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Biodiesel B15 acende alerta nas transportadoras para filtros, injeção e custos de manutenção

Levantamento da FETCESP com 126 transportadoras paulistas mostra que 62,7% perceberam mudanças na operação das frotas, enquanto 64,29% relataram aumento nas intervenções e nos custos de manutenção.

O avanço do biodiesel no diesel brasileiro entrou definitivamente na pauta da manutenção das frotas. Com a mistura obrigatória chegando a 15%, transportadoras relatam principalmente entupimento de filtros, maior frequência de manutenção e falhas no sistema de injeção. Os números, porém, devem ser interpretados com cautela: a pesquisa registra a percepção das empresas e não estabelece, isoladamente, uma relação direta de causa e efeito com o biodiesel.

A ampliação do teor de biodiesel no diesel comercializado no Brasil vem ocorrendo gradualmente. A mistura obrigatória, que estava em 10% até abril de 2023, alcançou 15% em agosto de 2025, dentro de uma trajetória que prevê aumentos progressivos até 25% em março de 2030.

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Para entender como essa mudança vem sendo percebida no transporte rodoviário de cargas, a Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP) realizou um levantamento com 126 transportadoras de diferentes regiões paulistas.

A pesquisa foi conduzida entre junho e agosto de 2026 pelos técnicos do Programa Despoluir, sob supervisão do engenheiro Flávio Teixeira Júnior, coordenador do programa em São Paulo. A compilação e tabulação ficaram sob responsabilidade do Instituto Paulista do Transporte de Cargas (IPTC).

62,7% perceberam mudanças na operação

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Entre as empresas participantes, 62,7% afirmaram ter percebido alterações na operação das frotas ao longo do processo de aumento da participação do biodiesel.

O problema mais citado foi o entupimento de filtros, mencionado por 59,52% das empresas. Em seguida aparecem o aumento da frequência de manutenção, com 40,48%, e as falhas no sistema de injeção, relatadas por 39,68%.

Os dados ajudam a identificar onde estão concentradas as preocupações das transportadoras, especialmente porque filtros e sistemas de injeção são componentes diretamente relacionados à alimentação de combustível dos motores diesel modernos.

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É importante, entretanto, estabelecer uma diferença entre correlação percebida e comprovação de causa.

O próprio levantamento ressalta que seus resultados representam a percepção das empresas consultadas e não permitem concluir, isoladamente, que o aumento do biodiesel seja responsável pelas ocorrências.

Variáveis como qualidade do combustível, armazenamento, presença de contaminantes, características dos veículos, regime operacional e procedimentos de manutenção também precisam ser consideradas em uma avaliação técnica.

Custos de manutenção preocupam as transportadoras

Outro número chama atenção: 64,29% das transportadoras consultadas relataram aumento nas intervenções e nos custos de manutenção da frota.

O dado ganha relevância porque 92,1% das empresas participantes afirmaram possuir programas estruturados de manutenção preventiva.

Isso significa que boa parte das transportadoras consultadas acompanha regularmente itens como filtros, sistema de injeção, consumo e desempenho dos veículos, aumentando a capacidade de perceber alterações no comportamento da frota.

Para Carlos Panzan, presidente da FETCESP, o levantamento organiza informações que já vinham aparecendo na rotina das empresas.

“Os aumentos do teor de biodiesel fazem parte de uma agenda importante de transição energética, mas precisam caminhar junto com a realidade operacional das transportadoras. O levantamento não antecipa conclusões, mas mostra que existem relatos recorrentes que precisam ser analisados com profundidade”, afirma.

Na avaliação de Flávio Teixeira Júnior, coordenador do Programa Despoluir no Estado de São Paulo, o acompanhamento contínuo das frotas pode ajudar a identificar alterações com maior rapidez.

“Empresas que acompanham de forma contínua filtros, sistema de injeção, consumo e desempenho conseguem perceber alterações com mais rapidez. O levantamento ajuda a reunir essas experiências e identificar os pontos que aparecem com maior frequência”, explica.

Por que filtros e injeção merecem atenção

Do ponto de vista da manutenção, os resultados colocam dois componentes no centro da discussão: filtros de combustível e sistema de injeção.

Nos motores diesel atuais, o sistema de alimentação trabalha com elevada precisão. Qualquer alteração nas condições do combustível, presença de contaminantes ou restrição de fluxo pode interferir no funcionamento do conjunto.

O filtro tem justamente a função de impedir que partículas e contaminantes alcancem componentes sensíveis do sistema de injeção. Quando ocorre saturação prematura, a consequência operacional pode aparecer na forma de perda de desempenho, irregularidades de funcionamento ou necessidade de substituição antecipada.

Já o sistema de injeção dos motores modernos trabalha com componentes de grande precisão e, por isso, a qualidade do combustível e os procedimentos corretos de armazenamento e manutenção assumem importância ainda maior.

Isso não significa atribuir automaticamente ao biodiesel qualquer problema encontrado nesses sistemas. A investigação precisa considerar todo o caminho percorrido pelo combustível, desde sua qualidade e armazenamento até o tanque do veículo e o sistema de alimentação do motor.

