A lógica de estimar a perda de valor de um veículo com base no ano de fabricação e modelo está se esgotando, sendo substituída por uma avaliação estruturada nas inovações tecnológicas e no grau de eletrificação. Um estudo da Acrefi em parceria com a Cox Automotive revela que as variações financeiras acompanham diretamente o pacote tecnológico dos automóveis, enquanto a expansão de eletropostos impulsiona a liquidez e o valor residual dos modelos movidos a bateria.
Coluna Via Digital – Por Lucia Camargo Nunes* – A lógica de estimar a perda de valor de um veículo baseando-se no seu ano de fabricação e modelo dá sinais de esgotamento. Durante décadas, o setor acompanhou um comportamento previsível, no qual modelos novos, seminovos e usados respondiam de maneira idêntica às oscilações da economia. Há uma mudança estrutural na avaliação dos bens, de acordo com estudo da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi) em parceria com a Cox Automotive.
As variações financeiras agora acompanham estritamente o pacote de inovações. A velocidade com que as fabricantes renovam portfólios, tecnologia embarcada e grau de eletrificação pesam diretamente nos preços. SUVs, sedãs, hatches ou picapes reagem de formas distintas. A lei de oferta e demanda segue em vigor, mas filtrada pelo quão moderno o projeto se mantém.
A mobilidade elétrica é o motor dessa transformação. A percepção de valor dos modelos a bateria está ligada à infraestrutura de recarga. À medida que eletropostos se multiplicam além das grandes capitais e formam rotas intermunicipais, a confiança aumenta. Essa expansão estrutural reduz o receio sobre a autonomia, o que eleva a liquidez e sustenta o valor residual dessas unidades.
Novo hatch de entrada da Fiat sai do forno ainda este ano
Ao completar 50 anos de Brasil, a Fiat prepara a produção de um modelo inédito no polo de Betim (MG) em 2026. O compacto ocupará a gama de acesso e conviverá com os atuais Mobi e Argo. O nome foi divulgado esta semana: será Argo X e baseado no Panda de mercados globais.
O lançamento é o primeiro produto inédito da planta mineira no atual ciclo da Stellantis. A fabricante detém a liderança do mercado interno e responde por 40% de seus emplacamentos globais apenas com as operações brasileiras.
SUV elétrico tem mais de 100 dias de espera
O segundo lote do GWM Ora 5 que chega ao Brasil recebeu novas opções de cores: o modelo adota a cor externa cinza Quartzo combinada à cabine cinza Urbano.
Para fazer a reserva, é exigido um sinal de R$ 9 mil, para o modelo que custa R$ 159.900 e prazo de 110 dias para entrega. O lote de estreia teve suas 2 mil unidades reservadas em 24 horas. O conjunto motriz fornece 204 cv, com bateria de 58,3 kWh e alcance de 349 km no padrão Inmetro, agregando tecnologias de condução semiautônoma e interface multimídia ampliada.
Fabricante asiática é habilitada em programa federal de inovação
A admissão no principal programa governamental voltado ao desenvolvimento tecnológico do setor automotivo foi ratificada para uma companhia estreante no País. A habilitação no Programa Mover reconhece a adequação dos planos da GAC no mercado nacional, destravando acesso a créditos financeiros na entrega de eficiência e descarbonização.
O cronograma prevê a produção de automóveis a partir de 2027, em Catalão (GO). O mais cotado é o Aion Unit, mas a marca não confirmou. A estratégia ainda envolve um centro de pesquisa focado em adaptar tecnologias às exigências brasileiras, com prioridade para eletrificados de autonomia estendida (Reev) e sistemas flex.
Novo MG elétrico chega por R$ 130 mil
O segmento de elétricos de entrada ganha um novo competidor com produção local confirmada para o fim deste ano. Trata-se do hatch com tração dianteira e bagageiro de 477 litros. O MG4 Urban desembarca inicialmente importado, mas será nacionalizado em Horizonte, no Ceará, onde antes era produzido o Troller.
A versão de entrada entrega 150 cv, bateria de 43 kWh e 299 km de autonomia por R$ 129.990. A intermediária agrega refinamentos e mantém o conjunto a R$ 139.990. A topo da gama salta para 160 cv, adota bateria de 54 kWh e autonomia de 358 km por R$ 149.990. O MG4 Urban aceita carregamento rápido, além de incorporar suspensão independente e farta lista de equipamentos de segurança.
*Lucia Camargo Nunes é economista e jornalista especializada no setor automotivo, editora do Via Digital e do canal @viadigitalmotors no YouTube. Acesse: linktr.ee/viadigitalmotors E-mail: [email protected]
Retrovisor Mecânica Online®
- Nova Lógica de Preços: Estudo da Acrefi aponta que a desvalorização de veículos agora prioriza tecnologia e eletrificação em vez do ano de fabricação.
- Novo Fiat Argo X: Compacto baseado no Panda será produzido em Betim (MG) a partir de 2026, integrando a gama de acesso da marca.
- GWM Ora 5 Atualizado: Segundo lote do SUV elétrico traz a cor cinza Quartzo e mantém o preço de R$ 159.900.
- GAC no Programa Mover: Fabricante asiática é habilitada em programa federal para produzir veículos em Catalão (GO) a partir de 2027.
- Chegada do MG4 Urban: Novo hatch elétrico com versões de até 160 cv terá produção confirmada em Horizonte (CE).
- Expansão da Infraestrutura: Multiplicação de eletropostos consolida rotas intermunicipais e eleva a liquidez dos modelos a bateria.
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- Valor Residual: Estimativa do preço de mercado que um veículo mantém ao longo dos anos após sofrer os efeitos da depreciação e do uso.
- Eletrificação Automotiva: Processo de substituição ou complementação dos motores a combustão interna por sistemas elétricos ou híbridos.
- Autonomia Veicular: Distância máxima que um veículo consegue percorrer utilizando exclusivamente a energia armazenada em suas baterias.
- Nacionalização Industrial: Processo de transferência e estabelecimento de linhas de montagem e fabricação de veículos diretamente em território nacional.

