O Romi-Isetta, primeiro carro produzido em série no Brasil, completa 70 anos em 5 de setembro de 2026. Lançado em 1956, o modelo trazia bloco e cabeçote de motor em alumínio, câmbio de quatro marchas e sistema elétrico de 12V, tecnologias raras para a época. Em 1959, tornou-se o primeiro nacional a usar motor e câmbio BMW, feito só repetido 55 anos depois. Para celebrar a data, a Fundação Romi promove o Encontro Nacional de Romi-Isettas, em Santa Bárbara d’Oeste (SP), com entrada gratuita.
O Romi-Isetta completa 70 anos em 5 de setembro de 2026, data que marca o lançamento do primeiro carro produzido em série no Brasil.
Mais do que pioneiro, o modelo reunia soluções técnicas raras para 1956, muitas delas ainda usadas em carros modernos.
O bloco e o cabeçote do motor eram construídos inteiramente em alumínio, reduzindo peso e melhorando desempenho e economia de combustível.
Essa mesma receita hoje aparece em veículos de marcas como Chevrolet, Fiat, Honda, Jeep, Volkswagen e Toyota.
Em 1959, o Romi-Isetta se tornou o primeiro carro nacional a usar conjunto motor e câmbio da BMW.
Esse feito só se repetiria 55 anos depois, com o Série 3 fabricado pela marca bávara em unidade própria em Araquari (SC).
Com o motor BMW, o Romi-Isetta ganhou cabeçote de fluxo cruzado (cross-flow), tecnologia hoje presente em praticamente todo carro nacional.
O modelo também introduziu no Brasil o motor em posição transversal, outra solução que se tornaria padrão de indústria décadas depois.
No câmbio, o Romi-Isetta já contava com quatro marchas à frente mais ré, quando o padrão do fim dos anos 1950 ainda era de apenas três.
O sistema elétrico operava em 12V, enquanto a maioria dos carros da época ainda usava 6V.
Já em 1956, o modelo trazia alternador no lugar do gerador e limpador de para-brisa elétrico, substituindo o sistema a vácuo.
Nos freios, o Romi-Isetta usava sistema hidráulico, mais confiável que o freio a varão ainda comum entre concorrentes.
A carroceria também trazia inovação: o conceito monobloco, mais seguro e estável que carrocerias montadas sobre chassi.
Apesar de toda a tecnologia, o Romi-Isetta cumpria seu papel de carro popular: em novembro de 1960, custava 370 mil cruzeiros.
Esse valor equivalia a 38 salários mínimos da época, tornando o modelo o carro nacional mais barato disponível no mercado.
Concorrentes como o VW Fusca 1200 e o Willys Dauphine custavam pelo menos 40% mais caro no mesmo período.
Entre as curiosidades, o Romi-Isetta podia estacionar de frente para a calçada, já que a porta ficava na dianteira do veículo.
O modelo também inaugurou a pintura em duas cores nos carros nacionais, hoje conhecida como bi-tom.
Pelé recebeu um Romi-Isetta de presente após o título mundial de 1958, um dos vários brasileiros famosos que tiveram o carro na garagem.
Para celebrar a data, a Fundação Romi promove o Encontro Nacional de Romi-Isettas, em Santa Bárbara d’Oeste (SP), cidade onde o carro era fabricado.
O evento acontece no dia 5 de setembro, com carreata, exposição de documentos históricos e distribuição de miniaturas produzidas na hora.
A entrada é gratuita, e colecionadores interessados em expor seus veículos podem se cadastrar previamente pelo site da Fundação Romi.
Análise Mecânica Online® com Tarcisio Dias – O uso de motor em alumínio já em 1956 é o dado que melhor resume o pioneirismo técnico do Romi-Isetta.
Décadas antes de virar padrão de mercado, o carro já aplicava um conceito que hoje é considerado básico em qualquer veículo moderno.
A parceria com a BMW, em 1959, também merece destaque histórico, já que antecipou em mais de meio século a chegada oficial da marca ao Brasil.
Do ponto de vista de engenharia elétrica, adotar sistema de 12V em plena década de 1950 mostra visão técnica incomum para um carro popular.
Seguem os principais dados técnicos e históricos do Romi-Isetta:
| Item | Especificação |
|---|---|
| Lançamento | 5 de setembro de 1956 |
| Motor | Bloco e cabeçote em alumínio |
| Câmbio | 4 marchas à frente + ré |
| Sistema elétrico | 12V, com alternador |
| Freios | Hidráulicos |
| Carroceria | Monobloco, com teto solar de série |
| Preço (nov/1960) | Cr$ 370 mil (38 salários mínimos) |
Setenta anos depois, boa parte das soluções que pareciam ousadas no Romi-Isetta hoje são consideradas requisito mínimo em qualquer automóvel.
Para acompanhar de perto a história e as curiosidades dos clássicos nacionais, siga @tarcisiomecanicaonline.
Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia
O aniversário: o Romi-Isetta completa 70 anos em 5 de setembro de 2026.
O pioneirismo técnico: motor em alumínio, câmbio de 4 marchas e sistema elétrico de 12V, incomuns para a época.
A parceria histórica: o carro foi o primeiro nacional a usar motor e câmbio BMW, em 1959.
O preço popular: em 1960, custava 370 mil cruzeiros, o carro nacional mais barato do período.
O evento comemorativo: o Encontro Nacional de Romi-Isettas acontece em Santa Bárbara d’Oeste (SP), com entrada gratuita.
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Cabeçote cross-flow: desenho em que a admissão e o escape de ar ficam em lados opostos do motor, melhorando a eficiência de combustão.
Motor transversal: motor instalado de lado a lado no compartimento, em vez de no sentido longitudinal do carro.
Carroceria monobloco: estrutura em que carroceria e chassi formam uma única peça, mais leve e rígida que o modelo sobre chassi separado.
Freio a varão: sistema de freio mecânico antigo, acionado por hastes metálicas, menos eficiente que o freio hidráulico.


