Projeção da Bright Consulting aponta que a participação das marcas asiáticas deve atingir ao menos 30% do setor de veículos leves, podendo escalar para 40% caso as montadoras tradicionais não acelerem sua reação tecnológica nos próximos dois anos.
O cenário para a indústria automotiva brasileira até o final da década passa por uma transformação estrutural sem precedentes. Durante o evento Future Mobility, realizado no Distrito Anhembi, em São Paulo, Murilo Briganti, COO da Bright Consulting, apresentou dados que mostram o avanço acelerado das fabricantes chinesas no mercado nacional.
Segundo o especialista, o crescimento das novas marcas é impulsionado não apenas pela eletrificação, mas pela capacidade superior de digitalização e agilidade no ciclo de desenvolvimento de produtos. Enquanto as montadoras tradicionais levam entre 36 e 48 meses para renovar um modelo, as chinesas operam com ciclos de 16 a 18 meses, permitindo que seus veículos sejam rapidamente adaptados às exigências dos consumidores.
Briganti destaca que o automóvel deixou de ser apenas um hardware, evoluindo para uma plataforma de software que exige atualizações contínuas e novos serviços. Esse modelo de negócios, no qual as marcas asiáticas possuem vantagem competitiva consolidada, altera a dinâmica de desenvolvimento dos veículos.
Além da rapidez, o potencial de escala da América do Sul — um mercado que supera quatro milhões de veículos anuais — atua como um destino estratégico para a capacidade excedente da indústria chinesa. Briganti observa que, apesar da pressão sobre os preços nos últimos anos, a entrada de novos players tende a aumentar a concorrência.
Isso deve pressionar os preços para baixo e elevar o nível de tecnologia embarcada, mesmo em modelos de entrada. O consultor defende, contudo, que o Brasil não precisa replicar os modelos europeu ou chinês de transição energética. “Nossa vantagem competitiva está na possibilidade de construir uma transição compatível com a nossa realidade”, afirma.
Para ele, o futuro da mobilidade brasileira será “eclético”, marcado pela coexistência de tecnologias como motores flex, híbridos e elétricos puros. O etanol, neste contexto, mantém-se como um pilar estratégico para a redução de emissões e inovação industrial.
“A mensagem para as montadoras tradicionais é clara: o tempo da complacência terminou. Se entre 2026 e 2027 não virmos um movimento robusto de nacionalização tecnológica e aceleração de novos produtos, a perda de mercado será irremediável. O Brasil tem uma oportunidade de ser o laboratório global da combinação entre eletrificação e biocombustíveis”, analisa o Editor do Mecânica Online®, Tarcisio Dias.
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• Projeção 2030: 30% a 40% de market share das chinesas.
• Vantagem chinesa: Ciclos de atualização de 16-18 meses contra 36-48 meses das tradicionais.
• Mudança de paradigma: O veículo como plataforma de software e serviços.
• Transição brasileira: Foco na convivência entre eletrificação e o papel estratégico do etanol.
• Tendência de preços: Pressão competitiva deve tornar carros mais tecnológicos mais acessíveis.
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Software-Defined Vehicle (SDV): Veículo cujo comportamento e funcionalidades são determinados principalmente por software, permitindo atualizações remotas que melhoram o carro após a compra.
Ciclo de Desenvolvimento: O tempo que uma montadora leva desde o conceito de um novo veículo até a sua chegada às concessionárias. A agilidade nesta etapa define a competitividade frente às novas marcas.
Transição Energética Eclética: Conceito que defende a utilização de múltiplas rotas tecnológicas simultâneas (híbridos, elétricos, flex) para descarbonizar o transporte, respeitando as vocações de energia limpa de cada país.

