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Seguro de carro pode custar quase o dobro entre bairros do Recife, aponta levantamento

Diferenças no risco de sinistros, roubos e perfil de circulação fazem o seguro variar de 3,2% na Zona Sul para 6,3% na Zona Norte da capital pernambucana, segundo índice da TEx.

O preço do seguro automotivo não depende apenas do veículo ou do perfil do motorista. A região onde o automóvel circula e permanece estacionado também exerce forte influência no cálculo do risco pelas seguradoras. Levantamento da TEx mostra que, em maio de 2026, o seguro de um automóvel na Zona Norte do Recife custou, em média, quase o dobro do praticado na Zona Sul, evidenciando como fatores geográficos impactam diretamente o bolso do consumidor.

O Recife voltou a registrar diferenças expressivas no custo do seguro automotivo entre suas regiões. De acordo com o IPSA + IPSM (Índice de Preço do Seguro de Automóvel e Moto), desenvolvido pela TEx, empresa do grupo Serasa Experian, o índice do seguro de automóveis variou de 3,2% na Zona Sul para 6,3% na Zona Norte durante o mês de maio.

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Na prática, isso representa uma diferença de 96,9% entre as duas regiões da cidade, mostrando que o CEP continua sendo um dos fatores mais importantes na composição do valor final da apólice.

O levantamento também analisou o seguro de motocicletas.

Nesse segmento, a Zona Norte apresentou índice de 9,4%, enquanto a Zona Sul registrou 8,5%. O maior percentual da cidade foi observado na Zona Noroeste, com 10,3%.

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Considerando toda a Região Metropolitana do Recife, o índice médio ficou em 4,0% para automóveis e 8,8% para motocicletas.

Esses percentuais representam o custo médio do seguro em relação ao valor do veículo e servem como indicador para acompanhar a evolução dos preços do mercado segurador.

Mas por que o seguro varia tanto entre regiões da mesma cidade?

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A resposta está no modelo de cálculo utilizado pelas seguradoras.

As empresas utilizam sistemas estatísticos que cruzam milhares de informações, incluindo índices de roubo e furto, frequência de colisões, custos médios de reparo, intensidade do tráfego, incidência de enchentes, disponibilidade de oficinas credenciadas e histórico de sinistros em cada região.

Assim, dois veículos idênticos, conduzidos por motoristas com o mesmo perfil, podem receber propostas bastante diferentes apenas em função do local onde permanecem estacionados durante a maior parte do tempo.

Outro fator relevante é a frequência de utilização.

Veículos que circulam diariamente por áreas com maior incidência de acidentes ou criminalidade tendem a apresentar maior risco atuarial, refletindo diretamente no valor da apólice.

No cenário nacional, o Rio de Janeiro continua liderando os maiores índices de seguro, com 6,1% para automóveis e 12,0% para motocicletas.

Na sequência aparecem São Paulo, com 4,8% e 11,7%, e Belo Horizonte, com 4,5% e 8,5%, respectivamente.

No consolidado nacional, maio encerrou com índice médio de 4,6% para automóveis e 8,9% para motocicletas.

Embora esses números representem aumento em relação ao mês anterior, permanecem inferiores aos registrados em maio de 2025, indicando uma relativa estabilidade do mercado segurador.

O levantamento também revela uma mudança importante no perfil da frota segurada.

Os veículos movidos exclusivamente a gasolina ainda representam a maior parte das cotações, com 80,9% do total.

Entretanto, os híbridos já respondem por 6,2%, enquanto os elétricos alcançaram 8,2%, refletindo o avanço da eletrificação no mercado brasileiro.

Um dado que chama atenção é o comportamento dos veículos mais novos.

Entre os modelos com até dois anos de uso, os híbridos registraram o menor índice médio de seguro, com 2,6%, enquanto os elétricos apresentaram 3,7%.

Esse resultado pode estar relacionado ao perfil dos proprietários, ao uso predominante em áreas urbanas e aos sistemas avançados de assistência à condução (ADAS), que ajudam a reduzir a ocorrência de acidentes em alguns modelos.

Para o consumidor, o estudo reforça que pesquisar diferentes seguradoras e informar corretamente o perfil de utilização do veículo continua sendo essencial para obter condições mais competitivas.

Além disso, medidas como estacionar em garagem fechada, instalar dispositivos de rastreamento e manter um bom histórico de condução também podem contribuir para reduzir o valor do seguro ao longo do tempo.

Comentário Editorial — Tarcisio Dias, Editor do Mecânica Online® – O levantamento mostra que o seguro automotivo vai muito além das características do veículo. A engenharia de risco utilizada pelas seguradoras incorpora dados estatísticos extremamente detalhados sobre cada região, tornando o CEP um dos principais fatores na precificação da apólice. Outro aspecto interessante é o avanço dos híbridos e elétricos nas cotações, sinalizando que a eletrificação também começa a modificar o mercado segurador. À medida que a frota evolui tecnologicamente, os critérios de avaliação de risco tendem a se tornar ainda mais sofisticados.

Para acompanhar os bastidores do desenvolvimento automotivo e análises exclusivas do setor, siga @tarcisiomecanicaonline nas redes sociais.

Zona Norte do Recife (automóveis): 6,3%.
Zona Sul do Recife (automóveis): 3,2%.
Diferença entre as regiões: 96,9%.
Região Metropolitana do Recife: 4,0% (automóveis) e 8,8% (motocicletas).
Maior índice nacional: Rio de Janeiro, com 6,1% (automóveis) e 12,0% (motocicletas).
Veículos com até dois anos: híbridos registraram índice médio de 2,6%, enquanto elétricos ficaram em 3,7%.

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Risco atuarial – Cálculo estatístico utilizado pelas seguradoras para estimar a probabilidade de ocorrência de sinistros e definir o valor do seguro.

Apólice – Contrato firmado entre seguradora e proprietário do veículo, estabelecendo coberturas, franquias, direitos e obrigações.

Sinistro – Evento previsto no contrato de seguro, como colisão, roubo, furto ou danos provocados por fenômenos naturais, que pode gerar indenização.

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