segmento de SUVs médios. O preço é de R$ 159.000, o que o coloca na briga pelo segmento de SUVs compactos.
A estratégia é desassociar o Ora 5 do Ora 03, classificado como um compacto de nicho. Para reduzir a aproximação de preços, o Ora 03 na versão BEV58 passou por um reposicionamento, com bônus que reduz seu preço em R$ 20 mil sobre a tabela anterior, passando a custar R$ 149.990. Ambos utilizam a mesma bateria de 58 kWh, mas o Ora 5 dispõe de um motor elétrico mais potente, de 204 cavalos e 26,5 kgfm de torque, com tração dianteira.
A bateria oferece autonomia de 349 km no ciclo Inmetro. A aceleração de 0 a 100 km/h ocorre em 7,7 segundos, com velocidade máxima de 170 km/h. O carregamento em corrente contínua suporta até 120 kW, indo de 30% a 80% em 20 minutos. O SUV possui 4,47 metros de comprimento, 2,72 m de entre-eixos e porta-malas de 362 litros. No interior, traz multimídia de 14,6” com sistema Coffee OS 3. A tecnologia engloba condução semiautônoma nível 2+ e 6 airbags.
A rede de 130 concessionárias adota preço único de peças. Como argumento, oferece garantia de 5 anos e recompra por 80% da tabela Fipe em financiamentos pela marca. O lote inicial do novo GWM Ora 5, composto por mais de 2.000 unidades, esgotou em apenas 24 horas de vendas.
Volkswagen planeja reestruturação com fechamento de fábricas
A Volkswagen analisa um plano de cortes que pode causar a demissão de até 100 mil funcionários no mundo, de acordo com o jornal Financial Times. Caso confirmada, a medida representaria a eliminação de quase um sexto da força de trabalho global da montadora, que hoje soma 625 mil empregados, configurando um dos maiores movimentos da indústria automotiva.
O planejamento de médio prazo prevê o risco de encerramento de quatro fábricas na Alemanha. As unidades de Hannover, Zwickau e Emden, além da fábrica da Audi em Neckarsulm, estão sob avaliação de fechamento. A decisão afetaria diretamente os polos de fabricação de veículos elétricos do grupo.
Big Horn é a nova versão da Dakota
A Ram anunciou a expansão da linha de picapes médias com a introdução da versão inédita Dakota Big Horn. A configuração torna-se a nova opção de entrada da família Dakota no Brasil, comercializada por R$ 249.990 na modalidade de venda direta.
O modelo integra o portfólio da primeira picape média da marca desde a separação corporativa em 2009. A novidade complementa o catálogo já composto pelas configurações Warlock, Laramie e Laramie Night Edition.
Segundo a fabricante, a picape feita na Argentina chega ao mercado como a opção média de entrada mais completa da categoria e já está liberada para reservas nas concessionárias, enquanto as demais seguem com pronta entrega.
MG Motor confirma produção no Ceará
A MG Motor oficializou o início da montagem de seus veículos no Brasil até o fim de 2026, com a primeira fábrica da América do Sul estabelecida em Horizonte (CE). A operação será viabilizada em parceria com a Planta Automotiva do Ceará (Pace), da Comexport, com aportes totais de R$ 400 milhões destinados à adequação tecnológica e pesquisa.
A unidade estima produzir 50 mil veículos ao longo dos próximos quatro anos, gerando aproximadamente 600 empregos na região. O cronograma começará com os elétricos MG4 Urban e MGS5.
O plano estratégico prevê ainda a futura integração de novos modelos e o desenvolvimento de tecnologia flex no País.
Baic focará em híbridos
O executivo Oswaldo Ramos confirmou para o portal Motor1 que a nova marca chinesa Baic direcionará sua operação no Brasil para automóveis com tecnologia híbrida plug-in.
Durante a estruturação da montadora no País, o executivo indicou que o mercado nacional ainda carece de infraestrutura adequada para sustentar a adoção de veículos 100% elétricos de forma generalizada entre os consumidores. Um dos modelos confirmados a chegar neste semestre é o SUV Arcfox T1, com tecnologia híbrida plug-in.
*Lucia Camargo Nunes é economista e jornalista especializada no setor automotivo, editora do Via Digital e do canal @viadigitalmotors no YouTube. Acesse: linktr.ee/viadigitalmotors E-mail: [email protected]
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Bateria de 58 kWh – representa a capacidade de armazenamento de energia do veículo elétrico. Quanto maior esse número, maior tende a ser a autonomia, desde que o consumo energético seja eficiente.
Motor elétrico de 204 cv – diferente de motores a combustão, o propulsor elétrico entrega torque instantaneamente, proporcionando respostas rápidas nas acelerações.
Carregamento rápido em corrente contínua – utiliza carregadores de maior potência para enviar energia diretamente à bateria, reduzindo significativamente o tempo de parada.
Condução semiautônoma nível 2+ – combina sistemas como controle adaptativo de velocidade e assistência de permanência em faixa, auxiliando o motorista, mas sem substituir sua atenção.
Híbrido plug-in – une motor elétrico e motor a combustão, permitindo rodar usando eletricidade por determinados quilômetros e utilizando combustível quando necessário.
Tecnologia flex – sistema desenvolvido para permitir que veículos utilizem diferentes combustíveis, especialmente etanol e gasolina, aproveitando características do mercado brasileiro.

