quarta-feira, 2 setembro , 2026
29.2 C
Recife
Minimal Club

Fim das concessionárias? Reino Unido compra carro como compra na Amazon, diz estudo

Estudo da Vehicle Data Global mostra Ford, Vauxhall e Volkswagen perdendo espaço para marcas chinesas no Reino Unido.

Um estudo da Vehicle Data Global (VDG), especialista em dados automotivos, mostra que marcas tradicionais como Ford, Vauxhall e Volkswagen perderam fatia relevante de mercado no Reino Unido na última década. Segundo a VDG, o motivo não é perda de apreço pelas marcas, mas uma mudança de comportamento: os britânicos passaram a escolher carro como escolhem produtos na Amazon. Os dados e as declarações aqui reunidas se referem especificamente ao mercado do Reino Unido.

Entre 2015 e 2025, a Ford caiu da 1ª para a 3ª posição em registros, queda de 64%. A Vauxhall teve resultado ainda pior, saindo da 2ª para a 13ª colocação, queda de 70%.

- Publicidade -

Até a líder de 2025, a Volkswagen, registrou 19% menos vendas do que em 2015. Fiat e Citroën tiveram quedas de 85% e 75%, respectivamente, no mesmo período.

Segundo a VDG, o consumidor britânico passou a pesquisar e comparar recursos online antes de visitar concessionárias, um comportamento típico de compra em marketplaces. A eletrificação acelerou essa mudança, transformando carros em produtos com atributos mais fáceis de comparar.

O exemplo mais claro é o das marcas Omoda e Jaecoo, da Chery, que saltaram de zero a 100 mil vendas em menos de dois anos no Reino Unido. No geral, a fatia das cinco maiores marcas caiu de 43,9% em 2015 para 32,0% em 2025.

- Publicidade -

O número de novas marcas chinesas no mercado britânico cresceu dez vezes em apenas cinco anos, segundo o levantamento.

“Os compradores de carros estão aplicando cada vez mais seus hábitos de compras online, como a compra de eletrônicos e produtos domésticos de marcas desconhecidas na Amazon, ao processo de compra de um carro”, afirma Ben Hermer, diretor de operações da VDG.

Segundo Hermer, carros elétricos se prestam bem a esse tipo de comparação, já que o comprador avalia autonomia, velocidade de carregamento, capacidade de bateria, qualidade de tela e sistemas de assistência ao motorista, além de garantia e condições de financiamento.

- Publicidade -

Fabricantes chineses já tinham cultura de oferecer longas listas de recursos como item de série, enquanto marcas tradicionais costumavam empacotar esses mesmos recursos em pacotes opcionais pagos — diferença que pesou a favor das chinesas.

Segundo Hermer, isso favoreceu decisões de compra baseadas em promessas que chamam atenção instantaneamente, como “câmera 360 graus incluída”, em vez de tradição de engenharia ou comportamento dinâmico do carro.

A VDG também observa que a aparente proliferação de marcas esconde uma concentração real: Omoda e Jaecoo são ambas da Chery, assim como Volvo, Polestar e Lotus têm origem na Geely — plataformas e tecnologias compartilhadas por trás de nomes aparentemente independentes.

Outro fator citado pela VDG é a diferença de tarifas: a União Europeia aplicou taxas entre 7,8% e 35,3% sobre elétricos a bateria fabricados na China, mas o Reino Unido optou por não replicar essas tarifas, tornando o mercado britânico mais atrativo para fornecedores chineses.

Apesar do cenário, Hermer pondera que o “jogo não acabou” para as gigantes tradicionais. Segundo ele, nem todas as marcas chinesas atuais devem alcançar escala suficiente para manter sucesso no longo prazo.

“A experiência na gestão do mercado de usados, valores residuais, fornecimento de peças e cadeias logísticas é onde os grandes nomes históricos ainda têm uma vantagem real”, completa o executivo.

Mecânica Online® com Tarcisio Dias – O padrão descrito pela VDG no Reino Unido não é exclusivo de lá, o Brasil vive um movimento parecido.

BYD, GWM e a própria Chery, com Omoda e Jaecoo, também cresceram rápido no mercado brasileiro nos últimos anos, especialmente no segmento eletrificado.

A observação sobre plataformas compartilhadas é particularmente relevante para o leitor brasileiro, já que temos acompanhado casos parecidos: GM usando plataformas da SGMW, Volkswagen recorrendo à Xpeng, e outras parcerias chinesas cada vez mais comuns entre marcas tradicionais.

A diferença tarifária entre Reino Unido e União Europeia não deve ser confundida com a situação do Brasil, que tem sua própria estrutura de tributação para elétricos importados, distinta das duas.

O alerta final de Hermer, sobre nem toda marca chinesa sobreviver no longo prazo, é um ponto que vale observar também aqui: crescimento acelerado de vendas não garante, sozinho, estrutura de pós-venda e rede de peças consolidada no país.

Siga @tarcisiomecanicaonline para saber se esse mesmo movimento das marcas chinesas está acontecendo no mercado brasileiro.

Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia

Ford despenca no Reino Unido: a marca caiu da 1ª para a 3ª posição entre 2015 e 2025, com queda de 64% nos registros.

Vauxhall ainda pior: saiu da 2ª para a 13ª posição, queda de 70% no mesmo período.

Omoda e Jaecoo saltam para 100 mil vendas: as marcas da Chery foram de zero a esse volume em menos de dois anos no Reino Unido.

Top 5 marcas perdem espaço: a fatia de mercado das cinco líderes caiu de 43,9% em 2015 para 32,0% em 2025.

Marcas chinesas cresceram 10 vezes: o número de novas marcas chinesas no mercado britânico aumentou nessa proporção em cinco anos.

Reino Unido não replicou tarifas da UE: enquanto a União Europeia aplicou taxas de 7,8% a 35,3% sobre elétricos chineses, o Reino Unido manteve o mercado mais aberto.

Mecânica Online® – Mecânica do jeito que você entende

Valor residual: percentual do preço original que um veículo ainda vale após determinado tempo de uso, importante para financiamento, seguro e revenda.

Plataforma compartilhada: base técnica (chassi, suspensão, componentes) usada por diferentes marcas ou modelos para reduzir custo e tempo de desenvolvimento, mesmo quando os carros parecem totalmente distintos entre si.

BEV (Battery Electric Vehicle): veículo elétrico movido exclusivamente por bateria, sem motor a combustão auxiliar, diferente de híbridos e híbridos plug-in.

Tarifa de importação: imposto cobrado sobre produtos vindos de outros países, usado por governos para proteger a indústria local ou equilibrar subsídios recebidos no país de origem.

- Publicidade -
Minimal Club

Matérias relacionadas

Modelos Peugeot

Mais recentes

Destaques Mecânica Online

Avaliação MecOn

Mecânica Online® agora no Spotify – informação que acelera seu conhecimento

Para quem gosta de entender o mundo automotivo, o Mecânica Online® Podcast com Tarcisio Dias traz análises técnicas, entrevistas e os principais assuntos da indústria automotiva, de um jeito claro e direto.

Clique aqui para ouvir agora no Spotify!