Um terremoto de magnitude 7,1 atingiu a província japonesa de Kumamoto nos últimos dias, deixando 18 mortos e forçando a paralisação de fábricas da Mitsubishi, Honda e Daihatsu. As montadoras se juntam a Toyota e Nissan, que já haviam suspendido a produção após o abalo. A unidade da Mitsubishi em Mizushima, responsável pelo Outlander Sport vendido nos Estados Unidos, parou na noite de 30 de julho após danos em instalações de fornecedores.
Um terremoto devastador atingiu a província de Kumamoto, no Japão, nos últimos dias, deixando 18 mortos e diversos feridos.
Além da tragédia humana, o abalo também afetou diretamente a indústria automobilística japonesa, um dos pilares econômicos da região.
Toyota e Nissan foram as primeiras montadoras a anunciar o fechamento temporário de fábricas, mas a lista cresceu rapidamente nos dias seguintes.
Segundo o site especializado Automotive News, Mitsubishi, Honda e Daihatsu também interromperam suas atividades produtivas no país.
Ao todo, foram fechadas duas fábricas da Daihatsu, duas da Honda e uma da Mitsubishi, em razão dos danos causados pelo terremoto.
A Daihatsu não vende veículos nos Estados Unidos, então o fechamento de suas unidades não deve gerar impacto no mercado americano.
Já as duas fábricas da Honda afetadas não produzem automóveis: uma fabrica motocicletas e a outra, equipamentos de força.
Por isso, o setor automotivo da Honda provavelmente não será impactado, embora a marca ainda não tenha respondido a pedidos de comentário.
O caso mais sensível para os EUA é o da Mitsubishi, cuja fábrica em Mizushima produz um modelo vendido diretamente no mercado americano.
Segundo porta-voz da montadora, a paralisação em Mizushima começou na noite de 30 de julho, por decisão da própria empresa.
O motivo foi o dano sofrido pelas instalações de fornecedores locais, o que interrompeu o abastecimento de peças essenciais à linha de montagem.
A fábrica produz principalmente vans e picapes do tipo kei, populares no mercado interno japonês por suas dimensões compactas.
Mas a unidade também fabrica o Outlander Sport, chamado de RVR no Japão, atualmente o segundo modelo mais vendido da Mitsubishi nos EUA.
O porta-voz da marca não soube precisar quando a produção será retomada, nem qual será o impacto exato sobre o mercado americano.
Em nota, a Mitsubishi afirmou que segue avaliando os efeitos da parada sobre produção e fornecimento, monitorando de perto os próximos desdobramentos.
A montadora destacou ainda que, felizmente, ninguém em suas instalações ficou gravemente ferido ou morreu em decorrência do terremoto.
Entre as montadoras afetadas, a Toyota pode ser a mais prejudicada, já que ampliou o número de fábricas paradas desde o primeiro anúncio.
Inicialmente, a empresa fechou três unidades responsáveis por boa parte da linha Lexus e pela produção de motores híbridos.
Depois, a Toyota incluiu na lista uma fábrica de caminhões que produz o Lexus GX, o Toyota Land Cruiser e o Toyota 4Runner.
A Nissan, por sua vez, fechou duas fábricas: uma delas sem produção destinada aos Estados Unidos.
A outra unidade da Nissan fabrica o Nissan Armada e o Infiniti QX80, modelos que vêm registrando crescimento de vendas nos últimos anos.
Tanto Toyota quanto Nissan ainda não definiram uma data para a retomada da produção em suas fábricas afetadas pelo terremoto.
O episódio expõe, mais uma vez, a fragilidade da cadeia de fornecedores japonesa diante de desastres naturais recorrentes no arquipélago.
No Brasil, marcas como Mitsubishi, Honda e Toyota mantêm operações relevantes e dependem, em graus variados, de peças importadas do Japão.
Eventuais atrasos na cadeia global de suprimentos tendem a repercutir também em mercados fora dos Estados Unidos, incluindo o mercado brasileiro.
Análise Mecânica Online® com Tarcisio Dias – O episódio reforça como a indústria automotiva japonesa segue vulnerável a desastres naturais, mesmo após décadas de investimento em logística resiliente.
A situação da Mitsubishi ilustra bem esse risco: mesmo sem danos diretos à fábrica, a interrupção no fornecimento de peças de terceiros já é suficiente para parar a produção.
O caso da Toyota, que ampliou o número de unidades paradas, mostra como cadeias produtivas modernas são altamente interligadas, mesmo entre marcas diferentes.
Para o consumidor final, o efeito mais provável nos próximos meses é uma possível redução na disponibilidade de estoque de alguns modelos específicos.
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Retrovisor Mecânica Online®
Terremoto de 2016 em Kumamoto – a região já havia sido atingida por abalos intensos há uma década, também com impacto sobre fábricas locais.
Crescimento do Nissan Armada – o SUV de porte grande e seu equivalente Infiniti QX80 vêm ganhando espaço nas vendas americanas nos últimos anos.
Posição do Outlander Sport – o modelo já ocupava o posto de segundo mais vendido da Mitsubishi nos Estados Unidos antes da paralisação.
Expansão da lista da Toyota – a montadora começou com três fábricas paradas e depois incluiu uma quarta unidade de caminhões e SUVs.
Ausência da Daihatsu nos EUA – a marca não vende veículos no mercado americano, o que isola o impacto de suas fábricas fechadas.
Sem resposta da Honda – a montadora ainda não confirmou se o setor automotivo será afetado além das duas fábricas já paralisadas.
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Kei car é a categoria de veículos compactos japoneses, com motor pequeno e dimensões reduzidas, muito popular no mercado interno do país.
Cadeia de fornecedores é o conjunto de empresas que produzem peças e componentes usados por uma montadora para montar seus veículos.
Motor híbrido é o conjunto motriz que combina motor a combustão e motor elétrico para melhorar consumo e reduzir emissões.
Magnitude sísmica é a escala usada para medir a energia liberada por um terremoto, quanto maior o número, mais forte é o abalo.
Modelo mais vendido é o veículo de uma marca com maior volume de emplacamentos em determinado mercado, indicador de relevância comercial.

