A Umicore opera, no Brasil, uma etapa do processo global de reciclagem de metais nobres presentes em catalisadores automotivos usados. A operação começa na planta da empresa em Americana (SP) e segue até a unidade de reciclagem de metais em Hoboken, na Bélgica, uma das maiores e mais ecoeficientes instalações do mundo para esse tipo de material.
Tudo começa pela amostragem, etapa que determina a quantidade de metais presentes em cada lote recebido. A planta de Americana recebe resíduos de diferentes origens: sucatas de catalisadores automotivos, catalisadores químicos e industriais, sucata eletrônica, resíduos de joalheria e de mineração.
Antes da análise, os resíduos são homogeneizados, e uma pequena amostra é retirada e enviada para o laboratório. Ali são identificados e quantificados os metais de interesse — principalmente platina, paládio e ródio, no caso dos catalisadores.
Depois dessa etapa no Brasil, o material segue para Hoboken, na Bélgica, onde entram os processos pirometalúrgicos: os metais são recuperados por meio de altas temperaturas e, na sequência, refinados para retornar ao mercado.
Todo o processo é acompanhado por controle e rastreabilidade. Cada lote é identificado, amostrado e analisado desde o recebimento até o refino — a Umicore possui certificações ISO 9001 e ISO 14001 que respaldam esses procedimentos.
Depois de recuperados e refinados, os metais voltam à cadeia produtiva. Além da fabricação de novos catalisadores automotivos, eles podem ser usados em catalisadores industriais, aplicações químicas e equipamentos eletrônicos.
Globalmente, 65% das matérias-primas processadas pela Umicore são materiais secundários — ou seja, já utilizados anteriormente na economia e reintroduzidos por reciclagem. A unidade global de reciclagem de metais da empresa processa mais de 400 mil toneladas por ano, de mais de 200 tipos de material, recuperando 17 metais diferentes.
Mas por que reciclar justamente o catalisador? O componente fica no sistema de exaustão de veículos a combustão e híbridos, e sua função é transformar gases poluentes em substâncias menos nocivas antes de serem lançadas na atmosfera. Ao fim da vida útil, porém, ele ainda carrega valor real: os metais nobres do seu substrato interno.
“O catalisador automotivo é um exemplo claro de como a economia circular pode transformar um material que chegou ao fim de sua vida útil em uma nova fonte de recursos”, afirma Gabriel Cruz, gerente comercial da Umicore. Segundo ele, é fundamental que os catalisadores sejam destinados por canais oficiais, que garantam rastreabilidade e conformidade ambiental.
A destinação correta evita perdas e garante rastreabilidade. O encaminhamento incorreto, por outro lado, pode incentivar o mercado informal, gerar valorização inadequada do material e comprometer o rastreamento da destinação ambiental.
A viabilidade de processamento direto pela Umicore depende do volume disponível — a empresa recebe material de montadoras, empresas do setor automotivo, gerenciadores de resíduos e grandes empresas de sucata. Para volumes menores, a Umicore orienta e indica parceiros homologados.
O material deve ficar armazenado em local coberto, evitando umidade, e pode ser acondicionado em tambores metálicos. A entrega precisa vir acompanhada de Nota Fiscal, e só empresas previamente cadastradas e aprovadas no processo de compliance da Umicore podem realizar entregas — medida que garante que os fornecedores atendam às exigências legais e ambientais.
“A reciclagem sustentável só se completa quando existe controle sobre toda a cadeia, desde o recebimento do material até o retorno dos metais à economia”, conclui Gabriel Cruz.
Mecânica Online® com Tarcisio Dias – A divisão geográfica do processo — amostragem no Brasil, recuperação efetiva na Bélgica — não é burocracia, é especialização industrial real: a recuperação pirometalúrgica de metais do grupo da platina exige instalações extremamente específicas e caras, que hoje não existem no país.
Vale explicar por que catalisadores viraram alvo valioso de reciclagem: platina, paládio e ródio estão entre os metais mais caros do mundo, mais raros até que o ouro em alguns casos, o que torna essa operação economicamente atrativa, e não apenas um gesto ambiental.
Essa mesma característica explica um problema real do dia a dia: catalisadores são um dos itens mais furtados de carros estacionados justamente por causa do valor desses metais — reforçando por que rastreabilidade formal, como a exigida pela Umicore, importa tanto.
O dado de 65% de matérias-primas recicladas globalmente é um número relevante de economia circular, mostrando que a reciclagem já não é nicho na operação da empresa, é parte central do negócio.
A exigência de cadastro prévio e Nota Fiscal para entrega funciona como barreira contra o mercado informal, que historicamente compra catalisadores furtados ou de origem duvidosa sem esse tipo de controle.
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Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia
Amostragem feita em Americana (SP): primeira etapa do processo, que determina a quantidade de metais em cada lote recebido.
Recuperação final na Bélgica: o material segue para a unidade de Hoboken, uma das maiores instalações do mundo para reciclagem de metais nobres.
Metais recuperados dos catalisadores: o processo foca principalmente na platina, no paládio e no ródio presentes no substrato interno do componente.
65% das matérias-primas da Umicore são recicladas: dado global da empresa, que reforça o peso da reciclagem em sua operação.
Mais de 400 mil toneladas processadas por ano: volume global da unidade de reciclagem de metais da Umicore, com recuperação de 17 metais diferentes.
Entrega exige Nota Fiscal e cadastro prévio: só empresas aprovadas no processo de compliance da Umicore podem entregar material para reciclagem.
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Processo pirometalúrgico: técnica de recuperação de metais que utiliza altas temperaturas para separar e purificar os elementos presentes em um material complexo, como a sucata de catalisadores.
Metais do grupo da platina (platina, paládio e ródio): metais raros e de alto valor, usados no substrato interno dos catalisadores para acelerar as reações químicas que reduzem a poluição.
Catalisador automotivo: componente do sistema de escapamento que transforma gases poluentes gerados na combustão em substâncias menos nocivas antes de serem liberadas na atmosfera.
Rastreabilidade: capacidade de acompanhar a origem, o trajeto e o destino de um material ao longo de toda a cadeia produtiva, geralmente documentada por notas fiscais e registros de cada etapa.


