segunda-feira, 24 agosto , 2026
29.2 C
Recife
Minimal Club

Carros que rodam 716 km com 1 litro de combustível disputam maratona no Rio

Quase 50 equipes de quatro países disputam, entre 25 e 27 de agosto, o título de quem percorre a maior distância gastando a menor quantidade de energia possível.

Enquanto a maioria das competições automotivas valoriza velocidade, a Shell Eco-marathon segue uma lógica oposta: vence quem consegue rodar mais quilômetros gastando o mínimo de energia. Na edição de 2026, que completa dez anos de história no Brasil, protótipos elétricos, a gasolina e a hidrogênio vão se enfrentar no Píer Mauá, no Rio de Janeiro. Por trás dos números de eficiência que serão batidos ao longo da semana, há também uma mudança silenciosa na própria engenharia desses carros — e ela diz muito sobre para onde a mobilidade está caminhando.

O Píer Mauá, no Centro do Rio de Janeiro, recebeu nesta segunda-feira (24) mais de 500 estudantes de quatro países latino-americanos para a Shell Eco-marathon Brasil 2026. Ao longo dos próximos três dias, essas equipes vão disputar uma das maiores competições acadêmicas de eficiência energética do mundo, com abertura ao público entre os dias 25 e 27 de agosto, das 9h às 17h.

- Publicidade -

Diferente de uma corrida tradicional, o objetivo aqui não é cruzar a linha de chegada primeiro. Vence o protótipo capaz de percorrer a maior distância possível utilizando a menor quantidade de energia, seja com bateria elétrica, motor a combustão interna ou célula de hidrogênio. Essa lógica invertida é o que torna a Shell Eco-marathon única dentro do universo das competições automotivas estudantis.

Ao todo, são 47 equipes inscritas, vindas do Brasil, Colômbia, México e Peru, cada uma carregando um ano inteiro de estudos e desenvolvimento até chegar aos carros que serão testados na pista. Os veículos competem em duas categorias: Protótipo, mais experimental, e Conceito Urbano, com projetos mais próximos dos carros que já circulam nas ruas hoje.

Os recordes brasileiros da competição impressionam pela escala: 716 quilômetros rodados com apenas 1 litro de gasolina, marca estabelecida em 2023, e 381 quilômetros percorridos com 1 kWh em um motor elétrico, recorde alcançado em 2024. Esses números ajudam a dimensionar o quanto a engenharia estudantil já avançou em uma década de competição no país.

- Publicidade -

A programação da semana segue um cronograma bem definido. Nesta segunda-feira, as equipes se dedicam à organização dos boxes e à montagem final dos carros. Já na terça (25), os veículos passam pelas verificações técnicas e de segurança obrigatórias para entrar na pista, um processo tão importante quanto o próprio desempenho durante a corrida.

As primeiras voltas oficiais acontecem na quarta-feira (26), quando os resultados de eficiência energética começam a ser registrados oficialmente. A quinta-feira (27) fecha o evento como o último dia de pista, definindo os campeões de cada categoria e tecnologia.

Para Norman Koch, Global General Manager da Shell Eco-marathon, o Brasil se tornou um dos países com maior número de equipes ativas dentro do programa global da competição. Segundo ele, essa evolução não aconteceu isolada: os carros que chegam à pista hoje refletem diretamente as tendências dos setores automotivo e de energia ao longo da última década.

- Publicidade -

“A mudança técnica mais evidente está na aparência dos carros, que evoluíram de muitos veículos abertos para modelos frequentemente fechados e altamente aerodinâmicos“, observa Norman, resumindo uma transformação que também aconteceu, em ritmo mais lento, na indústria automotiva tradicional.

Essa evolução também aparece nas categorias e tecnologias adotadas ao longo dos anos. Em 2022, o Conceito Urbano passou a integrar a competição brasileira, ampliando o desafio para projetos mais próximos de veículos reais. No ano seguinte, os primeiros protótipos movidos a hidrogênio chegaram à pista pela primeira vez no país.