Armazenamento entra na equação

Para transportadoras que possuem tanques próprios de abastecimento, o acompanhamento não deve ficar restrito aos caminhões.

As condições de armazenamento do diesel, limpeza dos reservatórios, controle da presença de água, rotatividade do combustível e manutenção dos sistemas de abastecimento também fazem parte da análise.

Por isso, comparar históricos pode ser mais eficiente do que avaliar ocorrências isoladas. Frequência de troca dos filtros, consumo médio, registros de falhas, abastecimentos e intervenções no sistema de injeção formam uma base de dados capaz de mostrar se houve realmente uma mudança de comportamento da frota ao longo da evolução da mistura.

Transição energética precisa considerar a operação

O avanço dos biocombustíveis tem papel importante na estratégia de redução das emissões do transporte, mas a evolução da mistura também exige acompanhamento técnico de seus impactos sobre os veículos em circulação.

Para a FETCESP, o levantamento funciona justamente como um retrato das experiências relatadas pelas empresas e como subsídio para discussões envolvendo combustível, manutenção e desempenho das frotas.

O desafio será transformar essas percepções em dados técnicos que permitam separar problemas relacionados diretamente ao combustível daqueles associados a armazenamento, manutenção, aplicação, idade dos veículos ou condições específicas de operação.

Mecânica Online® com Tarcisio Dias – O ponto mais importante desse levantamento está justamente no cuidado para não transformar percepção em diagnóstico técnico definitivo. Os percentuais são relevantes porque mostram recorrência de determinadas ocorrências, mas ainda é necessário investigar tecnicamente cada variável.

O dado de que 92,1% das empresas possuem manutenção preventiva estruturada merece atenção. Transportadoras que registram trocas de filtros, falhas de injeção, consumo e intervenções mecânicas têm melhores condições de comparar o comportamento da frota antes e depois das mudanças na composição do combustível.

Também considero importante observar o entupimento de filtros, citado por 59,52% das empresas. O filtro é uma espécie de primeira linha de defesa do sistema de alimentação. Se sua vida útil começa a diminuir de maneira recorrente, existe um sinal operacional que precisa ser investigado, independentemente de qual seja a causa final encontrada.

O mesmo vale para o sistema de injeção. Nos motores diesel atuais, tolerâncias extremamente pequenas e pressões elevadas tornam a qualidade do combustível, a filtragem e o controle de contaminação fundamentais para a confiabilidade.

Por isso, diante da perspectiva de novos aumentos da participação do biodiesel, a melhor resposta técnica não é simplesmente atribuir todos os problemas ao combustível nem ignorar os relatos das transportadoras. É necessário medir, registrar, comparar e investigar.

Para o transportador, isso significa acompanhar indicadores objetivos: intervalo real entre trocas de filtros, quantidade de falhas de injeção, consumo, indisponibilidade dos caminhões e custo de manutenção por quilômetro. Quanto melhor for o histórico da frota, maior será a capacidade de identificar o que realmente mudou e quanto essa mudança custa à operação.

Para acompanhar manutenção, tecnologia, transporte e análises técnicas do setor automotivo, siga @tarcisiomecanicaonline.

Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia

  • B15 – Indica um diesel comercial com 15% de biodiesel na mistura, percentual obrigatório informado para o período analisado.
  • 62,7% perceberam mudanças – É a parcela das 126 transportadoras pesquisadas que afirmou ter observado alterações na operação da frota.
  • 59,52% citaram filtros – O entupimento de filtros foi a ocorrência mais mencionada pelas empresas participantes.
  • 64,29% apontaram maior manutenção – Quase dois terços dos participantes relataram aumento das intervenções e dos custos de manutenção.
  • 92,1% fazem manutenção preventiva – O elevado percentual indica que a maior parte da amostra afirma acompanhar regularmente as condições dos veículos.
  • Não comprova causalidade – A pesquisa registra percepções das transportadoras e, isoladamente, não demonstra que o biodiesel seja a causa direta das ocorrências relatadas.

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  • B15 – A letra B identifica a presença de biodiesel e o número indica sua proporção percentual na mistura. Assim, B15 corresponde a 15% de biodiesel no combustível.
  • Filtro de combustível – Protege o sistema de alimentação contra partículas e contaminantes. Quando fica saturado, pode restringir o fluxo de combustível e exigir substituição.
  • Sistema de injeção – Responsável por dosar e pulverizar o combustível dentro do motor. Nos diesel modernos, trabalha com alta precisão, tornando filtragem e qualidade do combustível especialmente importantes.
  • Manutenção preventiva – Consiste em substituir, verificar e ajustar componentes antes que ocorra uma falha. Também permite criar um histórico técnico da frota, essencial para identificar mudanças de comportamento.
  • Contaminação do combustível – Água, partículas e outros contaminantes podem comprometer a alimentação do motor. Por isso, tanques e sistemas de armazenamento também precisam fazer parte da manutenção.
  • Custo por quilômetro – Para uma transportadora, analisar somente o preço de uma manutenção pode ser insuficiente. Relacionar os gastos à quilometragem ajuda a identificar a evolução real do custo operacional da frota.

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