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Polo de Goiana se consolida como peça-chave na estratégia da Stellantis para a nova mobilidade

Fábrica pernambucana amplia protagonismo ao receber produção da Leapmotor, desenvolver tecnologia REEV Flex e reforçar papel do Nordeste na transformação da indústria automotiva

O Polo Automotivo Stellantis de Goiana (PE) vive uma nova fase de expansão e consolidação estratégica. Além de seguir como uma das principais bases produtivas da companhia na América do Sul, a unidade foi escolhida para produzir os modelos eletrificados da Leapmotor destinados ao mercado brasileiro e liderar projetos ligados à eletrificação, incluindo o desenvolvimento da inédita tecnologia REEV Flex. A decisão reforça o papel de Pernambuco no futuro da mobilidade sustentável e amplia a relevância da engenharia nacional dentro do grupo automotivo.

O debate promovido durante o Anfavea Visions 2026 deixou claro que a indústria automotiva brasileira passa por uma profunda transformação. Entre os diversos exemplos citados pelos executivos do setor, poucos simbolizam melhor essa mudança do que o crescimento do Polo Automotivo Stellantis de Goiana, em Pernambuco.

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Inaugurada em 2015, a fábrica nasceu para atender inicialmente à produção de veículos da marca Jeep, mas rapidamente se transformou em um dos mais modernos complexos industriais da América Latina.

Ao longo da última década, a unidade passou a produzir modelos como Jeep Renegade, Compass, Commander e as picapes Fiat Toro e Ram Rampage, tornando-se uma das principais operações industriais da Stellantis fora da Europa.

Agora, o complexo entra em uma nova etapa ao assumir papel central na estratégia de eletrificação da companhia para a América do Sul.

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Durante o evento da Anfavea, o presidente da Stellantis América do Sul, Herlander Zola, confirmou que os modelos Leapmotor B10 e Leapmotor C10 serão produzidos em Goiana por meio do sistema CKD, ampliando a atuação da fábrica no segmento de veículos eletrificados.

A decisão é estratégica. A Leapmotor é uma das marcas chinesas que mais crescem globalmente e integra a ofensiva da Stellantis para ampliar sua presença no mercado de veículos elétricos.

Mais do que simplesmente montar veículos, Goiana passa a integrar uma cadeia produtiva ligada às novas tecnologias de mobilidade.

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O movimento reforça a importância da fábrica pernambucana dentro da estratégia global do grupo, especialmente em um momento em que a concorrência chinesa altera rapidamente o cenário da indústria automotiva mundial.

Além da produção dos modelos da Leapmotor, a Stellantis confirmou que o Polo de Goiana também será responsável pela fabricação nacional do Leapmotor C16, SUV eletrificado de seis lugares previsto para chegar ao mercado brasileiro a partir de 2027.

Outro projeto que amplia ainda mais a relevância da unidade é o desenvolvimento da tecnologia REEV Flex.

A sigla REEV significa Range Extended Electric Vehicle, ou veículo elétrico de autonomia estendida. Trata-se de um sistema em que a tração é sempre elétrica, enquanto um motor a combustão atua como gerador para recarregar as baterias quando necessário.

A novidade é que a Stellantis trabalha para adaptar essa tecnologia ao uso de etanol, criando uma solução inédita em escala global.

A proposta une duas das principais características da matriz energética brasileira: a ampla disponibilidade de biocombustíveis e a crescente eletrificação da frota.

Caso a tecnologia alcance os resultados esperados, Goiana poderá se tornar referência internacional em sistemas eletrificados adaptados às condições brasileiras.

O projeto dialoga diretamente com as conclusões apresentadas durante o Anfavea Visions, que apontaram a necessidade de ampliar a engenharia nacional e reduzir a dependência tecnológica externa.

Nesse contexto, o Polo de Goiana assume papel estratégico não apenas na produção, mas também no desenvolvimento tecnológico.

Outro aspecto importante é o impacto econômico regional.

A chegada de novos projetos ligados à eletrificação tende a estimular investimentos em fornecedores, logística, qualificação profissional e pesquisa aplicada.

Isso ocorre em um momento em que diversas montadoras discutem como equilibrar a produção local com a crescente importação de veículos e conjuntos CKD provenientes da Ásia.

O próprio Herlander Zola alertou durante o evento que uma dependência excessiva do modelo CKD pode limitar a geração de empregos e reduzir a participação da indústria nacional na cadeia de valor.

Por isso, a ampliação gradual do conteúdo local deverá ser um dos desafios futuros da operação pernambucana.

Mesmo assim, a escolha de Goiana para liderar os projetos da Leapmotor demonstra confiança na capacidade industrial instalada no Brasil.

A fábrica reúne elevados níveis de automação, logística integrada e capacidade para absorver novas tecnologias de produção.

Além disso, está localizada em uma região estratégica para distribuição nacional e exportação para mercados da América Latina.

Em um cenário de rápida transformação tecnológica, a unidade pernambucana passa a desempenhar papel semelhante ao de outros polos globais da Stellantis dedicados ao desenvolvimento de novas soluções de mobilidade.

Mais do que uma fábrica de veículos, Goiana se consolida como um centro de inovação automotiva voltado para a próxima geração de produtos eletrificados.

“A escolha de Goiana para liderar a produção dos modelos Leapmotor e desenvolver a tecnologia REEV Flex mostra que Pernambuco deixou de ser apenas um polo industrial relevante para se tornar um dos principais laboratórios da nova mobilidade na América do Sul. O futuro da eletrificação brasileira passa, cada vez mais, pela capacidade de unir produção local, engenharia nacional e tecnologias adaptadas à realidade do país.” — Tarcisio Dias, Editor do Mecânica Online®.

Para acompanhar os bastidores do desenvolvimento automotivo e análises exclusivas do setor, siga @tarcisiomecanicaonline nas redes sociais.

• Polo Automotivo Stellantis de Goiana inaugurado em 2015
• Produção atual de Jeep Renegade, Compass, Commander, Fiat Toro e Ram Rampage
• Fabricação nacional dos modelos Leapmotor B10 e C10
• Produção futura do Leapmotor C16 prevista para 2027
• Desenvolvimento da tecnologia REEV Flex
• Sistema REEV combina tração elétrica com gerador a combustão
• Projeto busca utilizar etanol como combustível para extensão de autonomia
• Unidade é uma das mais modernas da Stellantis na América Latina

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REEV (Range Extended Electric Vehicle) – Veículo elétrico que utiliza um motor a combustão apenas para gerar energia e recarregar a bateria, sem conexão mecânica direta com as rodas.

CKD (Completely Knocked Down) – Método de produção em que o veículo chega desmontado ao país para ser montado localmente, reduzindo investimentos iniciais em manufatura.

Eletrificação Flex – Conceito que combina sistemas eletrificados com o uso de etanol ou gasolina, aproveitando a infraestrutura já existente no Brasil para reduzir emissões.

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