Neste ano, as 47 equipes se dividem entre três tecnologias distintas: 30 usam bateria elétrica, 13 competem com motores a combustão movidos a gasolina, e apenas 4 apostam em célula de hidrogênio. Essa distribuição, com cerca de 70% dos projetos elétricos, reflete diretamente onde as universidades estão concentrando investimento e inovação atualmente.

Já o hidrogênio segue como a fronteira técnica mais desafiadora da competição, segundo o próprio Koch. “Estou particularmente interessado em acompanhar o desempenho das equipes de hidrogênio. Ainda é uma tecnologia relativamente nova, repleta de desafios que precisam ser ultrapassados”, afirma, destacando a expectativa de que mais universidades adotem essa rota tecnológica nos próximos anos.

Análise Mecânica Online® com Tarcisio Dias – O detalhe mais interessante da Shell Eco-marathon não está apenas nos números de eficiência, mas na forma como o design dos carros mudou ao longo de dez anos, migrando de protótipos abertos para carrocerias fechadas e aerodinâmicas — um movimento que espelha, em escala reduzida, o que já aconteceu na indústria automotiva real.

A proporção de 70% de projetos elétricos entre as equipes inscritas também funciona como um termômetro valioso: mostra onde a próxima geração de engenheiros automotivos está apostando suas fichas técnicas, mesmo antes de entrar formalmente no mercado de trabalho.

O hidrogênio, ainda restrito a apenas quatro equipes, segue como o capítulo mais incerto dessa história. Cabe à indústria — e não só às universidades — decidir se essa tecnologia vai mesmo ganhar escala nos próximos anos ou permanecer como nicho técnico dentro de competições acadêmicas como esta.

Seguem os principais números da Shell Eco-marathon Brasil 2026:

ItemDado
Equipes participantes47, de Brasil, Colômbia, México e Peru
Estudantes envolvidosMais de 500
Tecnologias em disputaBateria elétrica (30 equipes), gasolina (13), hidrogênio (4)
Recorde a gasolina (BR)716 km com 1 litro (2023)
Recorde elétrico (BR)381 km com 1 kWh (2024)
Datas abertas ao público25 a 27 de agosto, das 9h às 17h

Independentemente da tecnologia escolhida, o desafio central segue o mesmo desde a primeira edição: fazer mais com menos energia, um princípio que a indústria automotiva real ainda está longe de dominar por completo.

Para acompanhar de perto os resultados da Shell Eco-marathon Brasil 2026, siga @tarcisiomecanicaonline.

Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia

O evento: a Shell Eco-marathon Brasil 2026 reúne mais de 500 estudantes no Píer Mauá, no Rio de Janeiro.

A lógica da competição: vence o protótipo que percorre a maior distância usando a menor quantidade de energia.

As tecnologias em disputa: bateria elétrica, combustão a gasolina e célula de hidrogênio.

Os recordes nacionais: 716 km/litro de gasolina e 381 km/kWh elétrico, ambos batidos no Brasil.

O cronograma: verificações técnicas na terça, pista na quarta e quinta, com resultado final em 27 de agosto.

Mecânica Online® — Mecânica do jeito que você entende

Célula de combustível (hidrogênio): dispositivo que converte hidrogênio em eletricidade através de reação química, sem combustão direta.

Eficiência energética veicular: medida de quanto um veículo consegue rodar utilizando a menor quantidade possível de energia ou combustível.

Conceito Urbano: categoria de veículos mais próxima de carros reais, com carroceria fechada e formato voltado ao uso cotidiano.

Aerodinâmica veicular: estudo da resistência do ar sobre a carroceria, fator direto na eficiência energética de qualquer veículo.

- Publicidade -
Minimal Club

Matérias relacionadas

Modelos Peugeot

Mais recentes

Destaques Mecânica Online

AEA - SIMEA 2026

Avaliação MecOn

Mecânica Online® agora no Spotify – informação que acelera seu conhecimento

Para quem gosta de entender o mundo automotivo, o Mecânica Online® Podcast com Tarcisio Dias traz análises técnicas, entrevistas e os principais assuntos da indústria automotiva, de um jeito claro e direto.

Clique aqui para ouvir agora no Spotify!