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O carro de quase 1 milhão

Junho de 1973. Tiros durante a madrugada. Desse modo, a revista Quatro Rodas mostrava a todo o país o novo modelo da Volkswagen, numa época em que os lançamentos eram guardados a sete chaves pelas fábricas e chegavam até mesmo a circular “disfarçados” pelas ruas.

(*) Renato Bellote Gomes

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O carro em questão era a Brasília. Com nome de capital federal e trejeitos de perua – daí a designação feminina – o projeto do carro surgiu no início da década de 70, com a clara intenção de ocupar o lugar do Fusca.

Mas o maior medo da Volkswagen era, sem sombra de dúvida, a concorrência, principalmente quando o modelo ganhou as ruas, disputando mercado com Chevette e Dodge Polara.

Esteticamente bonita para a época, a Brasília trazia um porta-malas razoável na frente – pelo menos se comparado ao “apertadinho” do Fusca – juntamente com o estepe.

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A grade na traseira era sua marca registrada, e também o fato de ter apenas uma saída de escapamento.

Ela caiu no gosto do brasileiro porque apresentava a robustez do “besouro” com espaço para quatro pessoas.

Falando em mecânica, o modelo utilizava o confiável propulsor de quatro cilindros opostos refrigerado a ar, com 1.600 cm³ e apenas um carburador, desenvolvendo então 60 cavalos de potência.

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Lembrem-se que, nessa época, a VW defendia os motores boxer a todo custo, em detrimento dos refrigerados a água.

Um detalhe interessante é que o chassi utilizado pela Brasília era único, o que lhe dava um melhor comportamento dinâmico nas curvas e também mais estabilidade do que o Fusca.

A velocidade máxima não empolgava – por volta de 130 km/h – mas também não precisava mais do que isso para agradar seu público, já que o ruído interno era elevado.

Para incrementar seu desempenho surgiram versões especiais, como a da concessionária Dacon de São Paulo, que incluía um comando de válvulas mais “bravo”.

Em 1974, a revista Auto Esporte testou cinco modelos “envenenados”, com direito a carburação dupla, suspensão rebaixada e aumento da cilindrada.

Nas telas de TV, quem era criança na década de 80, certamente vai se lembrar do modelo do “Seu Barriga” – com filetes no pára-choque – que fez algumas aparições no seriado Chaves.

Deve ser destacada também sua participação nas pistas brasileiras. O piloto Ingo Hoffmann, sob o comando de sua “Brasa” azul de número 17 – que tem até réplica competindo atualmente – faturou os 500 km de Interlagos e o campeonato paulista de 1974, na classe A.

“Mais economia, melhor desempenho” era o slogan de 1976, quando o modelo passou a ser equipado com dois carburadores, gerando um aumento discreto na potência. A concorrência batia à porta – com o Fiat 147 – e mais alguns itens de conforto e segurança foram incorporados naquele ano.

A versão de quatro portas chegaria em 1979, mas foi rejeitada pelos consumidores, com exceção dos motoristas de praça.

O lançamento do Gol, no ano seguinte, desferiu o golpe final no modelo, que teve uma queda brusca nas vendas.

Depois de nove anos de sucesso – inclusive para exportação – e quase um milhão de unidades vendidas no país, a produção foi encerrada em 1982.

Robustez e durabilidade foram apenas duas características do carro que fez parte da vida de milhares de famílias brasileiras.

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(*) Renato Bellote Gomes
(*) Renato Bellote Gomes, 26 anos, é bacharel em Direito e assina quatro colunas sobre antigomobilismo na internet.

O autor tem textos publicados em nove países de língua espanhola e é correspondente do site português Lusomotores

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